Natural de São Gonçalo, cineasta Jamile Marinho conta experiência de dirigir série disponível no Globoplay
Na série (in)VULNERÁVEIS, Jamile dirige os episódios 2 e 4, contribuindo para uma narrativa que gira em torno de Regina, enfermeira-chefe interpretada por Zezé Motta

Entre sets, cortes e histórias que insistem em nascer, uma trajetória para celebrar. Natural de São Gonçalo, a cineasta Jamile Marinho assina a direção de episódios da série (in)VULNERÁVEIS, disponível no Globoplay e exibida pelo Universal TV, uma coprodução da NBCUniversal e da Jabuti Filmes.
Formada em Cinema, Jamile iniciou a carreira em 2001 como assistente de continuidade e, desde então, construiu um percurso sólido em produções de destaque como Dois Filhos de Francisco, Até que a Sorte nos Separe e Arcanjo Renegado. Ao longo dos anos, transitou entre funções técnicas e criativas, até consolidar sua atuação também na direção, um movimento que, segundo ela, ampliou suas possibilidades narrativas. “Ter feito essa trajetória profissional me deu muito repertório, não somente em questões técnicas, mas em desenvolvimento de linguagens”, afirma.
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Na série (in)VULNERÁVEIS, Jamile dirige os episódios 2 e 4, contribuindo para uma narrativa que gira em torno de Regina, enfermeira-chefe interpretada por Zezé Motta. A personagem, experiente e dedicada, enfrenta pressões para se aposentar enquanto lida com os desafios de um sistema que insiste em substituí-la. A trama tensiona temas como etarismo, relações de poder e o lugar da mulher em ambientes institucionais e exige, na direção, um cuidado especial para não cair em clichês.

Essa preocupação atravessa o trabalho da cineasta. “Nossos personagens não deixam de agir diante das suas fragilidades”, explica. Um exemplo é Lorena, vivida por Simone Cerqueira, que rompe com uma relação abusiva mesmo diante do medo. Para Jamile, a força das personagens está justamente nessa capacidade de atravessar conflitos sem perder a complexidade. Não são heroínas idealizadas, mas mulheres possíveis.
Com passagens por cinema, televisão e streaming, Jamile também observa diferenças importantes na forma de contar histórias em cada linguagem. No ambiente digital, onde a disputa pela atenção é feroz, é preciso conquistar o espectador rapidamente.
Entre os projetos que deseja desenvolver, Jamile destaca o interesse por histórias voltadas ao público infantil.

Confira a entrevista completa:
O SÃO GONÇALO - Você começou como assistente de continuidade e construiu uma trajetória sólida até a direção. Que aprendizados dessa base técnica ainda atravessam o seu olhar hoje, especialmente na condução dos episódios de (in)VULNERÁVEIS?
Jamile - Ter feito essa trajetória profissional me deu e acho que continua me dando muito repertório mas não somente em questões técnicas, como em desenvolvimento de linguagens, porque alterno bastante a continuidade com a direção. E o que poderia ser uma questão, eu acho que vira um diferencial na minha carreira.
OSG - A série traz mulheres fortes, maduras e em conflito com estruturas que tentam silenciá-las. Como você trabalhou, na direção dos episódios 2 e 4, para traduzir essas camadas de força e vulnerabilidade sem cair em estereótipos?
Jamile - Essa nuance sempre foi uma preocupação minha e dos outros diretores da série em trazer os personagens sem estereótipos. Nossos personagens não deixam de agir diante das suas fragilidades. A Lorena, por exemplo, personagem vivida pela atriz Simone Cerqueira, vivencia uma relação bastante abusiva, mas ela supera o medo e toda incerteza que vem com isso para dar um ponto final a relação. Então, todas as nossas personagens apresentam essa capacidade de superar os desafios, apesar dos medos e inseguranças.
OSG - Você já transitou por diferentes formatos, cinema, TV e streaming. O que muda, na prática e na sensibilidade, quando você dirige para cada uma dessas linguagens?
Jamile - Quando a gente conta uma história que vai direto para TV ou para o streaming é preciso que essas narrativas sejam claras, acessíveis, de rápida identificação, porque o espectador pode mudar de canal em apenas um clique. Estamos competindo com muitas interações em casa, então existe essa preocupação na hora de contar a história. Já as histórias que vão para o cinema, permitem uma experiência mais imersiva, sem interrupções. De todo modo, acho que o importante mesmo é contar histórias brasileiras, com nosso DNA, para qualquer meio de exibição.
OSG - Olhando para sua trajetória e para o presente do audiovisual brasileiro, que histórias você sente que ainda precisam ser contadas e que talvez você mesma queira dirigir no futuro?
Jamile - Acho que o cinema brasileiro já contou excelentes histórias com temas diversos. Entretanto eu Jamile, gostaria de contar mais boas histórias infantis. Considero o público infantil bastante exigente, as histórias infantis são narrativas pedagógicas e artísticas incríveis, além de ser a base da formação do público brasileiro.

A série (in)vulneráveis é uma coprodução da NBCUniversal e da Jabuti Filmes, com direção-geral de Renata Di Carmo e direção de Rafael Salgado, Luis Lomenha e Jamile Marinho. O roteiro é de Ceci Alvez, Renata Di Carmo e Susan Kalik. O elenco é composto por Zezé Motta, Danni Suzuki, Felipe Rocha, Simone Cerqueira, Jade de Axé, Júlia Tizumba, Leandro Firmino, Francisco Farnum, José Araujo, Lais Lage, Valéria Monã, Vitória Fallavena, Timóteo Heiderick, entre outros.