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O que se sabe sobre o lago em São Gonçalo onde adolescente morreu afogado

Localizado em uma antiga área de extração mineral no Lindo Parque, reservatório não tem barreiras que impeçam a entrada de visitantes

relogio min de leitura | Yuri Messias com edição de Renata Sena
Saiba onde é o Lago em São Gonçalo onde adolescente de 14 anos morreu afogado
Saiba onde é o Lago em São Gonçalo onde adolescente de 14 anos morreu afogado -

Pouco conhecido por moradores de outras regiões de São Gonçalo, um lago localizado próximo à Rua Maria Quitéria, no bairro Lindo Parque, é frequentado por crianças e adolescentes que vivem nas proximidades. Situado em uma área de pedreira, o reservatório pode ser acessado por um caminho sem barreiras que impeçam a entrada de pessoas.

A facilidade de acesso a um espaço com essas características chama atenção principalmente pela presença de crianças na região. Com poucas opções de lazer no bairro, o lago se tornou uma possibilidade de diversão para os meninos e meninas da comunidade, que encontram no espaço uma oportunidade de brincar e se refrescar. No último domingo (1º), porém, o local foi cenário da morte de um adolescente, identificado como Rodrigo, de 14 anos, que se afogou no reservatório.

Adolescente que morreu afogado aparece em registro feito no lago horas antes do acidente
Adolescente que morreu afogado aparece em registro feito no lago horas antes do acidente |  Foto: Divulgação

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A reportagem do jornal O São Gonçalo esteve na região e constatou as condições de acesso ao lago. Moradores contaram que a circulação pelo caminho é antiga e que a presença de crianças no espaço não começou nos dias que antecederam o acidente.

De acordo com moradores, um grupo de crianças e adolescentes já frequentava o lago havia alguns dias. No domingo (1º), seis jovens teriam ido até o reservatório. A movimentação na região, segundo os relatos, começou ainda pela manhã, por volta das 10h.

Entre os jovens estava o filho de Isabelle Cristina, de 39 anos, que presenciou o momento em que o adolescente começou a se afogar. Ao perceber a situação, o menino tentou ajudar o amigo e conseguiu retirar outras duas crianças que estavam na água. Isabelle contou à reportagem como o filho reagiu diante da situação.

“Ele conseguiu puxar outras duas crianças. [...] Foi onde ele viu que não ia conseguir e voltou”, relatou.

Com a dificuldade de retirar o adolescente da água, os jovens chamaram os moradores da região, que se mobilizaram para tentar resgatá-lo. Marcos André de Sousa Santos, de 55 anos, tio de Rodrigo, foi um dos que participaram das tentativas. Ele ajudou a criar o adolescente desde os seis meses de idade e o considerava como um filho.


Autor: Reprodução

Segundo Marcos, familiares e vizinhos também entraram no lago na tentativa de encontrar o menino. O Corpo de Bombeiros foi acionado e enviou equipes de mergulho para realizar as buscas.

De acordo com informações divulgadas pela corporação, o chamado ocorreu por volta das 15h. O corpo foi localizado aproximadamente às 17h, após cerca de duas horas de buscas. Policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) isolaram a área para a realização da perícia. Depois dos procedimentos, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo. 

Rodrigo passou cerca de 11 anos vivendo na casa de Marcos, que ajudou a criá-lo desde os primeiros meses de vida. O adolescente se mudou posteriormente para Saquarema, onde passou a morar com o pai, mas voltou a São Gonçalo na quinta-feira (29), para passar o feriado com familiares.

A previsão era que retornasse para Saquarema na segunda-feira (2), já que teria aula no dia seguinte. Ao recordar a convivência com o adolescente, Marcos não escondeu a emoção.

“Ele era um garoto muito querido. Muito, muito. [...] Um garoto muito doce, muito bom”, contou.

A morte do adolescente também reacendeu a preocupação dos moradores com a facilidade de acesso à área. Joyce Conceição de Carvalho, de 33 anos, que vive no bairro desde que nasceu, contou que a circulação de pessoas pelo local acontece há bastante tempo.

“É fácil acesso. É molinho de subir, só subir ali e chegar, acabou, entrou”, relatou um morador durante a conversa.

A comunidade também questiona a falta de vigilância no entorno.
A comunidade também questiona a falta de vigilância no entorno. |  Foto: Layla Mussi

A comunidade também questiona a falta de vigilância no entorno. Marcos contou que havia até uma equipe de segurança no local. No entanto, ao procurar a administração da pedreira, recebeu a informação de que o serviço não estava mais presente.

Moradores também mencionaram a existência de uma bomba e de uma mangueira no reservatório. No entanto, não há confirmação de que esses equipamentos tenham qualquer relação com o afogamento do menino.

O reservatório está localizado em uma região de extração mineral. Em áreas de mineração a céu aberto, a retirada de rochas e outros materiais pode deixar grandes escavações no terreno. Quando essas cavas atingem o lençol freático ou acumulam água da chuva e do escoamento superficial, podem dar origem a lagos.

O reservatório está localizado em uma região de extração mineral.
O reservatório está localizado em uma região de extração mineral. |  Foto: Layla Mussi

Estudos sobre lagos em cavas de mineração, como pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontam que o processo depende das condições hidrogeológicas do local e pode envolver diferentes fontes de água. Por isso, não é possível determinar apenas pela aparência de um reservatório como ele se formou ou qual é sua profundidade.

No caso do Lindo Parque, ainda não há informações técnicas que esclareçam a origem do lago, sua profundidade ou as condições de segurança do reservatório.

Após a morte do adolescente, moradores defendem a adoção de medidas para impedir que pessoas se aproximem de áreas perigosas. Entre as principais preocupações estão a falta de vigilância e a ausência de barreiras que dificultem o acesso à margem do lago. A comunidade cobra providências dos responsáveis pela área e das autoridades para evitar que outras pessoas sejam expostas ao mesmo risco.

O jornal O São Gonçalo procurou a empresa responsável pela pedreira para obter esclarecimentos sobre as condições de segurança da área, a ausência de barreiras que impeçam o acesso ao lago e as reclamações dos moradores sobre as explosões, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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