O que se sabe sobre o lago em São Gonçalo onde adolescente morreu afogado
Localizado em uma antiga área de extração mineral no Lindo Parque, reservatório não tem barreiras que impeçam a entrada de visitantes

Pouco conhecido por moradores de outras regiões de São Gonçalo, um lago localizado próximo à Rua Maria Quitéria, no bairro Lindo Parque, é frequentado por crianças e adolescentes que vivem nas proximidades. Situado em uma área de pedreira, o reservatório pode ser acessado por um caminho sem barreiras que impeçam a entrada de pessoas.
A facilidade de acesso a um espaço com essas características chama atenção principalmente pela presença de crianças na região. Com poucas opções de lazer no bairro, o lago se tornou uma possibilidade de diversão para os meninos e meninas da comunidade, que encontram no espaço uma oportunidade de brincar e se refrescar. No último domingo (1º), porém, o local foi cenário da morte de um adolescente, identificado como Rodrigo, de 14 anos, que se afogou no reservatório.

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A reportagem do jornal O São Gonçalo esteve na região e constatou as condições de acesso ao lago. Moradores contaram que a circulação pelo caminho é antiga e que a presença de crianças no espaço não começou nos dias que antecederam o acidente.
De acordo com moradores, um grupo de crianças e adolescentes já frequentava o lago havia alguns dias. No domingo (1º), seis jovens teriam ido até o reservatório. A movimentação na região, segundo os relatos, começou ainda pela manhã, por volta das 10h.
Entre os jovens estava o filho de Isabelle Cristina, de 39 anos, que presenciou o momento em que o adolescente começou a se afogar. Ao perceber a situação, o menino tentou ajudar o amigo e conseguiu retirar outras duas crianças que estavam na água. Isabelle contou à reportagem como o filho reagiu diante da situação.
“Ele conseguiu puxar outras duas crianças. [...] Foi onde ele viu que não ia conseguir e voltou”, relatou.
Com a dificuldade de retirar o adolescente da água, os jovens chamaram os moradores da região, que se mobilizaram para tentar resgatá-lo. Marcos André de Sousa Santos, de 55 anos, tio de Rodrigo, foi um dos que participaram das tentativas. Ele ajudou a criar o adolescente desde os seis meses de idade e o considerava como um filho.
Segundo Marcos, familiares e vizinhos também entraram no lago na tentativa de encontrar o menino. O Corpo de Bombeiros foi acionado e enviou equipes de mergulho para realizar as buscas.
De acordo com informações divulgadas pela corporação, o chamado ocorreu por volta das 15h. O corpo foi localizado aproximadamente às 17h, após cerca de duas horas de buscas. Policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) isolaram a área para a realização da perícia. Depois dos procedimentos, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo.
Rodrigo passou cerca de 11 anos vivendo na casa de Marcos, que ajudou a criá-lo desde os primeiros meses de vida. O adolescente se mudou posteriormente para Saquarema, onde passou a morar com o pai, mas voltou a São Gonçalo na quinta-feira (29), para passar o feriado com familiares.
A previsão era que retornasse para Saquarema na segunda-feira (2), já que teria aula no dia seguinte. Ao recordar a convivência com o adolescente, Marcos não escondeu a emoção.
“Ele era um garoto muito querido. Muito, muito. [...] Um garoto muito doce, muito bom”, contou.
A morte do adolescente também reacendeu a preocupação dos moradores com a facilidade de acesso à área. Joyce Conceição de Carvalho, de 33 anos, que vive no bairro desde que nasceu, contou que a circulação de pessoas pelo local acontece há bastante tempo.
“É fácil acesso. É molinho de subir, só subir ali e chegar, acabou, entrou”, relatou um morador durante a conversa.

A comunidade também questiona a falta de vigilância no entorno. Marcos contou que havia até uma equipe de segurança no local. No entanto, ao procurar a administração da pedreira, recebeu a informação de que o serviço não estava mais presente.
Moradores também mencionaram a existência de uma bomba e de uma mangueira no reservatório. No entanto, não há confirmação de que esses equipamentos tenham qualquer relação com o afogamento do menino.
O reservatório está localizado em uma região de extração mineral. Em áreas de mineração a céu aberto, a retirada de rochas e outros materiais pode deixar grandes escavações no terreno. Quando essas cavas atingem o lençol freático ou acumulam água da chuva e do escoamento superficial, podem dar origem a lagos.

Estudos sobre lagos em cavas de mineração, como pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontam que o processo depende das condições hidrogeológicas do local e pode envolver diferentes fontes de água. Por isso, não é possível determinar apenas pela aparência de um reservatório como ele se formou ou qual é sua profundidade.
No caso do Lindo Parque, ainda não há informações técnicas que esclareçam a origem do lago, sua profundidade ou as condições de segurança do reservatório.
Após a morte do adolescente, moradores defendem a adoção de medidas para impedir que pessoas se aproximem de áreas perigosas. Entre as principais preocupações estão a falta de vigilância e a ausência de barreiras que dificultem o acesso à margem do lago. A comunidade cobra providências dos responsáveis pela área e das autoridades para evitar que outras pessoas sejam expostas ao mesmo risco.
O jornal O São Gonçalo procurou a empresa responsável pela pedreira para obter esclarecimentos sobre as condições de segurança da área, a ausência de barreiras que impeçam o acesso ao lago e as reclamações dos moradores sobre as explosões, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.