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Richarlison cobra PF e acusa Flávio Bolsonaro de tomar mansão em Angra dos Reis

Atacante afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e diz que perdeu a posse sem receber o dinheiro de volta

relogio min de leitura | Redação
Richarlison cobra PF e acusa Flávio Bolsonaro de tomar mansão em Angra dos Reis
Richarlison cobra PF e acusa Flávio Bolsonaro de tomar mansão em Angra dos Reis -

O atacante Richarlison pediu que a Polícia Federal (PF) investigue a disputa por uma mansão situada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. Em vídeo publicado nas redes sociais, o jogador do Tottenham acusou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de participar da transferência do imóvel para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar.

Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade e diz que não recebeu o dinheiro de volta.

“Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, declarou o jogador, referindo-se a Flávio Bolsonaro.


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A expressão “ilha” utilizada pelo atacante se refere ao imóvel localizado na Ilha Comprida. A disputa envolve os direitos de ocupação do terreno da União onde fica a mansão.

Richarlison afirma ter adquirido o imóvel entre 2020 e 2021, em sociedade com Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu ex-empresário. Enquanto o grupo tentava regularizar a documentação, os direitos de ocupação foram transferidos para uma empresa ligada a Tomaz.

Documentos obtidos pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que dois pedidos relacionados ao imóvel tiveram tramitações diferentes na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O primeiro, apresentado em setembro de 2021 por integrantes da sociedade empresarial ligada a Richarlison e Velasco, não foi concluído. O processo ficou sem movimentação oficial entre julho de 2023 e agosto de 2026. Outro pedido, em nome da M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda., foi aberto em maio de 2022 e concluído em cerca de dois meses. O procedimento atualizou o cadastro da União em favor da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa ligada a Willer Tomaz.

Em 11 de julho de 2022, a SPU abriu e concluiu no mesmo dia um procedimento especial para emitir a Certidão Autorizativa para Transferência (CAT), necessária para dar andamento à mudança cadastral. A medida foi adotada após a identificação de um impedimento no sistema.

Os documentos também indicam que três laudêmios e três multas referentes a transferências anteriores permaneciam registrados como valores a cobrar. O laudêmio relativo à transferência final, de R$ 57,3 mil, aparece como pago.

A escritura declarou a transferência por R$ 600 mil, enquanto a Prefeitura de Angra dos Reis avaliou o imóvel em R$ 2,615 milhões para fins de cálculo do imposto de transmissão.

Possíveis inconsistências

Em abril de 2025, um servidor da própria SPU no Rio de Janeiro registrou “fortes indícios” de inconsistências relacionadas ao imóvel. Ao analisar cobranças que continuavam sendo feitas a um antigo ocupante, o funcionário levantou a hipótese de que procedimentos administrativos poderiam ter sido utilizados para acelerar as transferências.

Com base nos documentos, Rogério Correia apresentou uma notícia-crime à PF em agosto deste ano, pedindo a apuração de possíveis irregularidades administrativas e financeiras. Entre os pontos a serem investigados estão a atuação dos servidores envolvidos, os registros no sistema patrimonial e os pagamentos de taxas e multas.

A SPU informou, em resposta a um pedido de acesso à informação, que não abriu uma investigação administrativa específica porque, segundo a análise técnica do órgão, não foram identificados problemas nas operações. A secretaria afirmou que as alterações cadastrais se basearam nos documentos apresentados.

Disputa judicial

A disputa pela posse chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2025, as decisões favoreceram a empresa ligada a Willer Tomaz. Em agosto daquele ano, a Sport 70, ligada a Richarlison e Renato Velasco desistiram da ação após tentativas de recurso sem sucesso.

A Polícia Federal também mantém, desde 2024, um inquérito relacionado à ocupação e à negociação do terreno em etapas anteriores da cadeia de transferências.

Em manifestação anterior, Flávio Bolsonaro negou ter vínculo com o imóvel e afirmou que havia sido chamado como testemunha no processo judicial. A assessoria do senador também declarou que ele não comprou, vendeu ou intermediou o negócio.

Willer Tomaz, por sua vez, afirmou anteriormente que o custo total da aquisição e da regularização de débitos superou R$ 5 milhões. Esse valor difere dos cerca de R$ 10 milhões que Richarlison afirma ter investido.

O atacante diz que busca recuperar o dinheiro. Caso consiga reaver os valores, pretende destinar parte da quantia a um hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.

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