Dia Nacional do Livro: Feiras literárias fortalecem a cultura e economia na Região Metropolitana
Com eventos em Niterói, Maricá e São Gonçalo, a região amplia o acesso à leitura e valoriza escritores, artistas e a produção cultural local

Em 29 de outubro é celebrado o Dia Nacional do Livro, data não muito destacada no calendário, mas muito importante para a cultura brasileira. A data foi escolhida em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, em 29 de outubro de 1810, formada a partir de um acervo de 60 mil livros, manuscritos, mapas e documentos, trazidos de Portugal por D. João VI.
Mais de dois séculos depois, a importância dos livros continua viva, impulsionada pelas feiras literárias. A Região Metropolitana do Rio tornou-se berço de diversos eventos que fomentam a leitura, além de movimentar a cultura e a economia locais.
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Em 2026, este movimento já passou por Niterói, com a Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN), realizada de 13 a 16 de agosto, e agora chega a Maricá, com a abertura da Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM), que acontece de 30 de outubro a 8 de novembro. Já no dia 13 de novembro, é a vez de São Gonçalo entrar no mapa com a chegada da Festa Literária Popular de São Gonçalo (FLIPO), que terá sua primeira edição.
Em Niterói, a FLIN foi um sucesso, reunindo cerca de 50 mil pessoas e mais de 200 convidados em quatro dias de evento. A programação reuniu nomes como Fernanda Montenegro, Valter Hugo Mãe, Ana Maria Gonçalves, Emicida e Conceição Evaristo.
A jornalista, escritora e pesquisadora em história social, Renatta Toledo, comenta a importância desses eventos para os territórios. “Quando promovemos uma festa literária, não estamos falando apenas de livros, mas de oportunidades de encontro, trabalho, circulação de renda e valorização de artistas, escritores, produtores culturais e pequenos empreendedores do próprio território”, disse.

Renatta é moradora do bairro Camarão, em São Gonçalo, e uma das organizadoras da primeira edição da Festa Literária Popular (FLIPO), programada para os dias 13 e 14 de novembro na quadra da escola de samba local Unidos do Porto da Pedra.
Para a escritora gonçalense, os eventos literários movimentam uma ampla rede de profissionais e trabalhadores, desde artistas e produtores até prestadores de serviços e comerciantes locais. “A cultura também gera trabalho e renda, embora esse impacto nem sempre receba a atenção que merece”, afirma.
Renatta comenta que, além de movimentar a economia, esses eventos aproximam os moradores da própria história local, preservando e valorizando as pessoas que ajudaram a construir sua identidade cultural. “A FLIPO nasce justamente com essa proposta: valorizar a produção cultural de São Gonçalo, aproximar escritores e leitores e mostrar que a cidade tem história, talentos e uma produção literária que merece ser reconhecida”, comentou.
A FLIPO homenageará o cantor, compositor e escritor gonçalense Altay Veloso, autor do Musical “O Alabê de Jerusalém”. Uma das iniciativas divulgadas é o concurso literário “Palavra Viva: do Terreiro ao Livro”, no qual serão selecionados quarenta trabalhos enviados por estudantes e pelo público geral para compor uma coletânea sobre memória, oralidade, ancestralidade, cultura e território. O livro com os textos selecionados, será publicado durante o evento.
A conselheira estadual de Cultura pelo Leste Fluminense, Yonara Costa, destaca que as feiras literárias ajudam a democratizar o acesso aos livros, afastando a ideia de que a leitura é um privilégio de quem pode pagar por ela. Segundo ela, eventos que distribuem vouchers para moradores também incentivam a economia local e aproximam a população da literatura. “Não é só necessário fazer projetos de leitura, mas é necessário colocar o livro na mão das pessoas”, afirma.

Yonara é moradora do bairro Mutondo, escritora e trabalha na editora independente Mapa das Letras, fundada em São Gonçalo. Ela comenta que a leitura também contribui para a formação cidadã, o desenvolvimento da empatia e a compreensão das diferenças humanas. Ela avalia que o contato com os livros ajuda as pessoas a compreender melhor o mundo e a dialogar, tornando-se também uma ferramenta de enfrentamento à desinformação e à polarização. “Quem lê amadurece, quem lê enxerga o outro”, resume.
Antes da FLIPO em São Gonçalo, os moradores da região poderão participar da Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM), realizada na orla do Parque Nanci. A 11ª edição do evento ocorre de 30 de outubro até 8 de novembro e vai homenagear a filósofa, escritora e professora Marilena Chauí, uma das principais intelectuais do país.
Para Renatta Toledo, investir nesses eventos é também investir no desenvolvimento dos municípios. “São iniciativas que fortalecem a economia criativa, ampliam o acesso à leitura e contribuem para que a população reconheça a cultura como parte de sua vida cotidiana, e não como um privilégio destinado a poucas pessoas”, afirma.
“São Gonçalo, Niterói e Maricá têm suas particularidades, mas compartilham a possibilidade de fortalecer suas identidades culturais e suas redes de produção”, finaliza.