Família de jovem negro de Niterói preso em 2020 segue na luta para provar sua inocência
Familiares buscam os registros de câmeras de segurança do suposto local do crime

A família do entregador de quentinhas Jefferson Ribeiro Conceição Ângelo, de 22 anos, continua sofrendo com o que eles acreditam ser uma injustiça do sistema judiciário atual. No dia 01 de setembro de 2020, Jefferson foi preso em Charitas, acusado de três roubos à mão armada, no mesmo momento em que estaria trabalhando, segundo os familiares. Desde então, ele continua preso e o pesadelo se estende há quase um ano para o jovem e sua família, que acredita em racismo nesse caso. Dos três crimes dos quais foi acusado, um, ele conseguiu ser absolvido, já que a vítima confirmou que não era ele; o segundo, desapareceu do sistema e hoje ele continua detido por conta da terceira acusação. No entanto, o grande problema é que a Justiça ainda não conseguiu as imagens de câmeras de segurança da Rua Joaquim Távora, em Icaraí, onde o crime teria ocorrido, e as vítimas não comparecem à audiência.
"O crime teria acontecido no dia 21 de janeiro de 2020, por volta de meia-noite. Na primeira audiência do caso, no dia 09 de março, chegamos duas horas antes e descobrimos que as vítimas não iriam comparecer e isso dificulta o caso do meu irmão. No dia que eles prestaram a queixa do crime, eles falaram que reconheceram o meu irmão por foto. Em 2017, ele foi preso por roubo, que ele cometeu, então, a polícia tinha a foto dele no sistema, mas as vítimas não comparecem à audiência para reconhecê-lo pessoalmente. A partir daí, a juíza do caso pediu as câmeras de segurança do local do crime, no entanto, a pessoa responsável por ir lá e conseguir esses registros audiovisuais não conseguiu falar com quem guarda essas imagens e, até hoje, não temos as gravações. Isso já fez mais três meses. Meu irmão está preso há 9 meses, sendo que três destes ele já podia estar solto se tivéssemos as imagens das câmeras de segurança", conta Adriner Ribeiro do Nascimento, de 29 anos, irmã do acusado.
Adriner acredita na inocência do irmão. Em uma reportagem anterior para O SÃO GONÇALO, Adriner contou sobre como os policiais abordaram Jefferson no dia em que ele foi preso, em setembro do ano passado. Ele foi abordado pelos agentes após levar um cliente no mototáxi. "Os agentes da Niterói Presente disseram que tinha um erro e que ele precisava ir até a delegacia. Lembrando que ele precisa assinar um documento de 3 em 3 meses, pois ele está em prisão domiciliar. Ao assinar esse documento, ele prova que está seguindo a lei e está tudo certo. Quando ele assinou esse documento em julho, ninguém falou que havia nada contra ele, porém o prenderam por um mandado que foi expedido em junho. Quando ele assinou o documento, se tivessem algo contra ele, apareceria. Como agora tem até mesmo de datas anteriores a julho? Além disso, ele foi preso no dia 01, mas havia outro mandado de prisão contra ele sobre um crime que foi cometido neste mês, mas esse ele foi absolvido, pois já estava preso quando o crime ocorreu. Como há um mandado de prisão contra ele se ele já estava preso quando aconteceu o crime que ele foi acusado? Acredito sim que foi racismo. Nem todo negro é igual. Quem erra não precisa permanecer no erro", contou a irmã do jovem detido.
Hoje, Adriner não consegue ficar de mãos atadas, sem conseguir provar a inocência do irmão por falta das câmeras de segurança da rua em que o crime teria ocorrido. "A gente sabe como o sistema é difícil e pra gente como família é muito difícil. É difícil para trabalharmos hoje, pois eu ou minha mãe temos que ir visitá-lo e ele está na Cadeia Pública João Carlos da Silva, em Japeri, que é longe de onde moramos, no Cavalão, em Niterói. Temos que acordar às 3h da manhã para irmos lá, levar comida pra ele e poder mantê-lo por pelo menos 15 dias lá dentro. Essa semana, por exemplo, eu não fui lá, pois era ir e gastar R$ 80 de passagem ou comprar a comida para ajudá-lo lá dentro. Além disso, ele está com o psicológico muito abalado, é muito difícil. Eu acredito que foi sim racismo, ele é mais um rapaz negro acusado injustamente. É injusto com a nossa família!", contou ela.
A próxima audiência do caso é no próximo dia 01 de julho e a família segue na esperança de conseguir as imagens das câmeras do local do crime. "Eu estou tendo reuniões com agentes da Prefeitura para tentar conseguir. Só queremos isso, nas imagens vamos provar a inocência do meu irmão e tudo será acertado", acrescentou ela.
Por meio da assessoria de imprensa, o Tribunal de Justiça respondeu que "uma audiência de instrução e julgamento sobre o caso foi marcada para o dia 01/07" e informou o número do processo para ser acompanhado pelo site do TJRJ.
Questionada sobre as imagens das câmeras de segurança, a Prefeitura de Niterói não encaminhou resposta até o momento.