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'Craque do Amanhã' recebe apoio de empresa internacional e muda a realidade de centenas de jovens em São Gonçalo

Em 2026, o projeto completa 15 anos; Iniciativa atende crianças e adolescentes nas unidades do Arsenal e Neves, oferecendo futebol, reforço pedagógico e apoio às famílias

relogio min de leitura | Escrito por João Pedro Pereira com edição de Cyntia Fonseca | 15 de maio de 2026 - 11:01
O projeto “Craque do Amanhã” ampliou sua atuação nos últimos anos e hoje atende centenas de crianças e adolescentes nas unidades do Arsenal e de Neves, oferecendo muito mais do que futebol
O projeto “Craque do Amanhã” ampliou sua atuação nos últimos anos e hoje atende centenas de crianças e adolescentes nas unidades do Arsenal e de Neves, oferecendo muito mais do que futebol -

O apoio de empresas internacionais a projetos sociais tem se tornado cada vez mais relevante para o fortalecimento de iniciativas que transformam realidades locais, especialmente em regiões marcadas por desafios sociais históricos. Mais do que investimentos financeiros, essas parcerias representam uma troca de responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento humano, ampliando oportunidades em áreas como educação, cultura, esporte e inclusão social. Em São Gonçalo, por exemplo, desde 2019, o projeto Craque do Amanhã recebe o apoio financeiro da State Grid Brazil Holding, empresa chinesa do setor de energia que escolheu o município para expandir seus investimentos sociais no estado do Rio de Janeiro.

“Quando a empresa investiu no projeto, teve um impacto muito grande. Não é só uma criança beneficiada, é a família inteira. [...] Estamos aqui para mostrar um outro caminho. Através do estudo e educação. Não oferecemos apenas o esporte”, explica a coordenadora do Craque do Amanhã em Neves, Manuela Lagos, de 37 anos.

O projeto social Craque do Amanhã foi criado para unir esporte e educação e vem transformando trajetórias dentro e fora de campo. Completando 15 anos em 2026, ampliou sua atuação nos últimos anos e hoje atende a centenas de crianças e adolescentes nas unidades do Arsenal e de Neves, oferecendo muito mais do que futebol.

“Todo aluno recebe uma cesta básica por mês. E essa cesta básica, por ele fazer uma atividade física, entendemos que é um complemento da alimentação”, completa Manuela.

Jovem treinando futebol durante atividades do projeto Craque do Amanhã, na unidade de Neves
Jovem treinando futebol durante atividades do projeto Craque do Amanhã, na unidade de Neves |  Foto: Layla Mussi

O projeto expandiu sua atuação para Neves em 2019, pouco antes da crise da Covid-19.  O núcleo utiliza o espaço do Colégio Municipal Ernani Faria, onde atende 200 jovens da comunidade. As atividades esportivas acontecem diariamente, sempre no contraturno, integrando alunos de 8 a 18 anos de diversas escolas do entorno.

A unidade atende 200 crianças e adolescentes, de 8 a 18 anos, de várias escolas do entorno da comunidade, oferecendo atividades esportivas no contraturno escolar
A unidade atende 200 crianças e adolescentes, de 8 a 18 anos, de várias escolas do entorno da comunidade, oferecendo atividades esportivas no contraturno escolar |  Foto: Layla Mussi

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Além do futebol, os participantes também realizam atividades pedagógicas obrigatórias, com foco em leitura, escrita e comunicação. As aulas utilizam recursos como filmes, séries, músicas e teatro para estimular o aprendizado de forma mais dinâmica. O projeto disponibiliza aulas de inglês gratuitas para os alunos, em parceria com o Brasas.

O projeto conta ainda com uma parceria com o Senac e o CIEE, encaminhando jovens a partir dos 14 anos para vagas de Jovem Aprendiz.

Coordenadora do Craque do Amanhã em Neves, Manuela Lagos, de 37 anos.
Coordenadora do Craque do Amanhã em Neves, Manuela Lagos, de 37 anos. |  Foto: Layla Mussi
Alunos do projeto recebendo cesta básicas
Alunos do projeto recebendo cesta básicas |  Foto: Layla Mussi

Thallys Magno, de 11 anos, é um dos alunos da unidade de Neves desde 2022 e enxerga o projeto como um divisor de águas na sua formação. “O projeto ajudou a melhorar as minhas habilidades sociais. Antes eu tinha vergonha de falar até com meus pais, tinha muita dificuldade em fazer amigos. Eu me adaptei bem aqui. Até me ajudaram com reforços escolares para melhorar minhas notas”, comentou o jovem, que sonha em se tornar cirurgião.

Thallys Magno, de 11 anos, é um dos alunos da unidade de Neves desde 2022 e enxerga o projeto como um divisor de águas na sua formação
Thallys Magno, de 11 anos, é um dos alunos da unidade de Neves desde 2022 e enxerga o projeto como um divisor de águas na sua formação |  Foto: Layla Mussi

Aos 24 anos, Davi Mendes é um dos exemplos do impacto positivo que o projeto já gerou na vida de quem passou por ele. Ele ingressou por volta dos 12 anos, na unidade do Arsenal, e afirma que a experiência foi fundamental para sua trajetória. “Minha Família estava passando por um momento de muitas mudanças e o projeto ajudou a servir como um apoio para isso, tanto para mim quanto para minha mãe”, contou ele, que hoje trabalha na unidade de Neves como professor de inglês, destacando o projeto como um lugar onde os jovens aprendem a conviver com diferentes pessoas e valores.

Aos 24 anos, Davi Mendes é um dos exemplos do impacto positivo que o projeto já gerou na vida de quem passou por ele.
Aos 24 anos, Davi Mendes é um dos exemplos do impacto positivo que o projeto já gerou na vida de quem passou por ele. |  Foto: Layla Mussi

“O projeto mudou muita coisa na minha vida, e continua mudando até hoje. Antes eu vivia de casa para escola e de escola para casa, e o projeto ajudou muito na convivência com outras pessoas, nos desafios que eu acho que são comuns a todos nós enquanto estamos crescendo, passando pela infância e adolescência. Cada fase tem seus desafios e acho que o projeto me ajudou muito em todos eles”, destacou Davi.

Hoje estudante de educação física e professor, também na unidade de Neves, Fabrício Rosa, de 27 anos, ingressou no projeto aos 13 anos de idade e conta que recebeu um grande apoio em seu sonho de se tornar jogador.

“Os professores viram em mim capacidade técnica de estar podendo jogar em algum clube. Começaram a me levar para fazer testes, participar de campeonatos. E nesse meio tempo eu consegui jogar em clubes aqui no Rio, consegui morar em São Paulo, fui jogar em um clube de São Carlos".

Fabrício ingressou no projeto aos 13 anos, e hoje, aos 27, retornou como professor.
Fabrício ingressou no projeto aos 13 anos, e hoje, aos 27, retornou como professor. |  Foto: Layla Mussi

Apesar de não ter seguido com a carreira de jogador de futebol, Fabrício manteve contato com funcionários do Craque do Amanhã. Em 2019, quando a unidade de Neves foi criada, recebeu o convite para retornar ao projeto, desta vez como funcionário.

O professor Fabrício se enxerga em cada um dos alunos do proejto
O professor Fabrício se enxerga em cada um dos alunos do proejto |  Foto: Layla Mussi

“Eu costumo dizer que o Craque do Amanhã tem uma grande formação na minha vida, como homem, como uma pessoa de bem e como um pai de família. Hoje é muito gratificante estar aqui, trabalhando diretamente com os alunos, me vejo em cada um deles. Eu entrei no projeto na idade deles e ver eles passando por todo esse processo que eu passei para mim é muito gratificante”, relata Fabrício.

Além do lado esportivo, a iniciativa também conta com acompanhamento psicossocial para estudantes e familiares, por meio de atendimentos realizados por psicóloga e assistente social. Entre as ações oferecidas estão rodas de conversa, oficinas de crochê, atividades de relaxamento, alongamento, dança e ioga voltadas principalmente para mães e responsáveis.

Catiana Vieira, 48, dona de casa, é uma das mães contempladas pelas atividades do projeto. Seu filho Enzo participa do projeto há um ano. “O projeto nos ajudou muito. Ele tem a oportunidade de fazer futebol e a parte pedagógica e eu estou fazendo a oficina de crochê", acrescentando também a importância da cesta básica na alimentação familiar, já que no momento se encontra desempregada.

Catiana Vieira, 48 anos, dona de casa, é uma das mães contempladas pelas atividades do projeto. Seu filho Enzo participa do projeto há um ano
Catiana Vieira, 48 anos, dona de casa, é uma das mães contempladas pelas atividades do projeto. Seu filho Enzo participa do projeto há um ano |  Foto: Layla Mussi

Em alguns casos, o projeto encaminha as famílias para atendimento em órgãos da rede pública, como o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSI), o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e unidades de saúde.

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