Adolescente que matou a mãe mostra frieza e conta detalhes do plano
Mãe havia registrado ocorrências e feito apelos públicos após dois desaparecimentos da adolescente ao longo de 2025, ambos quando a jovem saiu de casa dizendo que iria para a escola em São Gonçalo

"Ia acontecer de qualquer jeito. Se não tivesse sido agora, seria em outro momento”. Essa foi uma das falas da adolescente de 14 anos, que matou a própria mãe a paulada, em São Gonçalo. Sem demonstrar nenhum arrependimento, a menina acrescentou que a mãe morreria “nem que eu tivesse que passar uma faca no pescoço”. Apesar da frieza em falar da mãe, a adolescente alegou que estava com saudade do namorado, o homem de 41 anos, que também foi preso pelo crime contra Rosa Maria da Silva, de 53 anos.
A adolescente narrou com detalhes como a mãe foi morta. Em depoimento, a menina assumiu que o crime foi planejado e que a mãe estava acordada no momento do ataque. Rosa Maria recebeu golpes de madeira até a morte, foi concretada num tonel e jogada dentro de um poço, no quintal da casa do namorado da filha, Marcelo Pacheco Coelho de Souza.
Ainda conforme a adolescente, Rosa não aceitava a relação da filha com Marcelo, deixando claro que ele não era boa companhia para a garota. Ignorando os alertas da mãe, a menina passou a fugir de casa e Rosa iniciou uma série de buscas pela menina.
Rosa fez diversos contatos com a equipe de OSG. Em todos os desaparecimentos da menina ela pedia ajuda e, em seguida, agradecia quando a localizava. Somente este ano, Rosa fez dois registros de ocorrência na delegacia e chegou a fazer apelos públicos em busca de informações sobre o paradeiro da filha.
O primeiro desaparecimento ocorreu no final de maio de 2025. Na época, Rosa Maria relatou que a filha saiu de casa, no bairro Sacramento, por volta das 7h30, dizendo que iria para a Escola Estadual no bairro Santa Isabel, onde cursava o 9º ano do Ensino Fundamental. No entanto, a direção da unidade informou que a adolescente não chegou a comparecer às aulas.
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Desesperada, a mãe procurou a polícia e passou a buscar ajuda para localizar a filha, que ficou cerca de um mês sem dar notícias. Rosa percorreu ruas do município com cartazes que exibiam a foto da menina, pedindo ajuda a moradores e comerciantes da região.

À época, a família suspeitava que a adolescente estivesse sendo aliciada por um adulto, devido à pouca idade e à falta de recursos financeiros para se manter sozinha. O pai da jovem, que mora em São Paulo, também participou das buscas.
Após cerca de um mês desaparecida, a menina retornou para casa. Segundo relato feito à mãe, ela teria sido acolhida por uma mulher não identificada e trabalhado como vendedora de roupas durante o período em que esteve fora.
Pouco tempo depois, quando a rotina familiar parecia ter sido retomada, a adolescente desapareceu novamente. O segundo sumiço aconteceu no fim de junho, no dia 30, mais uma vez quando ela saiu de casa dizendo que iria para a escola. Desde então, não manteve contato com familiares ou amigos, e o celular permaneceu desligado.
Em entrevistas concedidas durante as buscas, Rosa Maria demonstrava preocupação constante com a segurança da filha e reforçava o medo de que ela estivesse sob influência de terceiros. “Ela é menor, tem 14 anos. Não trabalha, não tem dinheiro para se manter. A gente sempre fica com medo de que alguém esteja por trás disso”, disse na ocasião.
Agora, após a confirmação da morte de Rosa Maria e a apreensão da adolescente, os registros anteriores de desaparecimento passaram a integrar as investigações, que buscam esclarecer a dinâmica do crime e o histórico familiar. O caso segue sob apuração da Polícia Civil, e a menor permanece à disposição da Justiça.