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Trabalhadores enfrentam horas de fila em São Gonçalo para se opor a contribuição sindical

Comerciários de diferentes cidades da região foram ao Sindicato dos Empregados no Comércio para apresentar oposição à contribuição assistencial

relogio min de leitura | Yuri Messias com supervisão de Thiago Soares
Trabalhadores enfrentam horas de fila em sindicato de São Gonçalo
Trabalhadores enfrentam horas de fila em sindicato de São Gonçalo -

Trabalhadores do comércio enfrentaram horas de fila em frente ao Sindicato dos Empregados no Comércio, no Centro de São Gonçalo, para apresentar a oposição ao desconto da contribuição assistencial nesta terça-feira (6). O atendimento começou na segunda-feira (5) e segue até sexta-feira (9), das 9h às 17h, mas a grande procura provocou reclamações entre os trabalhadores, principalmente pela demora na distribuição de senhas e no atendimento.

Comerciários de São Gonçalo, Niterói, Maricá e outras cidades da região chegaram ao local desde a manhã. Alguns permaneceram por horas na fila e relataram falta de informações sobre a ordem de atendimento e sobre a quantidade de senhas que ainda seriam distribuídas. A reportagem ouviu trabalhadores que chegaram antes das 9h e outros que aguardavam desde o início da tarde.


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O vendedor Almir, de 63 anos, chegou ao sindicato pouco depois das 9h e conseguiu concluir o procedimento somente perto das 16h. Segundo ele, não era a primeira vez que procurava a entidade para apresentar a oposição, mas a espera desta terça-feira foi a mais longa.

“Eu não pensei que fosse ser rápido, porque não foi a primeira vez. Já vim várias vezes aqui. Agora hoje foi o mais demorado”, contou.

Durante as horas de espera, Almir também reclamou da falta de estrutura para receber os trabalhadores que aguardavam na fila.

“É sol, sem água, não tem um banheiro público. Cadê a dignidade dos funcionários? A pessoa deixa de trabalhar, ganhar o seu pão para vir para cá. Eu não acho isso justo, sinceramente”, afirmou.

O vendedor Almir, de 63 anos, chegou ao sindicato pouco depois das 9h e conseguiu concluir o procedimento somente perto das 16h.
O vendedor Almir, de 63 anos, chegou ao sindicato pouco depois das 9h e conseguiu concluir o procedimento somente perto das 16h. |  Foto: Fabio Alves

O estoquista João Gabriel, de 21 anos, saiu de Maricá para fazer pela primeira vez o pedido de oposição. Ele chegou por volta do meio-dia e, mais de quatro horas depois, ainda aguardava na fila.

“Muito ruim”, resumiu o trabalhador ao avaliar o atendimento.

Para João, uma das alternativas seria organizar o atendimento de acordo com a cidade de origem dos trabalhadores ou disponibilizar senhas pela internet.

“O pessoal de Maricá vem num dia, o pessoal de Niterói vem outro, o pessoal de São Gonçalo vem outro. Ou distribuir senha de maneira online, que já vêm as pessoas certas para serem atendidas naquele dia”, sugeriu.

Segundo os trabalhadores, durante a tarde houve diferentes informações sobre a distribuição de senhas e sobre a quantidade de pessoas que ainda poderiam ser atendidas.
Segundo os trabalhadores, durante a tarde houve diferentes informações sobre a distribuição de senhas e sobre a quantidade de pessoas que ainda poderiam ser atendidas. |  Foto: Fabio Alves

Segundo João, outras duas pessoas de sua empresa também foram ao sindicato para realizar o procedimento. Os três permaneciam no local durante a tarde.

A balconista Maria Cristina, de 58 anos, contou que chegou por volta das 14h, mas uma amiga já estava no local desde as 9h. Ela afirmou que, durante a tarde, os trabalhadores receberam informações sobre a distribuição de novas senhas.

“A gente está aqui até agora. Já vieram avisar pra gente que deram mais 200 números”, relatou.

A espera também afetou a rotina de quem precisou deixar o trabalho para comparecer ao sindicato. Maria Cristina contou que precisou alterar o horário do almoço para conseguir chegar ao local.

“O patrão não quer saber disso, não. Tivemos que almoçar correndo, sair correndo pra estar aqui”, afirmou.

Segundo os trabalhadores, durante a tarde houve diferentes informações sobre a distribuição de senhas e sobre a quantidade de pessoas que ainda poderiam ser atendidas. A situação aumentou a preocupação de quem permanecia na fila, principalmente entre aqueles que chegaram ao local após o início do expediente.

Um dos trabalhadores afirmou que, em determinado momento, pessoas que estavam na fila receberam a informação de que não havia garantia de atendimento para todos. A reportagem não conseguiu confirmar quantos trabalhadores ficaram sem atendimento nesta terça-feira.


Autor: Fabio Alves | Descrição:

Apesar da fila registrada nesta terça-feira, o prazo para apresentação da oposição segue até sexta-feira (9). O atendimento ocorre das 9h às 17h.

A contribuição assistencial pode ser estabelecida por acordo ou convenção coletiva e cobrada dos trabalhadores da categoria, inclusive daqueles que não são sindicalizados. O direito de oposição é assegurado aos trabalhadores, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 935 da repercussão geral.

O STF passou a considerar constitucional a cobrança da contribuição assistencial prevista em negociação coletiva, desde que seja garantida ao trabalhador a possibilidade de apresentar oposição individualmente.

O procedimento para apresentar a oposição, assim como o prazo e a forma de manifestação, deve seguir as regras estabelecidas na negociação coletiva aplicável à categoria.

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