PF cumpre mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador Cláudio Castro
A medida faz parte das investigações da chamada ADPF das Favelas

O ministro Alexandre de Moraes determinou, nesta sexta-feira (15), o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra o ex-governador Cláudio Castro. A medida faz parte das investigações da chamada ADPF das Favelas, ação que estabelece limites para garantir legalidade das operações policiais nas comunidades fluminenses.
A validade dessas diretrizes foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em abril, visando diminuir a letalidade em áreas vulneráveis. A discussão ganhou força após a operação nos complexos da Penha e do Alemão, considerada uma das mais violentas da história do Rio, com dezenas de mortes registradas em ações contra o Comando Vermelho.
Entre as obrigações impostas ao governo estadual está a elaboração de um planejamento para recuperar territórios controlados pelo crime organizado. Este projeto deve apresentar cronogramas claros e será custeado por verbas federais e estaduais, incluindo o uso de emendas parlamentares.
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No campo operacional, o STF exige que as forças de segurança planejem o uso da força de forma proporcional e justifiquem cada ação em relatórios posteriores. Embora não seja obrigatório comunicar as operações com antecedência, a legalidade e a proteção aos direitos humanos devem ser priorizadas em cada incursão.
Outro ponto importante é focar no bem-estar dos profissionais de segurança que atuam em áreas de conflito. Os agentes envolvidos em incidentes críticos devem receber atendimento psicossocial obrigatório para prevenir traumas e garantir apoio emocional após os confrontos.
Para combater a estrutura das facções, a Polícia Federal deverá manter uma equipe exclusiva dedicada à produção de inteligência sobre grupos criminosos e suas conexões com o poder público. Órgãos como o Coaf e a Receita Federal foram orientados a dar prioridade máxima às diligências relacionadas a essas investigações.
Protocolos obrigatórios em casos de mortes
Quando houver óbitos durante as ações policiais, o estado deve seguir um protocolo rígido de transparência e perícia. O primeiro é a Preservação imediata da cena do crime. Os primeiros policiais no local não podem alterar o cenário e devem avisar prontamente os comandantes, corregedorias ou delegados de plantão para o início dos trâmites legais. Depois, a atuação direta do Ministério Público e Polícia Civil. O órgão ministerial deve ser notificado imediatamente para, se necessário, enviar promotores ao local, enquanto delegados precisam colher evidências e qualificar testemunhas logo após a liberação pericial. E por fim, rigor nos exames cadavéricos e investigações. Toda morte por intervenção policial exige autópsia obrigatória e documentação fotográfica detalhada, com inquéritos das corregedorias devendo ser concluídos em no máximo 60 dias.
O STF também estipulou regras para o ingresso em residências, que deve ocorrer prioritariamente durante o dia e com justificativa documentada em auto circunstanciado. A entrada forçada à noite permanece vedada, salvo em situações de excepcionalidade comprovada. Para garantir assistência rápida em confrontos, o governo tem o prazo de 180 dias para regulamentar a presença obrigatória de ambulâncias em locais próximos às operações.