Corpus Christi reúne milhares de fiéis e mantém tradição dos tapetes de sal em São Gonçalo
Celebração mobilizou Vicariatos de São Gonçalo e Alcântara na confecção dos tradicionais tapetes

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (4), voluntários de diversas paróquias se reuniram no Centro de São Gonçalo para confeccionar os tradicionais tapetes de sal que marcam a celebração de Corpus Christi. A data, uma das mais importantes do calendário da Igreja Católica, reúne anualmente milhares de fiéis em um ato de fé, devoção e expressão cultural.
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Em São Gonçalo, a tradição já atravessa três décadas e é considerada uma das maiores manifestações religiosas da América Latina. Os desenhos produzidos pelos voluntários retratam passagens bíblicas, símbolos da Eucaristia, santos e temas propostos pela Igreja.

A Avenida Dr. Feliciano Sodré e a Rua Dr. Nilo Peçanha foram interditadas para que os fiéis e voluntários pudessem confeccionar os tapetes, que juntos, formam o maior tapete de sal da América Latina.

O estudante de psicologia, Miguel Ribeiro Conceição, de 19 anos, comentou sobre a importância da união para a confecção dos tradicionais tapetes de sal.
"O mais importante na confecção dos tapetes é ver essa união, todo mundo se unindo para fazer uma coisa bonita. É isso que faz a gente lembrar desse dia especial. Se não fosse por essa confecção, talvez não déssemos tanto valor para o dia de Corpus Christi.”

Este ano, foram utilizados aproximadamente 150 sacos de serragem, 340 tubos de corante xadrez, além de 52 toneladas de sal, distribuídos em mais de 1600 sacos, materiais necessários para os 238 tapetes, que são um Patrimônio Público Cultural e Religioso do município. Cada paróquia recebeu sete sacos para confecções.


O administrador Celso de Oliveira, membro da paróquia de Santana em Itaúna, destacou a relevância deste dia para os católicos.
"Este dia é de grande importância para os católicos. Participamos anualmente e tem crescido bastante o número de pessoas envolvidas. Esse tapete tem uma representação muito grande para todos nós.”

O tema deste ano foi “São Francisco, modelo de amor eucarístico”, em sintonia com o Ano Jubilar Franciscano, que celebra os 800 anos da morte de São Francisco de Assis. O lema foi “Ele veio morar entre nós”, passagem do Evangelho de João (1,14) que também inspira a Campanha da Fraternidade 2026.

O diácono transitório da Igreja Matriz e da Paróquia São José, Guilherme Ferreira Tavares, de 29 anos, comenta que a tradição simboliza a unidade de toda a Igreja.
“Reunimos aqui todas as paróquias do nosso município, dos Vicariatos de São Gonçalo e Alcântara. É um momento de unidade. Além disso, mostra fraternidade e reforça o espírito de comunidade que devemos sempre ter.”

Além das paróquias envolvidas, também houve um espaço para que escolas do município pudessem confeccionar seus próprios tapetes de sal. É o caso do Colégio de Aplicação Dom Hélder Câmara, localizado na Rua Lambari, nº 10, em Trindade, que contou com a ajuda de funcionários, alunos e responsáveis para confeccionar um tapete em homenagem à Dom Hélder Câmara, um dos mais influentes líderes da Igreja Católica no Brasil no século XX, famoso por sua atuação em defesa dos pobres, dos direitos humanos e da justiça social.

Fábio Tavares, de 58 anos, diretor do campus de São Gonçalo da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), instituição responsável pela administração do Colégio Dom Helder Câmara, participou dos preparativos para a celebração de Corpus Christi e destacou a alegria da primeira participação do colégio na tradicional confecção de tapetes.
“É uma alegria muito grande estar participando com o Colégio de Aplicação Dom Hélder Câmara. Ficamos felizes de poder participar pela primeira vez”, comentou Fábio, que destacou a importância do Padre Adriano, da Paróquia Santíssima Trindade e vigário episcopal de Alcântara, no convite recebido para que o colégio estivesse presente.

“É um evento muito importante para o nosso município e para nossa instituição. Nossa fundadora, a professora Marlene Salgado, era católica praticante, e hoje ficamos felizes de participar desta solenidade usando o nome da nossa instituição”, finalizou.
A professora de português do Dom Hélder, Ana Paula da Veiga Caldas, de 55 anos, comenta que apesar de já ter experiência como voluntária em anos anteriores, essa edição é especial, já que é a primeira vez do colégio na confecção dos tapetes de sal.

“Está sendo uma experiência maravilhosa. Faz parte do patrimônio histórico de São Gonçalo. Os nossos alunos estão super empenhados, ficaram a semana falando sobre a confecção do tapete. É a realização de um sonho para a própria escola, que sempre foi ligada a esse lado religioso. Foi uma experiência incrível”, declarou.
O Colégio Dom Hélder Câmara contou com o apoio de cerca de 40 voluntários, entre diretores, professores, coordenadores, pais e alunos.

A professora de artes, Juliana de Souza, de 29 anos, comentou sobre a participação de alunos e pais neste momento de harmonia.
“É extremamente importante para a história do colégio, visto que o tapete de sal de São Gonçalo é o maior da América Latina. Eu acho de extrema importância esse momento com os alunos e os pais. Está sendo um momento de harmonia”, disse Ana, que acrescentou que como professora de artes, a experiência está sendo muito enriquecedora, já que nunca desenhou utilizando sal.

Para alguns, esta é a primeira vez perto do maior tapete da América Latina. O estudante Igor Bernardo, de 14 anos, foi acompanhado dos pais para ajudar na confecção do tapete homenageando Dom Helder Câmara. “É cansativo, mas muito maneiro e divertido. Vai valer a pena no final, está ficando bem bonito”, disse.
Sua mãe, a advogada Márcia Bernardo, de 45 anos, também está participando pela primeira vez nesta edição. “A escola recebeu o convite e a família toda se animou na hora. Está sendo uma experiência única, porque é a minha primeira vez também neste evento”, declarou Márcia, que, além do filho, estava acompanhada do marido, Tiago Totti.

A estudante Carolina Gomes da Conceição, de 15 anos, é outra jovem estudante do Dom Hélder Câmara que, graças à participação do colégio neste ano, está vivenciando tudo isso pela primeira vez.
“Eu queria experimentar, já que a minha professora, Ana Paula, falou que seria uma experiência nova para todo mundo conhecer e que seria muito legal construir o tapete. Além de outras atrações que vão acontecer mais tarde”, disse.
