Do sonho ao pesadelo: Compradores denunciam abandono de obra e cobram respostas de construtora em São Gonçalo
Lançado em julho de 2023 pela MP Construtora, o projeto tinha previsão de entrega entre o fim de 2026 e 2027, mas, segundo relatos, o terreno segue sem avanço

Compradores do empreendimento Jardim Central 3, em São Gonçalo, denunciam abandono da obra, falta de transparência e prejuízos financeiros após investirem em imóveis na planta que, até hoje, não saíram do papel. Lançado em julho de 2023 pela MP Construtora, o projeto tinha previsão de entrega entre o fim de 2026 e 2027, mas, segundo relatos, o terreno segue sem avanço.
O que era para ser a realização do sonho da casa própria tem se transformado em frustração. A professora Elizabeth de Paula, 39, conta que ela e seu esposo fecharam o contrato ainda no lançamento, motivada principalmente pelo custo-benefício e pela localização. “A gente fechou o contrato em julho de 2023, no lançamento. O preço estava interessante e a proposta do condomínio também”, afirma. A enfermeira Mayara Pacheco, 23, também comprou uma unidade na mesma época e reforça que a escolha foi baseada nas condições oferecidas. “A gente achou interessante a localização, o valor e o acabamento em comparação com outras construtoras. Parecia um bom investimento”, diz.

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Segundo elas, o cenário começou a mudar pouco tempo depois da assinatura do contrato, quando surgiram notícias de problemas em outro empreendimento da mesma empresa. “Se a gente soubesse antes o que estava acontecendo com outras obras, não teria fechado”, relata Mayara. Mesmo assim, as compradoras seguiram com a expectativa de entrega dentro do prazo. No entanto, a realidade atual é de abandono. “Hoje a gente está em 2026 e o terreno está totalmente parado, com mato alto, sem nenhuma movimentação”, afirma.

De acordo com as compradoras, a construtora chegou a informar que dariam uma devolutiva sobre as obras durante o primeiro semestre de 2026, mas até o momento não houve qualquer avanço concreto. “A gente recebeu e-mails dizendo que ia começar, mas na prática não tem limpeza, não tem obra, não tem nada”, diz Elisabeth. Dados reunidos pelos próprios compradores indicam que, até janeiro de 2025, apenas 0,49% da obra havia sido executada, sem novas atualizações desde então. Outro ponto de crítica é a falta de transparência na comunicação. Elizabeth afirma que tentou cobrar respostas nas redes sociais, mas teve as interações limitadas. “Eu comentei nas postagens e apagaram. Depois bloquearam os comentários. A gente não consegue mais se manifestar”, relata. Segundo ela, os canais de atendimento também foram reduzidos ao longo do tempo. “Antes tinha estande, tinha atendimento presencial. Hoje não tem mais. Fica tudo mais difícil”, diz.

A incerteza em relação ao financiamento também preocupa. “Eles falavam que estavam finalizando com a Caixa, mas quando a gente vai lá, não tem nada registrado”, afirma Mayara. Além da frustração com a obra parada, as compradoras relatam prejuízos financeiros. Mesmo sem avanço, os boletos continuaram sendo cobrados normalmente. “A gente continua pagando sem ter nenhuma garantia. E se quiser sair agora, perde a maior parte do dinheiro”, explica.

Mayara afirma que já investiu cerca de R$ 40 mil e aguarda o prazo contratual de 36 meses para tentar reaver o valor integral. “Se eu desistir agora, eles devolvem muito pouco. Então estou esperando, mas com medo de não receber”, diz. Ela também relata que outros compradores enfrentam dificuldades para recuperar valores após o distrato. “Tem gente que já pediu o dinheiro de volta e ainda não recebeu”, afirma. A situação afetou diretamente o planejamento de vida de Mayara e de seu esposo, Diego Lima. “A gente comprou ainda namorando, com planos de casar e morar no apartamento. Tivemos que mudar tudo, gastar mais e reorganizar a vida. Foi realmente um sonho frustrado”, desabafa Mayara. Apesar das dificuldades, a principal expectativa agora é pela devolução dos valores investidos. “O empreendimento não faz mais sentido pra gente. A gente quer o dinheiro de volta”, afirma.
Documentos enviados à reportagem mostram que a construtora informou mudanças no atendimento, que deixou de ser presencial e passou a ocorrer exclusivamente por meios digitais. Em resposta a clientes, a MP Construtora informou que as atualizações sobre o empreendimento estão sendo avaliadas internamente e que uma devolutiva pode ocorrer até o fim do primeiro semestre de 2026. No entanto, a empresa não responde aos clientes desde novembro, mesmo após a abertura de chamados nos canais de atendimento. Para as compradoras do Jardim Central 3, no entanto, a falta de definição aumenta a insegurança. “Problemas podem acontecer, mas o que mais revolta é a falta de transparência. A gente se sente passado para trás”, afirma Mayara.


Procurada pela reportagem, a Caixa Econômica Federal informou que o empreendimento não possui qualquer vínculo de financiamento com o banco. Segundo a instituição, eventuais contratos firmados por compradores são de caráter individual, sem relação direta com o projeto. A reportagem também tentou contato com a MP Construtora, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.