Câmeras corporais mostram PMs monitorando empresário morto em abordagem e alegando 'troca de tiros'
O PM que atirou relatou uma versão diferente do que aparece nas imagens

O empresário Daniel Patrício Santos Oliveira, 29 anos, que foi atingido com tiros de fuzil na Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi monitorado por policiais militares antes de ser executado. Os vídeos de câmeras corporais dos PMs registraram a movimentação, as imagens foram exibidas pelo Fantástico neste domingo (26). O crime ocorreu na madrugada de quarta-feira (22), as imagens mostram o momento em que um PM avança em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil.
Nas gravações, um policial avisa ao colega: “Tá descendo o Russo agora!” Logo em seguida, Daniel entra na rua e é alvejado. Segundo a investigação, não havia blitz, bloqueio e nem ordem de parada. O empresário não estava sozinho no carro, três passageiros sobreviveram e aparecem nas imagens logo após os tiros.
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Depois dos disparos, moradores se aproximaram e questionaram a ação policial. O PM que atirou relatou uma versão diferente do que aparece nas imagens. Disse que o carro teria acelerado contra a guarnição no momento de uma suposta abordagem.
As câmeras também gravaram o policial orientando como o caso deveria ser registrado oficialmente. Ele fala em “averiguação de pessoa e veículo”, “troca de tiro” e “legítima defesa”. Ele repete a mesma narrativa por telefone e, depois, na delegacia.
Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, os vídeos mostram que os agentes acompanhavam Daniel desde 1h53 da madrugada. Os tiros foram disparados às 3h06. Durante o período, os policiais receberam informações de um olheiro sobre os passos da vítima. Foi a partir dessas informações que os policiais montaram a emboscada, segundo a investigação.
Os dois policiais foram presos no mesmo dia por homicídio doloso (com intenção de morte). A Corregedoria da PM informou que a ação não seguiu nenhum protocolo formal. O governo do Rio de Janeiro adiantou que pagará indenização à família. O Ministério Público investiga a motivação do crime.
Daniel era casado, tinha uma filha pequena e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu (PR).