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Adolescente morto no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, voltava de pescaria com amigos

Outro jovem foi baleado e permanece internado

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 21 de agosto de 2021 - 14:43
Alexander (à esquerda) e João Vitor (à direita) estavam voltando de uma pescaria
Alexander (à esquerda) e João Vitor (à direita) estavam voltando de uma pescaria -

O jovem Alexander Carvalho Ribeiro Motta, de 19 anos, que foi baleado em uma ação de agentes do 7° BPM (São Gonçalo) no Complexo do Salgueiro, segue internado no Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê. Seu estado de saúde é estável. Ele foi baleado durante um tiroteio entre criminosos e policiais enquanto, segundo familiares, voltava de uma pescaria com seu amigo João Vitor de Oliveira Santiago, de 17 anos. João também foi baleado, chegou a ser socorrido, mas não resistiu e veio a óbito. Os dois eram moradores da localidade.

O caso segue sendo investigado. Existem duas versões sobre o ocorrido: primeiramente, ainda ontem (20), a Polícia Militar disse que os agentes estavam na região para uma ação que buscava conter o tráfico de drogas do local. Já uma nota da corporação diz que os policiais só atiraram contra os criminosos depois que este segundo grupo atacou a tiros a guarnição nas proximidades do Complexo. No momento em que perceberam os jovens baleados, os agentes, no entanto, os socorreram. 

Relembrando o caso João Pedro 

O jovem João Pedro também morreu baleado
O jovem João Pedro também morreu baleado |  Foto: Reprodução/Internet
 

Esse é mais um caso de inocentes que acabam no meio do confronto entre policiais e criminosos. A história relembra a morte do menino João Pedro Matos Pinto, também assassinado durante uma operação da PM no Complexo do Salgueiro. Na época, João Pedro tinha 14 anos e brincava com seus primos em uma casa na Praia da Luz, em Itaoca, dentro do Complexo do Salgueiro, onde ele e sua família moravam. O crime ocorreu no dia 18 de maio de 2020. 

Segundo depoimentos da época, os policiais que estavam em operação chegaram atirando e, uma das balas perdidas, acabou acertando João Pedro na barriga. A família de João Pedro passou 17 horas sem notícias do menino, já que ele foi levado por um helicóptero dos policiais para ser socorrido. Nesse caso, no entanto, nenhum dos familiares foi avisado. Ele só foi encontrado pelos parentes já sem vida no Instituto Médico-Legal (IML) do Tribobó. A casa onde o menino estava, tem, até hoje, cerca de 60 marcas dos tiros que a atingiram.

A operação no Complexo do Salgueiro naquele dia foi feita por agentes da Polícia Federal, com apoio de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e helicópteros da Polícia Militar. Segundo a versão dos agentes, eles dispararam contra a casa onde estava João Pedro, pois seguranças de traficantes da área estavam tentando fugir pelo muro da residência. Algumas armas dos agentes envolvidos na operação no Salgueiro foram apreendidas após a morte do menino.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), através da 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada dos Núcleos Niterói e São Gonçalo, e agora também pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ). 

Para o OSG, a mãe de João Pedro, a professora Rafaela Coutinho, contou que vive num pesadelo constante depois da morte do filho. "Após tudo o que ocorreu, minha família tem tentado seguir em frente, tentamos voltar a antigos hábitos e rotinas, mas não tem sido fácil, tem sido bastante difícil. A nossa relação em estar morando onde tudo ocorreu é bem difícil pelas lembranças, não que se sairmos dali, essas lembranças apagam, mas queríamos não estar mais morando lá", disse ela em um ato realizado sobre o caso em maio. 

Tudo o que os familiares do jovem pedem é justiça. "Nesse um ano, vivemos uma angústia por causa dessa impunidade que vemos no Brasil. Eu, enquanto mãe, vejo outros casos já sendo solucionados, como o caso do Henry Borel, que já teve uma solução, e o caso do João Pedro eu vejo parado, então, é uma angústia. Eles já sabem quem foram os autores do crime, mas continua essa impunidade. Com certeza essa demora no processo, é uma forma deles ganharem tempo para que a justiça não seja feita", relatou.

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