Operação mira esquema que lavava dinheiro do tráfico em clube e pousada no RJ
Investigação aponta que organização criminosa movimentou mais de R$ 11 milhões por meio de um clube recreativo e de uma pousada para ocultar recursos do tráfico de drogas

Policiais civis da 52ª DP (Nova Iguaçu), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), deflagraram, nesta terça-feira (04/08), a Operação Quimera, que mira uma sofisticada estrutura ligada ao tráfico de drogas responsável por lavar dinheiro do crime por meio de um clube recreativo e de uma pousada. São cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos. Entre os alvos estão um clube na Zona Norte do Rio, e uma pousada em Armação dos Búzios. Também foi requerido à Justiça o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas investigadas.
A ação conta, ainda, com o apoio de policiais civis do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e integra a Operação Contenção, ofensiva estratégica do Governo do Estado para conter o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho.
A investigação teve início após dirigentes de um clube social denunciarem que vinham sendo ameaçados para abandonar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico de drogas. As diligências apontaram que as ameaças eram determinadas pela liderança do tráfico local. Além da tentativa de assumir o controle do estabelecimento, o grupo exigia o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o clube continuasse funcionando sem sofrer represálias.
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A partir do trabalho investigativo da 52ª DP, os policiais identificaram indícios de um esquema semelhante em outro clube recreativo, principal alvo da operação. As apurações revelaram que pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido, de forma informal, a administração do local, controlando eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com a instituição.
As apurações também identificaram um núcleo familiar responsável pela gestão financeira paralela do clube. O grupo possuía funções bem definidas: um dos alvos seria o principal operador financeiro da organização; a segunda investigada atuava na administração paralela do clube; e um terceiro exercia funções de gestão, tendo movimentado R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, apesar de não possuir atividade empresarial formal compatível.
Outro investigado realizou cerca de 40 transferências via PIX, que totalizaram R$ 240 mil. Ele figura como autor em aproximadamente 20 procedimentos policiais, muitos relacionados a roubos de carga. Também foi identificada a participação de uma quinta investigada, que movimentou cerca de R$ 2,2 milhões em seis meses, embora declarasse trabalhar como recepcionista, com renda aproximada de R$ 3,2 mil. No mesmo período, ela recebeu cerca de R$ 253 mil de um dos alvos, em seis transferências.
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX.
Os agentes também identificaram a ligação do grupo criminoso com uma pousada em Armação dos Búzios, que pode ter sido utilizada para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas. O estabelecimento, de pequeno porte, possui 16 quartos, cinco funcionários e diárias de aproximadamente R$ 540 na alta temporada. Apesar dessa estrutura, movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses, além de registrar mais de 600 depósitos em espécie, que somaram aproximadamente R$ 955 mil.
Segundo as investigações, o esquema utilizava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores provenientes do tráfico de drogas na economia formal. Somadas, as movimentações identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos e lavagem de dinheiro.