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O sertão é aqui! Conheça a Barraca da Chiquita, um pedaço do nordeste em Niterói

Reportagem é parte da série gastronômica 'A História de Cada Lugar'

relogio min de leitura | Escrito por Renata Sena | 03 de março de 2023 - 13:00
Francisca, a Chiquita
Francisca, a Chiquita -

Em 1979, aos 16 anos, Francisca Alda Hortênsia Dias chegava ao Rio de Janeiro. Apesar da pouca idade, ela deixou o Sertão do Ceará, onde nasceu e foi criada junto com os pais e oito irmãos, para tentar uma vida melhor na 'Cidade Maravilhosa'. História muito comum nas grandes capitais, que recebem pessoas do país inteiro em busca de uma vida melhor. Contudo, foi no Rio de Janeiro, precisamente em São Cristóvão, que Francisca virou Chiquita, proprietária de uma das maiores marcas da cidade de comida nordestina: a Barraca da Chiquita. E é essa história de muita luta e grandes conquistas que eu vou te contar em um capítulo da série 'A História de Cada lugar'. 

Francisca veio em busca de emprego e foi recebida por uma tia, que já morava na cidade. Logo que chegou, a adolescente encontrou um amigo da família e os dois começaram a namorar. Mas, Nonato, o piauiense que ganhou seu coração e estão juntos até hoje, já trabalhava. E para ficar mais perto do seu amor, Francisca resolveu que iria começar a trabalhar também por lá. O local? São Cristóvão. Uma 'feira' de rua. Um ponto onde as pessoas colocavam barracas e vendiam comidas e produtos para casa. 

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Ali nasceu a barraca da Chiquita. Mas, o nome ainda não existia. Era uma barraca que, inicialmente, vendia batidas de frutas e caranguejos. Até que seus clientes a batizaram e mudaram o rumo do seu negócio.

"Toda semana vinha um e perguntava se eu tinha tal coisa. Aí eu anotava e falava que na outra semana eu teria para ele. Aí na outra semana vinha mais uma pergunta. E eu sabia fazer, então prometia levar pro outro cliente. Quando percebi, eu já estava com um pedaço do meu nordeste na minha barraca. E os clientes já falavam para ir na Barraca da Chiquita, pois lá tem isso ou aquilo". 

E assim, Francisca virou Chiquita. Conhecida nas ruas de São Cristóvão, pelo seu tempero. Apesar de toda a  dificuldade de trabalhar numa barraca de rua, sem a menor condição de estrutura, Chiquita gostava do que fazia. 

"Eu nunca tive dinheiro, mas sempre tive muita coragem. E trabalhei muito, como trabalho até hoje. Eu saí do Sertão, mas encontrei um pedaço do meu nordeste em São Cristóvão. E ali eu vi que as pessoas não buscam só comida, elas buscam identidade, experiência", contou Chiquita, que hoje é proprietária de quatro restaurantes que entregam, além de ótima gastronomia,  uma experiência cultural. 

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Em 1982, foi inaugurado o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, e os 'barraqueiros' passaram a trabalhar com uma condição melhor. Ainda bem longe e diferente de como é hoje.

"A gente foi subindo degraus. A gente foi crescendo e aprendendo como fazer. Minha família foi vindo, estudando e aprendendo com técnica sobre cada área. A gente passou a ter domínio, e em 2003 a gente já estava estabilizado na feira".

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E quando Chiquita fala em estabilizada, ela fala com modéstia,  já que a Barraca da Chiquita é, atualmente, o restaurante mais conhecido da feira, com 700 lugares e mais de 150 funcionários. Queridinho dos artistas e muito usado como cenário para gravações, o local tem até um espaço para realizações de casamentos. 

E se a 'mãe' das Barracas fica em São Cristóvão, as 'filhas' estão dominando o Estado. Hoje funciona uma Barraca da Chiquita em Copacabana, uma em Vista Alegre, também no Rio, e outra em Icaraí, Niterói, onde a equipe de O SÃO GONÇALO foi recebida. Todas com o mesmo propósito: levar o nordeste para os clientes, para além da comida. 

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"Eu sempre quis oferecer mais do que comida nordestina. Eu levo o cliente para a cultura em geral. A decoração, a música... tudo é pensado para oferecer uma experiência". E ela o consegue com maestria. 

Do boi bumbá à chita na parede. Pinturas, xilografia, mesas e cadeiras que levam para o público um pedaço do nordeste, em uma das áreas mais nobres de Niterói. Com música ao vivo, o trio de forró cativa quem senta para comer as iguarias nordestinas. 

Se a adolescente Francisca veio para o Rio para trabalhar, a adulta Chiquita volta ao Sertão como fonte de trabalho. Atualmente,  mais de 10 pessoas da família trabalham com ela e quase todos seus sobrinhos estudam ou já se formaram em universidades. A filha única de Chiquita e Nonato tem 17 anos. E, ao contrário do que muitos pensam, ela não tem o mundo aos pés. 

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"Ela tem tudo que precisa, mas não tem tudo que quer. Ela é criada sabendo que tudo que conquistamos é na luta, no suor e com muita batalha", contou Chiquita, acrescentando que: 

"Minha família não entendia como era ter um restaurante. A gente teve que ralar muito para aprender. Eu tive que cair dentro de cursos, pra me achar, aprender a fazer funcionar. Não tinha um restaurante nordestino que conseguisse por tudo em evidência. Eu sinto um orgulho de ter rompido isso, da minha forma. A maior recompensa não é de dinheiro, não. É de ter feito mesmo do meu jeito, da minha forma e ter conseguido criar uma marca que oferece mais que comida", contou.

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E para fazer do seu jeito, Chiquita até hoje participa de tudo. Da decoração, que ela escolhe cada item, a cozinha, que é onde ela reina e faz até a compra dos insumos, diariamente,  com seu marido Nonato. 

Chiquita deixa claro que o dinheiro que ganha hoje não supera sua satisfação de ter feito acontecer. "A gente consegue oferecer o nordeste a todo mundo que entra em qualquer uma das  lojas. É muito gratificante perceber que mudamos a história da comida nordestina fora do nordeste e ver hoje restaurante típico fazendo o que a gente faz. Oferecendo mais que comida. Eu sou muito grata a Niterói por ter nos recebido tão bem e por viver nossa cultura junto com a gente, finalizou. 

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Resenha Degustativa

Quem já visitou o nordeste, não tem dúvida de que ao entrar na Barraca da Chiquita está entrando num pedacinho de lá. Clima de festa, atendimento diferenciado e pratos espetaculares. Apesar de todas as coisas que já te mostram que o nordeste está ali, uma característica marcante se destaca: a fartura. 

Os pratos na Barraca da Chiquita já chamam atenção pela quantidade de comida servida. Pratos para duas pessoas servem facilmente três, de forma muito satisfatória.

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Com sorriso no rosto, chapéu na cabeça e olhos atentos, Chiquita escolheu a dedo o que servir para a equipe de OSG. Enquanto conversava, percebia uma mesa meio bamba, pediu para ajeitar na hora. Sem depois, a perfeição é entregue nos detalhes. 

De entrada, recebemos o 'Bolinho do sertão'. Uma bolinha divina, feita de macaxeira, aipim como chamamos aqui, recheado com carne seca e mix de queijo. Sério, é a felicidade frita! 

É o petisco ideal para acompanhar uma cervejinha, vendida na casa; ou como entrada para a família toda já entrar no clima do nordeste. A porção com 10 unidades custa R$ 42,90. 

O prato principal era visto antes mesmo de chegar à mesa. Como todos do local, farto e alegre. Se é que você consegue entender o que é uma comida alegre. 

Conhecemos um dos pratos mais vendidos na Barraca de Copacabana: a carne de sol com legumes salteados e assados na brasa. Acompanhados por um incrível baião de dois, um dos itens mais vendidos em todos os restaurantes, e queijo coalho. 

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O prato serve de forma muito farta cinco ou seis pessoas. Mas, é feito para servir quatro pessoas. A carne de sol é macia, suculenta e muito saborosa. Os legumes, surpreendentes e com uma textura incrível. O baião... bom, o baião é feito da mesma forma que ela fazia lá no Sertão do Ceará. E não à toa é o prato queridinho dos clientes. 

Mas, sempre digo para vocês o que me emocionou na visita. Sim! Comida boa, para apaixonados por gastronomia, emociona! A sobremesa servida foi o Sertão gelado. 

Sério, pensem em como seria mágico se os moradores do sertão convivessem com tudo que ele oferece, mas se tivessem água nas torneiras. Contraditório, mas instigante, não é mesmo? Então, o Sertão Gelado consegue surpreender com toda a contradição maravilhosa que o prato apresenta. 

Cocada assada cremosa, muito cremosa, quentinha. Servida com uma bola de sorvete de tapioca por cima. Cocada quente, sorvete gelado. Folhas de hortelã e calda de melaço. Sério! Eu nunca comi nada igual. 

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Tudo lá é maravilhoso. Mas eu iria lá por um mês inteiro e sem intervalo para comer a sobremesa todos os dias.  A cada colherada, a boca conhece uma nova combinação de sabor. Incrível do início ao fim. Quando o sorvete vira uma calda derretida você pensa: 'Acabou a minha sobremesa'. Mas, aí que você se engana, e o negócio fica ainda melhor. A sobremesa é individual,  mas o tamanho permite dividir. Contudo, é tão maravilhosa, que eu não dividiria. 

A visita na Barraca da Chiquita trouxe mais que uma boa (excelente!) refeição. Chiquita levou essa pobre repórter que vos escreve às lágrimas com sua força e seu talento para gerir pessoas, inflar sonhos alheios e oferecer um pouco da sua rica cultura a todos nós. Ela também puxou um brinde a tudo isso. E, se eu pudesse beber em serviço teria tomado um geladíssimo Chopp, bem leve, com a caneca trincando e colarinho cremoso. Mas, deixei isso para vocês, é claro!

Serviço

Funcionamento de terça a sábado, das 11h30 às 23h.

Domingo, das 11h30 às 18h.

- Rua Mariz e Barros, 235, Icaraí, Niterói.

Telefone: (21) 3492-7319

- Avenida do Nordeste, s/nº, São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Telefone: (21) 2589-5695

- Rua Santa Clara, 33, Copacabana, Rio de Janeiro

Telefone: (21) 2548-9144


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➢ Este artigo não é um texto publicitário e reflete a opinião da repórter no momento em que visitou o estabelecimento. Valores e condições de atendimento podem sofrer alterações algum tempo depois da publicação. 

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