Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,1485 | Euro R$ 6,0052
Search

Brigas envolvendo agentes de segurança deixaram 194 pessoas baleadas na Região Metropolitana do Rio nos últimos 10 anos

Um caso recente ocorreu na madrugada de 17 de agosto, quando um policial penal foi morto após uma troca de tiros com um policial militar em um quiosque na Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio

relogio min de leitura | Redação
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada -

Um levantamento inédito do Instituto Fogo Cruzado mostra que a presença de um agente de segurança armado durante uma briga pode transformar uma discussão em uma ocorrência potencialmente letal. Nos últimos 10 anos, ao menos 135 brigas terminaram em tiros envolvendo agentes de segurança fora de serviço, entre 5 de julho de 2016 e 20 de agosto de 2026. Em 120 delas, houve vítimas.

Ao todo, 194 pessoas foram baleadas durante essas brigas: 92 pessoas morreram e 102 ficaram feridas. Entre as vítimas, 44 agentes de segurança foram mortos e 29 ficaram feridos. Houve ainda 48 civis mortos e 73 feridos entre os baleados nessas ocorrências.

As brigas aconteceram em diferentes locais. Entre os mais comuns, eventos (36), bares (35), residências (10), postos de gasolina (6), automóveis (5) e shoppings (4) concentram o maior número de vítimas. Mas houve ainda vítimas em brigas envolvendo agentes de segurança dentro de transportes públicos, em quiosques na praia, em boates, em praças e no trânsito.


Leia também:

PM é denunciado por matar homem desarmado durante perseguição em São Gonçalo

Polícias Civil e Militar realizam operação contra narcotraficantes do TCP no Complexo de Israel




Um caso recente ocorreu na madrugada de 17 de agosto, quando um policial penal foi morto após uma troca de tiros com um policial militar em um quiosque na Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. Um desentendimento no banheiro entre o policial penal e o PM teria sido o motivo dos disparos.

O que aconteceu no Recreio dos Bandeirantes não foi um caso isolado. Em 19 de junho deste ano, uma briga entre crianças em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, terminou com a morte de Fábio Ferreira da Silva, atingido por disparos feitos pelo sargento da Polícia Militar Wellington Sacramento dos Santos. Dias depois, em 27 de junho, dois homens, entre eles um policial militar de folga, ficaram feridos após uma troca de tiros durante uma discussão em um estacionamento de um shopping em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Também em 2026, em 7 de maio, a passageira Thamires Rodrigues de Souza Peixoto foi morta a tiros dentro de um carro de aplicativo, no Pechincha. O atirador era o policial civil Frede Uilson Souza de Jesus, que teria se envolvido em uma briga de trânsito com o motorista de aplicativo e acabou disparando contra o veículo.

“Uma discussão não deveria ter como desfecho uma pessoa baleada. Quando um agente de segurança, que recebeu treinamento e autorização do Estado para portar uma arma, leva esse armamento para situações de conflito pessoal, o risco para todos os envolvidos aumenta drasticamente. Os dados mostram que não estamos falando de episódios isolados: são 194 pessoas baleadas em 135 ocorrências. É preciso discutir com seriedade os protocolos para o porte e o armazenamento de armas fora de serviço, além da responsabilização quando um agente utiliza uma arma em uma situação que não envolve atividade policial”, avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.

Com uma metodologia própria, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

Matérias Relacionadas