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Mais um caso: família acusa polícia de prender jovem negro injustamente em Niterói

"Nem todo negro é igual", afirma a irmã do jovem detido

relogio min de leitura | Redação 10 de setembro de 2020 - 09:20
O jovem tem 22 anos e atua como entregador em Niterói
O jovem tem 22 anos e atua como entregador em Niterói -

Por Ana Carolina Moraes*

"Desde o dia 01 de setembro que eu não vejo meu irmão, não sei como ele está". Essa é a angústia vivida por Adriner Ribeiro do Nascimento, de 29 anos, que atualmente é cozinheira em uma empresa de quentinhas que tem com sua família e irmã mais velha de Jefferson Ribeiro Conceição Ângelo, 22 anos, entregador da mesma empresa. Jefferson saiu para trabalhar em mais um dia comum no dia 01 de setembro e não retornou para casa, isso porque foi abordado por agentes da Niterói Presente por volta das 18h, em Charitas, que disseram que havia três mandados de prisão por roubo a mão armada abertos contra ele. Essa história parece antiga, isso porque o caso se assemelha ao de Luiz Carlos e ao Danillo Felix, todos contados em matérias do OSG. Esse é mais um caso no qual a família acusa a Justiça de racismo, já que não existem provas de que Jefferson cometeu esse crimes, segundo a irmã do mesmo.

Adriner conta que Jefferson já foi preso em 2017, também pelo crime de roubo e que, na época, ele realmente cometeu o delito. "Em 2017 ele foi preso, infelizmente, por algo que ele procurou, mas, desde que ele saiu da prisão, em junho de 2019, ele estava levando uma vida honesta e trabalhava como entregador na nossa empresa. Somos três irmãos e abrimos uma microempresa de entrega de quentinhas juntos. Ele era o nosso entregador e fazia corridas de mototáxi para ajudar nas despesas", contou a irmã de Jefferson. Os dois são moradores do Cavalão, comunidade de Niterói.

Quando Jefferson foi preso, ele estava indo para a casa de sua namorada, que mora próxima a ele. Isso ocorreu logo após ele deixar um dos clientes do mototáxi em seu destino.

Adriner considera a prisão de seu irmão muito estranha e acredita sim em racismo. Ela também afirma que a polícia culpou ele pelos crimes nos mandados de prisão expedidos, mesmo sem provas, por ele já ter sido preso anteriormente. 

"Ele foi abordado pelos agentes após levar um cliente no mototáxi. Os agentes da Niterói Presente disseram que tinha um erro e que ele precisava ir até a delegacia. Lembrando que ele tem que assinar um documento de 3 em 3 meses, pois ele está em prisão domiciliar. Ao assinar esse documento, ele prova que está seguindo a lei e está tudo certo. Quando ele assinou esse documento em julho, ninguém falou que havia nada contra ele, porém o prenderam por um mandado que foi expedido em junho. Quando ele assinou o documento, se tivessem algo contra ele, apareceria. Como agora tem até mesmo de datas anteriores a julho? Além disso, ele foi preso no dia 01, mas havia outro mandado de prisão contra ele sobre um crime que foi cometido neste mês, mas esse ele foi absolvido, pois já estava preso quando o crime ocorreu. Como há um mandado de prisão contra ele se ele já estava preso quando aconteceu o crime que ele foi acusado? Acredito sim que foi racismo. Nem todo negro é igual. Quem erra não precisa permanecer no erro", contou a irmã do jovem detido.

Para a família, a situação tem causado pesadelos e muita dor de cabeça. "Não me deixam ver meu irmão, não me deixaram nem alimentá-lo. É um descaso. Foi muito mais duro do que da primeira vez, pois sabemos que agora ele não cometeu crime algum e foi preso injustamente. Por ele já ter passado pelo sistema prisional, ele não está nem tendo uma segunda chance. Minha mãe está sem estrutura, estamos nos mantendo fortes por ela. Sigo me desempenhando e buscando ajuda. Sem ele, também não conseguimos abrir a empresa familiar que temos, o que dificulta a situação", afirmou Adriner.

Em nota, o Tribunal Justiça do Rio de Janeiro informou que há dois processos no nome de Jefferson, sendo um de 2017, no qual ele foi sentenciado por roubo majorado. Este já está em fase de arquivamento. E o segundo e atual caso de Jefferson é o que ele foi acusado também de roubo majorado, em junho deste ano. A prisão preventiva deste foi expedida em julho. Este último caso contra o jovem está em fase de conclusão ao juiz desde o dia 09 de setembro.

*Estagiária sob supervisão de Marcela Freitas 

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