Polícia prende um dos suspeitos de executar ex-policial em maio, no Cafubá
O primeiro suspeito foi preso em junho. Crime foi cometido na frente do filho da vítima

Foi preso na manhã desta quinta-feira (7) um dos homens responsáveis por executar o advogado e ex-policial civil Carlos Daniel Dias André, de 40 anos, no dia 31 de maio deste ano no Cafubá, na Região Oceânica de Niterói. Isaquiel Geovanio Fraga é apontado como o autor dos disparos que tiraram a vida do advogado em plena luz do dia na frente de seu filho.
No dia 22 de junho, a polícia já havia prendido o co-autor dos disparos, identificado como Rodrigo Coutinho Palome. Após ser preso, Rodrigo informou aos policiais que um comparsa chamado Thiago foi quem pilotou a motocicleta na hora do assassinato e também atirou contra o advogado. Após investigações, a polícia concluiu que Rodrigo estava mentindo para proteger a identidade de Isaquiel.
Foi expedido um mandado de prisão contra Isaquiel e buscas pelo seu paradeiro foram iniciadas pelos investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG). Segundo a polícia, Isaquiel se escondeu em diferentes cidades do estado, como Bracuri, Rio de Janeiro, Paquetá, Paraty e Barra Mansa, no interior do Estado. Com ele foi encontrado um simulacro de arma de fogo.
Ainda de acordo com a polícia, Isaquiel já havia respondido pelo crime de homicídio. Ele cumpriu a pena na mesma prisão que o comparsa Rodrigo.
Isaquiel foi preso e levado para a DHNSG e será encaminhado para audiência de custódia, onde ficará à disposição da Justiça.
A polícia continuará as investigações para apurar se o crime teve algum mandante e identificá-los.
Relembrando
O advogado e ex-policial civil Carlos Daniel Dias André foi executado a tiros na manhã de 31 de março, no Cafubá, na Região Oceânica de Niterói.
O advogado estava em uma Hilux prata quando foi interceptado por uma motocicleta com dois ocupantes, que efetuaram vários disparos. Tentando fugir dos atiradores, Carlos Daniel acelerou o veículo e chegou a colidir com outro carro e depois em um semáforo. O filho da vítima, que também estava no carro, não sofreu ferimentos.
Carlos Daniel ingressou na carreira policial em 2001, após deixar de lado o sonho de ser advogado e o escritório de advocacia onde trabalhava para se tornar inspetor da Polícia Civil.
Na polícia, Carlos Daniel se especializou em escutas telefônicas e conseguiu informações importantes que ajudaram a prender criminosos como Patrick do Vidigal e Nem, da Rocinha. Ele também participou da ação que terminou com a morte de Pedro Dom, que era considerado um dos ladrões de residências mais perigosos do Rio.
Leia mais: Ex-policial civil assassinado atuava como advogado
'Marcado para morrer': execução de advogado em Niterói foi crime planejado
Envolvimento com criminosos
Apesar da carreira de sucesso como policial e as homenagens que recebeu, Carlos Daniel, de acordo com a polícia, começou a atuar com criminosos em 2009, participando da abertura de um paintball com Alexandre Leopoldino Pereira da Silva, o Perninha, preso em 2005 por tráfico de drogas. Ele também teria ajudado Anderson Rosa Mendonça, conhecido como Coelho, chefe do tráfico no morro de São Carlos, e Sandro Luiz de Paula Amorim, conhecido como “Peixe” da Rocinha, a fugirem das comunidades, quando o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) começou a ser implementado nas comunidades.
Carlos Daniel acabou sendo preso em 2012 pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo, favorecimento pessoal e tráfico de drogas, o que resultou na sua expulsão da Polícia Civil.
Após ser expulso da polícia, ele voltou a atuar como advogado. Ele chegou a atuar na defesa de Daniel Aleixo Guimarães, acusado de ser um dos cúmplices do assassinato de Wesley Pessano, que teria sido ordenado por Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins".