Família de mototaxista preso sem evidências em São Gonçalo pede justiça
Segundo relatos, jovem foi confundido com suspeito mascarado de assalto em supermercado
A família de um mototaxista preso desde outubro do ano passado afirma que o rapaz está preso injustamente. O jovem Victor Ryan Galvosa da Conceição Terra, de 20 anos, foi preso em Marambaia, São Gonçalo, dias após um assalto ocorrido em um supermercado em Vista Alegre. Segundo a família, porém, apenas uma foto de rede social teria sido usada como base para alegar que o jovem, que tem álibi, era um dos suspeitos encapuzados envolvidos no crime.
Victor está preso há quase seis meses e ainda não conheceu o filho, de 2 meses. De acordo com a família, ele foi alvo de um mandado de prisão mesmo sem haver evidências que o associassem ao crime, ocorrido no dia 7 de setembro em um supermercado da rede Costazul. Apesar de ter álibi e testemunhas, o jovem sequer participou de uma audiência até agora. Na última, que ocorreu no dia 20 de março no Fórum Regional de Alcântara, Victor não pode ir porque o carro da Seap que o levava quebrou. Não há prazo de uma nova audiência e, enquanto isso, familiares e amigos não sabem o que fazer.
Fala galera! Pra quem não conhece esse da foto é o Victor. O Victor foi preso a 5 meses quando estava trabalhando e em uma abordagem descobriu que tinha um mandado de prisão no seu nome referente a um assalto que aconteceu no mercado Costa Azul aqui em São Gonçalo, e que ele foi+ pic.twitter.com/AL4EPQRHd0
— Caslu (@casluzito) April 10, 2023
De acordo com o relato da família, policiais militares estiveram no ponto onde Victor trabalhava no dia 14 de outubro, alguns dias antes de ele ser preso. Na ocasião, verificaram os documentos dos profissionais que estavam de serviço ali e confirmaram que nenhum deles se encontrava em situação irregular. No dia 19 de outubro, os agentes retornaram ao local e fizeram o mesmo procedimento novamente. Dessa vez, havia um mandado de prisão contra ele.
O mototaxista foi até a 74ª DP (Alcântara) sem resistência. "Ele disse para os amigos: 'Eu vou porque sei que não fiz nada'", contra Lorrane Vitória, de 19 anos, companheira do jovem. No dia do assalto, conforme relata a família, ele estava em casa com Lorrane. "No mesmo dia do assalto, o Victor estava em casa, cuidando da esposa dele, que estava grávida. Ele só saiu a noite para ir na casa da avó bem rápido, só para buscar um bolo e levar para a esposa", afirma a mãe do rapaz, Mariana Galvosa, de 37 anos.
Lá, ele acabou preso e está, desde então, em uma unidade do sistema prisional em Bangu, na Zona Oeste da capital. A base para o mandado seria o depoimento de um segurança do supermercado, que disse ter reconhecido Victor por uma foto de Facebook. O problema é que, de acordo com as vítimas do assalto, todas as 20 pessoas que participaram do crime estavam mascaradas na ocasião. "Eu fui no Costazul e falei com a gerência. Eles me confirmaram que não tinha como ver ninguém, todos mascarados", explica Mariana.
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Depois da prisão, inclusive, a versão da testemunha mudou, segundo a família. "Na primeira pauta que li, ele dizia que reconheceu por foto de Facebook. Na segunda, ele disse que conseguiu ver os olhos. Depois, ele teria dito que levantou um pouco a máscara", conta Mariana. Ela explica que dois pedidos de habeas corpus foram rejeitados. A audiência que escutaria Victor acabou contando apenas com depoimentos de testemunhas, já que o veículo da Seap não pode levar ele e outros réus ao Fórum, no Colubandê.
A situação para a família é de desespero, conforme contam. "A gente já não sabe mais o que fazer. Ele está preso esse tempo todo como inocente. Ele não pôde conhecer o filho dele até hoje", desabafa a companheira do jovem. "A Lorrane ficou entre a vida e a morte, teve a saúde debilitada, teve que fazer um parto de emergência e ele não pôde estar lá. Eu fui lá na visita e ele falou para mim: 'Mãe, me tira daqui, eu não fiz nada'. Eu estou com o coração na mão, sem saber o que fazer", complementa Mariana.
Procurado, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro disse que "depois da audiência do dia 20, houve a apresentação de algumas petições pelas partes, e os autos foram encaminhados para a juíza Juliana Bessa". Ainda não há uma nova audiência marcada.