Polícia Civil prende homem que chantageou jovem por quase 10 anos em São Gonçalo
Os investigadores afirmam que o homem não tinha interesse financeiro, mas sim em causar terror psicológico

A Polícia Civil prendeu, nesta quarta-feira (11), um homem, de 29 anos, conhecido como “Mestre Slar”. Ele utilizava diversos perfis falsos para ameaçar e chantagear uma jovem durante quase 10 anos. O acusado foi detido no bairro Apolo III, em São Gonçalo.
As investigações da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu apontam que a vítima, ainda com 11 anos, conheceu o autor por meio de um grupo de conversas em uma rede social. Inicialmente identificado como “Angel”, o suspeito fez ameaças, chantagens e coerção psicológica contra a menina. Depois, reapareceu usando o nome “Mestre Slar”, iniciando uma série de mudanças repentinas de identidade.
O suspeito passou a afirmar que possuía imagens íntimas da jovem e, segundo a polícia, teve acesso às redes sociais da adolescente. Os investigadores afirmam que o homem não tinha interesse financeiro, mas sim em causar terror psicológico. Os agentes encontraram dezenas de e-mails, números de celular e contas em redes sociais ligadas ao suspeito. Entre as plataformas utilizadas estão WhatsApp, Facebook, YouTube e TikTok, além de serviços de armazenamento em nuvem e sites de conteúdo adulto, usados para intimidar a vítima.
Leia também:
Homem é preso por agredir mulher no Terminal João Goulart, em Niterói
Mãe e padrasto acusados de estupro de vulnerável são presos na Ponte Rio–Niterói
Entre 2025 e 2026, dos 19 aos 20 anos, ela começou a receber transferências de R$ 0,01 acompanhadas de mensagens insistentes para restabelecer contato. Enquanto isso, ele enviou vídeos íntimos, documentos pessoais e endereços da vítima para conhecidos dela. A mãe da jovem disse ter recebido vídeos nos quais o suspeito afirmava ter enviado pessoas para vigiar e invadir o imóvel onde moravam. Além de familiares, foram abordados colegas de curso e pessoas sem vínculo direto com a moça. O homem chegou a criar um canal no YouTube com o nome da mulher e perfis em plataformas adultas para divulgar os links.
Em interrogatório, o detento admitiu o uso de vários chips telefônicos, a criação de diversos perfis falsos e o armazenamento e compartilhamento de conteúdo íntimo. Ele ainda confessou ter solicitado e recebido imagens da vítima quando ela era menor de idade, além de ter mobilizado outras pessoas para intimidar a família da jovem.
Apesar da prisão preventiva, os policiais da Deam de Nova Iguaçu não conseguiram cumprir o mandado de busca e apreensão na casa dele, porque ele indicou um endereço impreciso em uma área dominada por facção criminosa. Os investigadores acreditam que há pelo menos uma segunda vítima e pedem que outras vítimas compareçam à delegacia.