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Jovem de São Gonçalo acusa 'agente' que o levou para testes em clubes do Ceará por estelionato e maus tratos

Matheus Moraes, 18, pagou R$1 mil ao ex-jogador Reidner por uma vaga num time cearense. Ele nega as acusações

relogio min de leitura | Escrito por Enzo Britto com edição de Thiago Soares | 03 de março de 2026 - 18:13
Matheus foi ao Ceará na promessa de achar um clube para se profissionalizar; Reidner afirma que o jovem não tem condições técnicas ou físicas
Matheus foi ao Ceará na promessa de achar um clube para se profissionalizar; Reidner afirma que o jovem não tem condições técnicas ou físicas -

O sonho do jovem gonçalense Matheus Moraes, de 18 anos, morador de Santa Izabel, em se tornar jogador de futebol profissional, virou pesadelo após ele aceitar o convite de Reidner Souza de Holanda, 54, ex-jogador e treinador de futebol credenciado pela CBF, para fazer testes na equipe do Floresta Esporte Clube, de Fortaleza, que atualmente disputa a Série C do Brasileiro. A oportunidade apareceu no começo de fevereiro deste ano e o combinado era que o rapaz ficaria hospedado na casa do professor, no distrito de Deserto, em Itapipoca, localizada a 130 km de Fortaleza.

De acordo com familiares do atleta, a promessa de Reidner era de que Matheus faria testes como ponta esquerda para assinar um contrato profissional com o clube. Pela intermediação e indicação do jogador ao Floresta, os pais de Matheus pagaram R$ 1 mil via Pix para Reidner. "Os problemas já começaram no primeiro dia, quando ele recebeu meu irmão numa casa sem nenhuma condição de moradia, num ambiente hostil e com xingamentos", afirma a irmã do jogador, Ellen Karolinny.

Foi Ellen quem fez a denuncia da situação por meio de redes sociais, expondo que o problema em vídeos e áudios. Ela revelou que a família de Matheus conheceu Reidner através de um amigo em comum dos pais.


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Dentre os problemas relatados no vídeo, a jovem conta que o irmão passou por abusos psicológicos durante os 10 dias em que ficou sob na casa de Reidner. "Teve um dia que ele colocou meu irmão para fora de casa às 6h da manhã e disse que era para ele “se virar”", disse Ellen.

Reidner teria prometido que levaria o rapaz para fazer testes em outros clubes da região, além do Floresta Esporte Clube. A oportunidade que apareceu de fato foi dele fazer alguns treinos no Itapipoca Esporte Clube, clube da região onde Reidner mora.

Matheus chegou a fazer treinos no campo de uma ONG da cidade, quando segundo o atleta, Reidner ficava à beira do campo fazendo pressão por conta de seu desempenho, e gritando que ele não teria capacidade de se tornar jogador profissional. Em um áudio, o rapaz conseguiu registrar o momento em que é xingado pelo treinador. “Você está errado e ainda quer discutir? Vai pra p#$% que pariu rapaz, te liga! Você ainda se acha na sua mente, essa mente fraca? Não queira falar nada que vai piorar a situação” teria afirmado Reidner.

Depois de alguns dias, alegando maus tratos, o jovem fugiu da casa de Reidner e foi acolhido por moradores da região, que o reconheceram por ser um rosto novo na cidade e serem familiares de jogadores que treinavam junto com Matheus. "O Reidner passou a percorrer a cidade atrás do meu irmão, espalhando que ele havia fugido e que estaria indo atrás dele", afirmou a irmã de Matheus.

Em contato com seus pais, Matheus conseguiu que eles mandassem dinheiro para que comprasse uma passagem de ônibus de volta a São Gonçalo.

'Agente' dá sua versão

A reportagem de O SÃO GONÇALO entrou em contato com Reidner, que desmentiu a versão de Matheus e seus familiares. Ele afirmou que não atua como agente, mas sim como professor de futebol, e que atualmente está desempregado e por isso aceitou a proposta de procurar algum clube para o jovem no Ceará, apesar de achar baixo o nível de futebol apresentado pelo atleta nos vídeos que assistiu.

Ele contou que o valor de R$ 1 mil cobrado foi para cobrir despesas de deslocamento até Fortaleza para procurar clubes para o jovem fazer testes, entre eles o Tirol e Floresta EC. Reidner declarou que conseguiu apenas um teste no dia 23 de fevereiro, no Itapipoca EC, clube da cidade próxima de onde morava.

Com o teste marcado, o pai do atleta - responsável pela comunicação com o professor - contava que o filho estava ansioso para viajar. "Mas eu sempre deixei claro que a estrutura da casa onde ele ficaria, era simples. Mesmo com esses avisos, ele chegou aqui mais de 20 dias antes do teste", justificou Reidner.

O professor contou que no segundo dia do jovem na cidade, ele foi levado para um treino, para ser testado fisicamente e tecnicamente e segundo o treinador, o rendimento demonstrado ficou abaixo do esperado. "Com esse desempenho ruim, fiz algumas reclamações sobre o desempenho dele, com um tom mais ‘forte’", admitiu.

Após o treino, voltando para casa, foi o momento citado anteriormente em que o rapaz gravou o momento em que alega ter sido xingado e ofendido pelo professor. "Isso é apenas um jeito de falar daqui da região. "Também falei com ele para retirar o brinco porque poderia causar incômodo às pessoas dos clubes locais, além de suas tatuagens", afirmou.

"Por conta desse desgaste ele começou a se mostrar magoado e frustrado, e fugiu aqui de casa. A situação piorou e ele voltou para o Rio. Por fim, as conversas foram tiradas de contexto e apesar da situação, respeito os envolvidos, e não entendo qual a motivo de se criar todo esse alvoroço envolvendo meu nome. Eles é que vão ter que provar o que eles estão falando, o menino não tem condição e nem qualidade, e aí é muito fácil querer empurrar a culpa e num professor de futebol. A gente vai mover um processo contra eles, e vão ver  que a gente colhe o que a gente planta então eles vão colher o que estão plantando.", finalizou Reidner.

Apesar das justificativas de Reidner, o jogador e sua família registraram um boletim de ocorrência na 74ªDP (Alcântara), que investiga o caso.

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