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EUA ampliam presença militar na América Latina às vésperas do segundo turno no Brasil

Donald Trump envia soldados e drones à região; Flávio Bolsonaro promete aderir à aliança militar de Trump se eleito

relogio min de leitura | Redação
EUA ampliam presença militar na América Latina às vésperas do segundo turno no Brasil
EUA ampliam presença militar na América Latina às vésperas do segundo turno no Brasil -

Os Estados Unidos estão ampliando sua presença militar na América Latina com o envio de centenas de soldados, drones de vigilância e ataque e a criação de grupos para coordenar operações e compartilhar informações de inteligência com governos da região. Oficialmente, o governo de Donald Trump apresenta as medidas como parte da estratégia de combate ao narcotráfico, mas a movimentação também envolve a ampliação da capacidade de atuação militar americana na região.

A expansão ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 25 de outubro. O tema ganhou relevância depois que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende incluir o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa de segurança liderada pelos Estados Unidos.


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De acordo com a reportagem do The New York Times, cerca de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha do Exército americano, sediada em Fort Drum, em Nova York, foram mobilizados para treinamentos na América Latina. Os primeiros integrantes começaram a ser enviados para uma instalação de treinamento na selva do Panamá. Depois, o planejamento prevê exercícios com forças locais na Colômbia e em Honduras.

A operação inclui ainda a transferência de drones MQ-9 Reaper, conhecidos como "caçadores-assassinos", da África para a Colômbia e o Equador. As aeronaves são usadas para monitorar áreas extensas, identificar possíveis alvos e, quando equipadas com armamentos, realizar ataques de precisão.

O governo Trump também criou uma estrutura de comando em Miami para ampliar a coordenação das operações no Hemisfério Ocidental. Em agosto, o Comando Sul dos Estados Unidos ativou a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental, voltada à integração de informações de inteligência, ao treinamento e ao planejamento de ações com países parceiros.

A estratégia pode ir além da interceptação de embarcações suspeitas de transportar drogas. O comandante do Comando Sul, general Francis L. Donovan, afirmou que os Estados Unidos estudam ampliar as operações para alvos em terra. A possibilidade levanta questionamentos sobre os critérios para identificar suspeitos, os riscos para civis e os limites da atuação militar americana em outros países.

Escudo das Américas

Uma das principais iniciativas de Trump para a região é o Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada em março de 2026 que reúne governos alinhados à estratégia americana. A iniciativa prevê cooperação militar e troca de informações de inteligência entre os participantes.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que, caso vença a eleição brasileira, pretende incluir o país no bloco. A proposta recebeu apoio do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Brasil e México não integram o Escudo das Américas, coalizão militar lançada por Trump em março com 12 líderes latino-americanos. A possível adesão brasileira ganhou relevância às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, diante das discussões sobre a soberania do país nas decisões de defesa e segurança.

líderes da Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago
líderes da Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago |  Foto: Reprodução/Wikipédia

Influência política no continente

A expansão militar ocorre em meio a episódios de pressão política e econômica de Trump sobre países da região.

Em Honduras, em 2025, apoiou Nasry Asfura, ameaçou cortar ajuda financeira caso a candidata Rixi Moncada vencesse a eleição e concedeu perdão ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico nos EUA, às vésperas da votação.

Na Argentina, Trump apoiou Javier Milei antes das eleições legislativas de outubro de 2025. Seis dias antes da votação, foi formalizado um acordo de troca cambial de US$ 20 bilhões. Trump chegou a afirmar posteriormente que Milei recebeu grande ajuda dos Estados Unidos para obter a vitória nas urnas.

Na Colômbia, pediu votos para Abelardo de la Espriella, que venceu o segundo turno contra Iván Cepeda, do Pacto Histórico, em 21 de junho, por margem estreita. O então presidente Gustavo Petro disse que o apoio violava a soberania do país e contesta o resultado, e deputados democratas dos EUA enviaram cartas a Rubio criticando a postura de Trump.

No Equador, o governo de Daniel Noboa firmou três acordos militares com Washington, e drones MQ-9 passaram a operar no espaço aéreo do país, segundo informações divulgadas por autoridades equatorianas.

No Paraguai, o governo de Santiago Peña aprovou um acordo que estabelece condições para a presença de militares e civis ligados ao Departamento de Defesa americano em território paraguaio.

Na Bolívia, a pressão americana atingiu integrantes do sistema judicial. Em setembro, o governo Trump anunciou restrições de vistos contra autoridades de quatro países latino-americanos, entre elas o procurador-geral boliviano Roger Mariaca, responsável pela instituição que investiga o argentino Fernando Cerimedo, operador político ligado a campanhas da direita no continente. Washington acusou Mariaca de corrupção e de facilitar atividades relacionadas ao narcotráfico. O procurador negou as acusações e classificou a medida como ingerência política.

No Chile, a pressão também alcançou símbolos históricos. Em outubro, a Organização dos Estados Americanos (OEA) retirou de seu saguão um quadro do ex-presidente chileno Salvador Allende, presenteado em 2023 pelo governo de Gabriel Boric para marcar os 50 anos do golpe militar de 1973. A homenagem foi transferida para armazenamento, sem exibição pública.

Brasil no centro do debate

A influência americana na política brasileira também passou a ser alvo de questionamentos. Em setembro, o senador Bernie Sanders e parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, manifestando preocupação com possíveis interferências nas eleições brasileiras.

O documento mencionou tarifas comerciais impostas ao Brasil, medidas contra organizações criminosas brasileiras e a aproximação política de Washington com Flávio Bolsonaro. Os parlamentares pediram que o governo americano se comprometesse a reconhecer o resultado oficial das urnas.

Disputa com a China e acesso a recursos

A ampliação militar também ocorre em meio à disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina. Pequim ampliou sua participação comercial e seus investimentos na região, enquanto Washington busca fortalecer suas parcerias estratégicas.

Um documento que circulou em setembro entre integrantes do Escudo das Américas incluiu entre os objetivos da iniciativa a “salvaguarda do acesso a minerais críticos da região”. Esses recursos são importantes para diferentes setores industriais e tecnológicos e estão no centro da disputa econômica entre as duas potências.

A política também envolve a ampliação das operações militares. Em agosto, o general Francis L. Donovan, comandante do Comando Sul, afirmou que os Estados Unidos pretendem expandir as ações na região, passando de ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas para possíveis operações terrestres.

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