Dois dias após Lei Maria da Penha completar 20 anos, ex-marido de ativista é preso
Marco Antônio Viveros foi detido por descumprir medidas protetivas após conceder entrevista sobre as tentativas de feminicídio contra Maria da Penha

Após dois dias da Lei Maria da Penha completar 20 anos, o ex-marido da ativista Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveros, foi preso por descumprir medida protetiva contra a mulher e duas das três filhas deles. A prisão foi efetuada neste domingo (9), em Natal, no Rio Grande do Norte. Maria da Penha virou a principal representação da luta contra a violência doméstica depois de ser vítima de duas tentativas de feminicídio do ex-marido em 1983, em Fortaleza.
O pedido de prisão foi feito pelo Ministério Público do Ceará, depois de Marco conceder uma entrevista à TV Record falando sobre os casos de tentativas de feminicídio, o que vai contra a decisão judicial. A solicitação do MPCE foi aceita pela Justiça, assim resultando na prisão preventiva. A decisão foi proferida pelo magistrado Cesar Morel Alcantara, neste sábado (8), no plantão judicial.
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Outras entrevistas
A Justiça havia imposto medidas cautelares contra Marco em 2024, sendo uma das proibições divulgar informações do processo e o nome ou imagem das vítimas.
De acordo com MPCE, Marco deu entrevista à emissora de televisão sobre o caso relacionado a tentativa de feminicídio contra Maria da Penha, assim violando uma das medidas cautelares que havia sido expedidas pelo 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza, no ano de 2024.
A representação do MP informou que partes da entrevista e conteúdos promocionais estavam sendo publicados nas redes sociais e plataformas digitais.
Segundo a decisão, a Justiça compreendeu que existiam sinais suficientes da prática do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência, que consta no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, e ressaltou que Marco havia sido devidamente informado das restrições e das consequências jurídicas em situações de violação da medida.
A medida também determinou que fossem removidos imediatamente os conteúdos ligados à entrevista, proibindo a divulgação da reportagem ou a publicação em qualquer plataforma digital.
Ainda de acordo com a determinação da Justiça, todo o material deverá ser preservado, como arquivos, registros de edição, contratos, comunicações internas e documentos relacionados, caso contrário haverá penas de multa diária de R$100 mil.
A decisão do juíz destacou que a medida busca assegurar a ordem pública, garantir o funcionamento das medidas protetivas de urgência e proibir do crime.
Marco Antônio foi preso pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em uma operação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público.