Trabalhadores se reúnem em ato contra a escala 6x1 no Alcântara, em São Gonçalo
Manifestação aconteceu na manhã desta quinta-feira (30), véspera do Dia do Trabalhador

Manifestantes se reuniram em parceria com o projeto “Quero Viver” no Alcântara, em São Gonçalo, nesta quinta-feira (30) pelo fim da escala 6x1. O movimento foi marcado e divulgado pelas redes sociais do projeto e de apoiadores da causa. No local, com bandeiras e gritos de guerra, manifestantes cobravam as autoridades políticas para que os trabalhadores brasileiros pudessem ter acesso a lazer e descanso como direitos básicos.
Alguns trabalhadores presentes no local pontuaram dificuldades enfrentadas nas rotinas em decorrência da escala intensa de trabalho, alegando que, em alguns casos, se trata de uma “escravização moderna”.
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“É uma folga por semana e essa folga, geralmente, às vezes a pessoa tem que cuidar do uniforme para o dia seguinte, cuidar da casa e ir ao banco resolver alguma coisa. Então assim, se torna um dia que às vezes nem tem descanso, porque se torna um dia que ele tira para poder fazer os afazeres que não consegue durante o período de trabalho”, comentou o fiscal Elvis Muchão.

“A gente quer que essa escala acabe, porque quer passar mais tempo com a nossa família, quer ter mais tempo de qualidade”, acrescentou a diretora de sindicato, Estefani Mata.

Os organizadores do evento estão recolhendo assinaturas para um abaixo assinado todos os dias nas ruas. Ao bater a meta de nomes assinados, eles irão até Brasília dar continuidade à luta trabalhista popular.

“Nós vamos através do nosso representante, Alex Amarante, levar essas assinaturas até Brasília e vamos bater em gabinetes de todos os deputados apresentar para eles o anseio da população fluminense, do Brasil todo”, disse o servidor público, David Catojo.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 segue em alta nas redes sociais e no âmbito político. A votação da proposta está em fase decisiva.

Na última semana, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) afirmou, durante entrevista coletiva concedida no Palácio do Planalto ao lado do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que o Governo do Brasil espera que o projeto de lei que prevê o fim da escala 6x1 seja aprovado pelo Congresso Nacional em até três meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou mensagem presidencial, formalizando o envio ao Congresso, com urgência constitucional.
Atualmente, existem duas PECs na Câmara sobre o fim da escala 6X1: uma apresentada em 2025 pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe uma jornada reduzida combinada com a adoção da escala 4x3; e outra apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos. Por tratarem do mesmo tema, as PECs foram apensadas, ou seja, agrupadas para tramitar em conjunto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também enviou à Câmara um projeto de lei sobre o tema. A proposta foi encaminhada com urgência constitucional. O texto do Executivo, que tramita paralelamente às PECs, prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial em decorrência da mudança.
Caso sejam aprovadas, as PECs seguem para votação no plenário da Câmara, onde precisam de pelo menos 308 votos favoráveis em dois turnos. Os textos ainda terão de ser analisados pelo Senado, também em dois turnos, com exigência mínima de 49 votos.
