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Nova facção criminosa se articula dentro de presídios do Rio

Grupo chamado de Primeiro Comando do Golpe já tem ao menos 60 integrantes identificados

relogio min de leitura | Redação
Um dos episódios que chamou a atenção das autoridades ocorreu em 23 de julho, no Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó
Um dos episódios que chamou a atenção das autoridades ocorreu em 23 de julho, no Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó -

Um grupo formado a partir de uma dissidência do Povo de Israel (PVI) vem ganhando espaço dentro do sistema penitenciário do Rio de Janeiro e pode se consolidar como uma nova facção criminosa no estado. Chamado de Primeiro Comando do Golpe, o grupo já teria pelo menos 60 integrantes identificados pelas autoridades.

A movimentação ganhou força após a morte de Avelino Gonçalves Lima, de 54 anos, apontado como liderança do PVI. Desde então, integrantes do grupo dissidente passaram a entrar em conflito com presos ligados à organização original em diferentes unidades prisionais.


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A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) colocou o setor de inteligência para acompanhar a movimentação e identificar os detentos envolvidos. Entre as medidas adotadas está o isolamento de presos apontados como integrantes da dissidência.

Um dos episódios que chamou a atenção das autoridades ocorreu em 23 de julho, no Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó. Detentos ligados ao grupo atearam fogo em uma galeria da unidade durante uma tentativa de tomar o controle do espaço.

Após o episódio, seis presos foram colocados em isolamento e passaram a cumprir pena em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Entre eles está Thiago Faustino Apolinário dos Santos, conhecido como TH.

Conselho Penitenciário alerta para conflitos

O confronto entre integrantes do PVI e da dissidência também apareceu em relatos colhidos pelo Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro (Cperj) durante uma vistoria no Presídio Evaristo de Moraes, o Galpão da Quinta, em São Cristóvão.

Presos relataram aos integrantes do conselho episódios de agressão e ameaças, além do receio de que os conflitos resultassem em mortes.

Em documento encaminhado à Seppen, o Cperj classificou a situação da unidade como crítica. A superlotação também foi apontada como um fator de agravamento do cenário. O presídio tem capacidade para 1.497 presos, mas abrigava 3.244 pessoas no período da vistoria, número equivalente a 217% da capacidade da unidade.

Grupo surgiu dentro do sistema prisional

O PVI é uma organização que surgiu no sistema penitenciário fluminense e reúne presos que não pertencem ao Comando Vermelho (CV), ao Terceiro Comando Puro (TCP) ou aos Amigos dos Amigos (ADA).

Entre as atividades atribuídas ao grupo estão golpes aplicados por telefone e a comercialização de drogas dentro das unidades prisionais. No início de agosto, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prendeu um policial penal suspeito de facilitar a entrada de celulares e entorpecentes destinados a integrantes da organização.

Com o surgimento do Primeiro Comando do Golpe, as autoridades passaram a monitorar a disputa entre os dois grupos dentro dos presídios. A preocupação é que a dissidência se fortaleça e passe a atuar de forma independente, consolidando uma nova facção criminosa no estado.

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