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Após quatro homicídios em duas semanas, DH investiga disputa territorial entre criminosos no Engenho Pequeno, em São Gonçalo

Somente nos últimos dois meses, o batalhão apreendeu nove fuzis e quatro pistolas, efetuou uma prisão e removeu barricadas

relogio min de leitura | Escrito por Aretha Dossares com edição de Cyntia Fonseca | 10 de fevereiro de 2026 - 11:47
A DHNISG segue apurando os crimes e reforça que todas as hipóteses permanecem em investigação
A DHNISG segue apurando os crimes e reforça que todas as hipóteses permanecem em investigação -

A sequência de quatro homicídios em apenas duas semanas no bairro Engenho Pequeno, em São Gonçalo, acendeu o alerta das autoridades de segurança pública. As mortes ocorridas no mês de janeiro, todas com indícios de execução, estão sendo investigadas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), enquanto o 1º BPM (Venda da Cruz) mantém monitoramento diário e operações constantes na região.

Segundo investigações iniciais, as vítimas teriam alguma ligação com a milícia que atua na região. Além disso, há a hipótese de disputa territorial entre grupos paramilitares e integrantes do Comando Vermelho (CV), que tentam ampliar sua área de influência no Engenho Pequeno, especialmente na Comunidade do Zumbi e arredores. Todas essas informações, a partir de ligações para o Disque Denúncia, são investigadas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG).


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Cronologia - O primeiro crime foi registrado no sábado (17), quando um homem de 45 anos, foi encontrado morto dentro de um carro na Rua Carlos Henrique Nazaré. Segundo registros, contra ele havia três anotações criminais.

No dia seguinte, outro homem também de 45 anos, foi executado a tiros na Rua Expedicionário Américo Campos Cruz. Ele tinha anotação criminal relacionada à violência doméstica.

Moradores da Comunidade do Zumbi relataram que, no dia 19 de janeiro, o tráfico teria interrompido completamente o acesso à internet na região. Apesar disso, nenhuma ocorrência foi registrada oficialmente na delegacia.

Já em 21 de janeiro, um homem de 33 anos foi morto a tiros na Rua Waldir dos Santos. Ele não tinha passagem pela polícia.

O caso mais recente ocorreu na madrugada do dia 26, quando outro homem, de 39 anos, foi encontrado morto, também na Rua Waldir dos Santos. Ele tinha quatro anotações criminais.

Ainda no contexto da escalada da violência, no dia 28 do mesmo mês, um adolescente de 16 anos foi morto quanto estava em um posto de combustíveis, na Rua Primeiro de Maio, no Barro Vermelho. Ele estava armado, numa motocicleta e, de acordo com a polícia, ao perceber a aproximação da equipe, tentou fugir, mas ao chegar à Rua Aurélio Pinheiro, nas proximidades do posto, teria sacado a arma levando os agentes a regirem. Ele morreu no local.  De acordo com as investigações, o adolescente seria sobrinho de um dos assassinados no Engenho Pequeno.

Possível disputa territorial

Dois homicídios ocorreram na mesma rua e os demais em vias próximas, em um raio inferior a 500 metros. Para a polícia, a proximidade geográfica e o curto intervalo de tempo reforçam a hipótese de crimes planejados.

O chefe do tráfico da região, conhecido como Bigode, é considerado suspeito no envolvimento das mortes que ocorreram na região. Ele foi preso em 2014, mas deixou o sistema prisional após um ano e, desde então, não responde a processos em andamento.

A DHNISG segue apurando os crimes e reforça que todas as hipóteses permanecem em investigação, sem confirmação oficial sobre autoria ou mandantes. Já o 1º BPM (Venda da Cruz) informou que tem realizado operações diárias no Engenho Pequeno e áreas próximas.

O 1º BPM (Venda da Cruz) informou que tem realizado operações diárias no Engenho Pequeno e áreas próximas
O 1º BPM (Venda da Cruz) informou que tem realizado operações diárias no Engenho Pequeno e áreas próximas |  Foto: Kiko Charret

Somente nos últimos dois meses, o batalhão apreendeu nove fuzis e quatro pistolas, efetuou uma prisão e removeu barricadas. As ações foram concentradas na Comunidade do Zumbi, Rua da Feira, do Castro e áreas adjacentes, com o objetivo de conter o avanço da violência e garantir a segurança da população. Também foi realizada operação de remoção de barricadas na região, e só no dia 30 de janeiro foram retiradas 33 toneladas de entulhos e outros materiais usados na montagem dos obstáculos. Os veículos encontrados foram encaminhados à 73ª DP (Neves).

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