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"Continuo indignada, pois ele está preso sem provas", diz irmã de jovem preso por um crime que alega não ter cometido

Jovem está preso desde 01 de setembro de 2020

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 08 de julho de 2021 - 17:31
O jovem tem 22 anos
O jovem tem 22 anos -

Jefferson Ribeiro Conceição Ângelo, de 22 anos, continua preso por um crime que sua família afirma que ele não cometeu. O entregador de quentinhas foi detido no dia 01 de setembro do ano passado, acusado de três roubos à mão armada, em Niterói. Hoje, apenas uma destas acusações contra ele perdura. Mesmo assim, a família do jovem vive um pesadelo e se vê desemparada ao perceber que cada vez as audiências para analisar o caso de Jefferson são remarcadas. Foi o que ocorreu na audiência do dia 1 de julho que, por causa do não comparecimento das vítimas que acusam Jefferson, teve que ser remarcada para o próximo dia 30 de setembro.

"As vítimas precisam comparecer para ver o meu irmão e verificar se ele é ou não o culpado pelo crime. No dia que eles prestaram a queixa do crime, que ocorreu em janeiro de 2020, eles falaram que reconheceram o meu irmão por foto. Em 2017, ele foi preso por roubo, que ele cometeu, então, a polícia tinha a foto dele no sistema, mas as vítimas não comparecem à audiência para reconhecê-lo pessoalmente. No entanto, isso não ocorreu desde o dia em que meu irmão foi preso. Elas não aparecem. A polícia tentou, então, imagens de segurança do local, mas também não conseguiram. No último dia 01 de julho, esperamos as vítimas no tribunal até sermos avisadas que elas não estariam ali. Remarcaram, então, a audiência para setembro e esperamos que lá elas apareçam, mesmo que virtualmente, para poder depor e ver o meu irmão, reconhecê-lo pessoalmente. Ele não cometeu o crime e elas podem dizer isso o vendo", disse a cozinheira Adriner Ribeiro do Nascimento, de 29 anos, irmã do acusado. 

Além disso, Adriner alega mais um erro judicial na última audiência do caso no dia 01 de julho. "No relato após a audiência do início deste mês, no acesso ao processo online, esta descrito que meu irmão foi preso no dia 16 de outubro, mas isso está errado! Ele foi preso no dia 01 de setembro do ano passado, ou seja, mais um erro deles! Eles também não levaram meu irmão para a audiência do dia 01 deste mês e lá alegaram que também teriam que remarcar o processo por ele estar ausente. Mas como ele está ausente se meu irmão está em posse deles? Meu irmão está preso na Cadeia Pública João Carlos da Silva desde o ano passado, sobre o comando deles, como eles alegam que ele faltou a audiência se não o levaram?", indagou ela.

Na entrevista anterior sobre o caso para o OSG, Adriner contou que os gastos para ver seu irmão eram altos para sua família, moradora de Niterói. "A gente sabe como o sistema é difícil e pra gente como família é muito difícil. É difícil para trabalharmos hoje, pois eu ou minha mãe temos que ir visitá-lo e ele está na Cadeia Pública, em Japeri, que é longe de onde moramos, no Cavalão, em Niterói. Temos que acordar às 3h da manhã para irmos lá, levar comida pra ele e poder mantê-lo por pelo menos 15 dias lá dentro. Essa semana, por exemplo, eu não fui lá, pois era ir e gastar R$ 80 de passagem ou comprar a comida para ajudá-lo lá dentro. Além disso, ele está com o psicológico muito abalado, é muito difícil. Eu acredito que foi sim racismo, ele é mais um rapaz negro acusado injustamente. É injusto com a nossa família!", relatou ela na ocasião.

Adriner agora aguarda que sua família tenhas respostas na Justiça na próxima audiência no dia 30 de setembro. "Eu continuo indignada, pois a partir do momento que você não tem prova, você não pode manter ninguém preso esse tempo todo. O advogado do meu irmão vai entrar com um pedido de habeas corpus, alegando que não há provas para deixar o cliente dele preso. E realmente não tem nada que prove que meu irmão é o culpado do crime, nem as vítimas estão aparecendo para verificar o caso", disse ela. 

Sobre a situação, o OSG procurou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que informou que: "Como demonstra a decisão do dia 1 de julho, a informação sobre a prisão é do Ministério Público.

Pelo Ministério Público foi dito que "Considerando que a prisão do réu data de 16 de outubro de 2020 e que desde então o feito vem tido regular andamento, sendo que algum atraso se deve ao fato de que a vítima reside fora da comarca, opina o Ministério Público contrariamente ao pedido de relaxamento de prisão. Insiste na oitiva das vítimas nos termos da promoção de fls. 304 requerendo seja juntado aos autos comprovantes de que as vítimas receberam a intimação para audiência virtual por e-mail.

Há também no processo um pedido negado de revogação de prisão", disse o órgão. 

O OSG, então, procurou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que, em nota, disse que "a Promotoria de Justiça junto à 2ª Vara Criminal de Niterói informa que a audiência realmente foi redesignada, porque o réu (preso) não foi apresentado em juízo pela SEAP, bem como porque as vítimas não acessaram o link para participar do ato remotamente. Em relação à pauta do juízo, favor consultar o Tribunal".

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