Niterói sedia evento com presidenciáveis

Segurança foi o tema mais comentado na reunião

Enviado Direto da Redação
Onze pré-candidatos à Presidência da República compareceram à 73ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos

Onze pré-candidatos à Presidência da República compareceram à 73ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos

Foto: Leonardo Ferraz

Por Elena Wesley

Onze pré-candidatos à Presidência da República compareceram à 73ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos, realizada ontem no Teatro Popular de Niterói. Em posse de uma carta elaborada pelos próprios prefeitos com as dificuldades enfrentadas na gestão, os presidenciáveis apresentaram propostas para diversas áreas e ideias que aprimorem a relação entre União e municípios.

Embora adeptos de ideologias diferentes, boa parte foi unânime quanto à urgência de reformas que possibilitem a retomada do desenvolvimento do país, sobretudo a tributária.

“A Constituição de 1988 distribuiu atribuições aos Estados e municípios, porém sem oferecer o aporte para que eles cumprissem tais funções, como garantir emprego e segurança. Quem ganha menos não pode pagar mais. A reforma é urgente. Sem criar novos impostos, mas também sem eliminar os que temos”, declarou a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, da Rede Sustentabilidade.

Além de se posicionar a favor de uma reestruturação nas cobranças, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) também mencionou a necessidade das reformas política e da previdência.

“Não temos mais de 30 ideologias para ter esse número de partidos. Temos sido pequenas e médias empresas mantidas com dinheiro público, enquanto a União fecha o sexto ano consecutivo com déficit”, ressaltou.

Alckmin e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), convergiram quanto a parcerias com o setor privado para geração de emprego e manutenção de equipamentos públicos.

"Apenas 25% das crianças de zero a três anos estão matriculadas. Por meio de parcerias público-privadas (PPP), podemos criar o cheque-creche para garantir a universalização da educação infantil”, propôs Maia. Alckmin, mais uma vez, citou a experiência em São Paulo.

“A União se eximiu da responsabilidade ao repassar os hospitais às demais instâncias. No meu governo fizemos licitações para que as empresas se responsabilizassem em construir, equipar e operar. Como resultado temos obras mais rápidas e melhor atendimento”, avaliou Alckmin.

Lula enviou carta com propostas

A organização do evento convidou candidatos de legendas que têm pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional ou se destacam nas pesquisas eleitorais, num total de 14 convidados. Desse grupo, compareceram: Rodrigo Maia (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos (PSD), Manuela d’Ávila (PCdoB), Marina Silva (Rede), o senador Álvaro dias (Podemos), o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, do Psol, o ex-ministro Aldo Rebelo (Solidariedade), Paulo Rabello (PSC), que tem experiência à frente do BNDES e do IBGE, e por fim Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda do governo Michel  Temer.

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Flávio Rocha (PRB) informaram que não poderiam  participar. O ex-presidente Lula, que é pré-candidato pelo PT, justificou a ausência por conta da prisão e enviou uma  carta  com propostas. No documento, Lula falou que a suspensão da CPMF em 2007 contribuiu para a redução da arrecadação federal e que o cenário seria outro caso o Congresso tivesse considerado proposta de Dilma Roussef pelo retorno do imposto em 2015.

Segurança foi tema mais comentado

“Pela primeira vez a segurança não será tratada como um tema secundários nos debates à presidência. Não dá para repetir o discurso de que é responsabilidade dos governadores do Estado”, afirmou a Manuela.

Para a ex-deputada, o governo federal deve unificar as polícias e investir em treinamento e inteligência, já que o aparato ostensivo não é garantia de melhoria por não cuidar da investigação.

“O tráfico de drogas não é fonte exclusiva de violência. Temos que enfrentar o homicídio e a violência sexual”, disse.

O argumento da candidata do PCdoB contrariou o que Rodrigo Maia acabara de defender: o endurecimento penal ao tráfico de drogas e de armas.

Geraldo Alckmin contou que os números de latrocínio e roubo a veículos em São Paulo caíram à medida que o governo priorizou o combate a locais de desmanche de automóveis e pontos ilegais de de venda de peças.O tucano vê no Sistema único de Segurança Pública, que tramita no Senado, uma possibilidade real de avanço.

Já Marina Silva criticou a intervenção federal decretada por Michel Temer no Rio de Janeiro, com questionamentos à escolha do local.

“Os estados das regiões Norte e Nordeste têm, há anos, números muito mais alarmantes de criminalidade e homicídio”, pontuou.

Pela carta, Lula também questionou a intervenção, alegando que as Forças Armadas não podem ser política de longo prazo para espaços urbanos e sugeriu a recuperação da vigilância das fronteiras, para impedir a chegada de insumos.

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