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457 mil pessoas vivem em áreas dominadas pelo TCP no Grande Rio

Terceiro Comando Puro é a terceira força armada da região metropolitana e ampliou em 75,7% seu domínio territorial entre 2018 e 2024

relogio min de leitura | Redação
Carlos Nhanga, porta-voz do Instituto Fogo Cruzado
Carlos Nhanga, porta-voz do Instituto Fogo Cruzado -

Ao menos 457 mil pessoas vivem em áreas sob domínio do Terceiro Comando Puro (TCP) na região metropolitana do Rio de Janeiro, segundo o Mapa Histórico dos Grupos Armados, produzido pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF). A facção é hoje o terceiro maior grupo armado em extensão territorial no Grande Rio, atrás do Comando Vermelho (CV) e das milícias, e responde por 8,05% das áreas controladas ou influenciadas por grupos armados.

O Complexo de Israel, na Zona Norte da capital fluminense, é um dos principais pontos de domínio do TCP e já contabiliza 19 tiroteios em 2026, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Na segunda-feira (24), uma operação policial na região provocou um intenso tiroteio e fez com que a Linha Vermelha e a Avenida Brasil fossem interditadas. Quatro caminhões chegaram a ser incendiados nas pistas da Avenida Brasil, e 20 linhas de ônibus sofreram desvios. Desde sexta-feira (21), a região está sob ocupação da Polícia Militar por tempo indeterminado.


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O crescimento do TCP

A expansão do TCP ganhou força a partir de 2018 e, em 2024, a facção ampliou em 75,7% seu domínio territorial. Entre 2007 e 2018, a facção ampliou seu domínio em 22,7%.

O avanço do TCP se deu a partir da ocupação de territórios deixados por outros grupos armados. Na Baixada Fluminense, a facção ampliou sua presença especialmente em áreas onde o Amigos dos Amigos (ADA) perdeu espaço. A partir de 2020, com a crise das milícias, o TCP também avançou sobre territórios anteriormente controlados por esses grupos na Zona Oeste. Na Zona Norte, a expansão do TCP contribuiu para transformar a região em uma das áreas mais disputadas por grupos armados.

O Mapa Histórico dos Grupos Armados mostra que, quando um grupo perde o controle de determinada área, seja por prisão de uma liderança, disputa sucessória ou ação do Ministério Público, outro grupo tende a ocupar o espaço deixado. Essas substituições, no entanto, não significaram redução do domínio armado, já que entre 2007 e 2024, a área sob controle de grupos armados na região metropolitana cresceu 130,4%.

“O crescimento do TCP expõe o limite de uma política de segurança baseada apenas em operações policiais em favelas. Durante a gestão Cláudio Castro, os grupos armados não deixaram de avançar e o Mapa Histórico dos Grupos Armados mostra isso. Em 2026, o eleitor precisa cobrar dos candidatos não apenas discursos de combate ao crime, mas metas concretas para reduzir o poder territorial das facções e das milícias e impedir que a população continue submetida à violência armada como acontece no Complexo de Israel”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

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