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Cantor gonçalense Marco Baptista fala sobre álbum indicado ao Grammy Latino

Em entrevista ao jornal, artista revisita a trajetória do disco MARCO e fala sobre os próximos passos da carreira

relogio min de leitura | Yuri Messias. com edição de Sérgio Soares
Cantor gonçalense Marco Baptista fala sobre álbum indicado ao Grammy Latino
Cantor gonçalense Marco Baptista fala sobre álbum indicado ao Grammy Latino -

O cantor e compositor gonçalense Marco Baptista vive uma nova etapa da carreira com a repercussão do seu álbum MARCO, indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Engenharia de Gravação. Em entrevista ao jornal O SÃO GONÇALO, o artista falou sobre a construção do disco, a recepção do público e a importância de levar suas músicas a novos ouvintes.

A conversa dá continuidade ao encontro do artista com o jornal pelo quadro OSG Encontros, realizado em novembro do ano passado. Marco havia acabado de lançar o álbum. Agora, com o projeto chegando a novos ouvintes e recebendo o reconhecimento da principal premiação da indústria musical, ele compartilha o que mudou desde então.


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Ao recordar a primeira conversa com o OSG, Marco falou sobre a relação com a cidade onde cresceu e sobre o que mudou em sua trajetória desde o lançamento do álbum.

“Eu lembro como se fosse ontem dessa entrevista. Eu fiquei muito feliz de poder falar com o jornal da minha cidade, porque eu acho que tem muito de São Gonçalo em mim, na minha música. Eu acho que mudou muita coisa e, ao mesmo tempo também, não mudou. Esse disco já veio muito dessa vontade minha de me entender artista, de ocupar esse lugar, de aceitar isso, de parar de desacreditar de mim mesmo. Esse álbum trouxe algumas afirmações para mim, e essa indicação é uma afirmação muito grande de que a gente está no caminho certo, de que a música que eu faço tem o seu valor”, declarou.

Com o álbum prestes a completar um ano, o cantor também falou sobre a fase atual do projeto e a experiência de apresentar as músicas ao vivo.

“Tem um ano que ele saiu, mas eu ainda acho que ele tem muitas pessoas para encontrar, muita gente para descobrir. Junto dele vem toda a minha carreira, é uma soma de tudo que eu fiz até hoje. Comecei a tocar o disco agora, nas ruas mesmo. Estou em turnê, acabei de fazer um show em São Paulo e vou fazer um show no Rio em novembro. Agora estou vendo se as pessoas sabem cantar as músicas, se o pessoal curtiu, e a resposta está sendo muito legal.”

Com mais tempo para acompanhar a repercussão do disco, Marco avaliou se a resposta do público correspondeu às suas expectativas.
Com mais tempo para acompanhar a repercussão do disco, Marco avaliou se a resposta do público correspondeu às suas expectativas. |  Foto: Divulgação/Marco Baptista

A resposta do público

Com mais tempo para acompanhar a repercussão do disco, Marco avaliou se a resposta do público correspondeu às suas expectativas.

“Quando estou escrevendo o álbum, imagino que tal música vai ressoar mais nas pessoas, mas é sempre uma surpresa. Eu tive uma grata surpresa com músicas como Deixa Eu Fingir, que é a última do álbum. A gente se pergunta se a pessoa vai chegar até a última música, mas foi uma das que o pessoal mais cantou no show que fiz em São Paulo. Também senti uma antecipação por Foi Amor, que eu já tocava até em shows do Perdurar porque gosto muito dela. Ver essa música finalmente encontrando as pessoas, o pessoal cantando e divulgando, é muito legal.”

Marco também comentou como as músicas têm chegado a novos ouvintes por meio de amigos e conhecidos. “Esse álbum tem muito o boca a boca. Quando vou fazer um show, a pessoa não vai sozinha, leva alguém que nunca me escutou, que chega de ouvido fresco. Pode gostar ou não, mas até agora, a resposta foi positiva. Fiquei muito surpreso de ver essa divulgação orgânica, essa relação muito natural das pessoas com as músicas, porque a gente não consegue prever como elas vão chegar”, disse.

A reação durante a apresentação em São Paulo chamou a atenção do cantor especialmente por envolver a última faixa do álbum, que nem sempre chega a ser ouvida por quem escuta um disco. “Eu tenho o costume de ouvir álbuns até o final, gosto muito. Mas a gente sabe que tem gente que não ouve, tudo bem. Quando ouvi todo mundo cantando, pensei que o pessoal tinha ouvido até o final. Então vamos lá, vamos cantar, vamos sentir.”

Marco explicou como as canções se encaixam na sonoridade que buscou para o projeto e a diferença em relação ao trabalho anterior.
Marco explicou como as canções se encaixam na sonoridade que buscou para o projeto e a diferença em relação ao trabalho anterior. |  Foto: Divulgação/Marco Baptista

A construção de MARCO

A entrevista avançou para as faixas que compõem o disco, começando pelas as duas primeiras faixas, Não Ligo e Do Nada, esta com a participação do rapper Fábio Brazza. Marco explicou como as canções se encaixam na sonoridade que buscou para o projeto e a diferença em relação ao trabalho anterior.

“Curiosamente, essas duas músicas, eu escrevi com a Ana Gabriela, que é uma artista incrível e uma amiga super parceira. Acho que são as únicas do disco que não escrevi sozinho. Quando escrevi, elas já estavam em um lugar diferente do que o Perdurar estava. São músicas mais tranquilas, mais fáceis comercialmente, e demonstram uma leve mudança de vibe em relação ao meu antigo álbum, porque não têm violão, são um pouco mais para frente.”

A participação de Fábio Brazza surgiu durante a produção de Do Nada. Marco contou que já admirava o rapper antes de conhecê-lo e que decidiu convidá-lo quando percebeu que a faixa poderia ganhar com um verso do artista.

“A colaboração com o Fábio é uma coisa completamente nova, um feat que ninguém estava esperando. O feat com o Bryan Behr era muito mais óbvio de acontecer. O Fábio é um cara que eu admiro muito, já admirava antes de conhecê-lo. Nos conhecemos em Florianópolis, em um evento em que eu tocava e ele tocava depois. Eu já tinha escrito a música, mas, quando estava produzindo, senti que estava faltando um verso dele. Mandei na maior cara de pau, achando que ele não ia aceitar, e ele não só aceitou como já me mandou os versos, muito rápido, porque ele é genial.”

Além das participações, o processo de composição também diferenciou MARCO de Perdurar, o primeiro álbum do cantor, lançado em 2024. Marco explicou como as músicas foram pensadas para formar um trabalho com identidade própria.

“Não Ligo é a primeira música que eu e a Ana Gabriela escrevemos na vida, e representa muito a nossa amizade. Diferente do Perdurar, que foi uma coleção de composições que fiz ao longo da minha vida, o MARCO reúne músicas muito mais pensadas para o projeto, para ter a sua história, a sua sonoridade, a sua cara. Essas músicas foram um pontapé para o projeto todo.”

Na sequência do disco, a terceira faixa, Nunca Vou Me Acostumar, marca uma mudança de atmosfera. Ao comentar a posição da faixa na ordem do álbum, Marco falou sobre a relação pessoal com a composição e a importância dela para seu desenvolvimento como artista.

“Eu gostaria de dizer que foi proposital. Essa música representa muito para mim como artista, é uma composição de que me orgulho. Muitas vezes, quando escrevo, não fico 100% satisfeito, parece que a música nunca está completa. Mas essa eu senti que estava completa quando cheguei nela. Ela nasceu assim, já pronta, e tem um balanço diferente, um groove. É a minha música favorita de tocar ao vivo desse álbum, já tocava no meu quarto. Sinto que é uma evolução do que eu consigo fazer como artista em relação ao que eu fazia antes.”

A conversa sobre a sequência das músicas chegou à oitava faixa, Deixa Eu Fingir. Marco explicou por que escolheu a canção para encerrar o disco e qual ambientação pretendia criar no fim da escuta.

“Deixa Eu Fingir sempre foi o fechamento do álbum, porque tem um peso diferente das outras. É uma música melancólica, mas tem uma calmaria, e mesmo quando cresce ela continua contida naquele universo. Você consegue fechar o olho e viajar. Então foi proposital ela estar onde está.”

O cantor também falou sobre como a experiência de compor para MARCO ampliou suas possibilidades em relação ao primeiro álbum, especialmente na maneira de transformar vivências e sentimentos em música.

“Minhas músicas são totalmente autorais, no sentido de que eu vivi aquelas coisas ou vivenciei de algum jeito. No Perdurar eu só sabia escrever no momento em que estava vivendo, muito triste ou muito feliz. Nesse álbum consegui resgatar os sentimentos e entender qual era a melhor forma de a música ser esse canal. Isso me deu mais pluralidade de referências e a possibilidade de explorar mais, sem ficar só no voz e violão, que é uma coisa muito confortável para mim."

Ao falar sobre a experiência de ouvir o álbum do início ao fim, Marco comentou o que espera que as pessoas encontrem nas canções e como a música pode ajudar a lidar com diferentes sentimentos.

“Eu quero que a pessoa se identifique, que traga um pouco daquilo para a vida dela e que, ao chegar no final, queira ouvir de novo. Eu sempre gostei de ouvir música triste, e isso não me deixava mais triste, me fazia sentir mais feliz, porque parecia que alguém já tinha vivido aquilo também. Quando estou feliz, quero ouvir música feliz. Esse álbum tem um pouquinho de tudo, um pouco para todo mundo.”

A definição do número de faixas também fez parte do processo de construção do projeto. Marco contou como percebeu que o disco havia chegado ao formato que procurava.

“Quando a gente foi fazer esse projeto, ninguém tinha estipulado quantas músicas precisava ter, se eram sete, oito, dez, doze. Quando chegamos nesse número, senti que era aquilo, que estava pronto. Um ano atrás eu estava com medo de como ia ser recebido, ansioso, e agora acho que foi do jeito certo.”

Como artista independente, ele explicou que prefere preparar cada apresentação com cuidado.
Como artista independente, ele explicou que prefere preparar cada apresentação com cuidado. |  Foto: Divulgação/Marco Baptista

Novos shows e planos para a carreira

Com o álbum lançado e as primeiras apresentações acontecendo, Marco falou sobre a organização da agenda e os planos para levar o repertório a outras cidades. Como artista independente, ele explicou que prefere preparar cada apresentação com cuidado.

“A gente está planejando mais shows, com certeza. Eu já queria ter feito antes, mas, como artista independente, a gente precisa de muitas coisas se alinhando. Prefiro organizar tudo e entregar um show em que as pessoas saiam felizes do que só correr com isso. Eu foquei no Rio e em São Paulo, lugares que eu amo tocar e que me abraçam muito. Tem gente que pede para eu ir, então quero encontrar essas pessoas.”

Entre os planos para o próximo ano, está a possibilidade de se apresentar no Nordeste. O cantor disse que pretende viabilizar a viagem mesmo que precise fazer uma apresentação em formato mais simples.

“Eu queria muito ir para o Nordeste. É difícil porque é longe, mas eu vou, nem que seja só eu e meu violão. Para o ano que vem, a gente tem essa pretensão, talvez no primeiro semestre.”

Ao falar sobre a escolha das canções para as apresentações, Marco comentou como o crescimento do catálogo tornou a montagem da setlist mais difícil
Ao falar sobre a escolha das canções para as apresentações, Marco comentou como o crescimento do catálogo tornou a montagem da setlist mais difícil |  Foto: Divulgação/Marco Baptista

Canções antigas seguem presentes

Além das faixas de MARCO, o repertório dos shows também inclui músicas de fases anteriores da carreira. Ao falar sobre a escolha das canções para as apresentações, Marco comentou como o crescimento do catálogo tornou a montagem da setlist mais difícil e relembrou uma situação que viveu recentemente em São Paulo.

“Hoje, com um catálogo maior, fica difícil montar uma setlist, mas algumas músicas já têm cinco, seis anos e eu não consigo não tocar, como a Chega a Doer, que é a primeira que lancei, e a Menos, que ao vivo é outra coisa. Mais recentemente, a Eu Mudo. Nesse show em São Paulo, houve um pedido de casamento durante essa música. Isso nunca tinha acontecido em show meu, em música nenhuma. Eles escolheram essa porque tem um significado para eles. Isso me abriu muitos olhos, porque essas músicas realmente têm histórias com as pessoas. Ela já tem cinco anos e mesmo assim ainda é muito atual. Foi uma surpresa enorme.”

O cantor e compositor gonçalense Marco Baptista vive uma nova etapa da carreira com a repercussão do seu álbum MARCO, indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Engenharia de Gravação
O cantor e compositor gonçalense Marco Baptista vive uma nova etapa da carreira com a repercussão do seu álbum MARCO, indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Engenharia de Gravação |  Foto: Divulgação/@marcobaptista_/Instagram

Indicação ao Grammy Latino

A indicação ao Grammy Latino também colocou em evidência o trabalho dos profissionais que participaram da produção de MARCO. Para além das músicas e das participações, o reconhecimento envolve etapas técnicas que constroem a sonoridade de um álbum. Túlio Airold e Victor Amaral trabalharam na produção e na gravação; Pedro Peixoto ficou responsável pela mixagem; e Fili Filizzola realizou a masterização em Los Angeles, nos Estados Unidos. Marco falou sobre a formação da equipe e a relação construída com os profissionais ao longo da carreira.

“Foi uma construção muito bonita, porque fui conhecendo esses profissionais ao longo da minha trajetória e, com o tempo, desenvolvemos uma amizade muito especial. Nossa relação foi amadurecendo naturalmente, junto com o trabalho. Todos foram fundamentais para a realização desse disco, não só os profissionais de áudio citados, mas também quem esteve nos bastidores, como a Mariana Martins, minha produtora, que participou ativamente de todo o processo. Tive a felicidade e o privilégio de trabalhar com a mesma equipe nos meus dois discos, e sinto que isso nos permitiu evoluir juntos, tanto profissionalmente quanto na nossa relação. Acredito que esse carinho também se reflete no resultado do trabalho.”

Ao refletir sobre o caminho percorrido, Marco falou sobre a forma como conduz a carreira hoje.

“Hoje, enxergo minha trajetória com muito mais confiança e, ao mesmo tempo, com menos pressa. Sou muito grato por cada degrau que pude subir ao longo desses anos e sinto que aprendi a valorizar mais os processos, respeitar meu próprio tempo e confiar cada vez mais no meu caminho e na minha arte.”

Próximos passos

Para os próximos meses, o cantor já tem novidades previstas, entre elas uma apresentação no Rio de Janeiro e o lançamento de um EP com novas versões de músicas do álbum. Marco também pretende acompanhar de perto a cerimônia do Grammy Latino, marcada para novembro.

“No dia 14 de novembro, farei um show no Rio de Janeiro para celebrar esse disco. Também em novembro, vou lançar um EP com versões ao vivo de algumas das músicas desse álbum, trazendo novos arranjos e uma roupagem diferente pra elas. Além disso, estou me organizando para viajar para a cerimônia do Latin Grammy e viver de perto esse momento tão especial na minha carreira.”

Serviço

A cerimônia da 27ª edição do Grammy Latino está prevista para 12 de novembro de 2026, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Dois dias depois, Marco continuará sua turnê com um show no Rio de Janeiro.

O álbum MARCO está disponível nas plataformas digitais. Para acompanhar os próximos lançamentos e apresentações, o público pode seguir o cantor no Instagram, pelo perfil @marcobaptista_.

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