Comte Bittencourt assume presidência do Cidadania e comenta momento do partido
Após Congresso Nacional que elegeu novo diretório, ex-deputado concede entrevista em Niterói, fala sobre disputas internas da sigla, desafios da região metropolitana do Rio e anuncia redução da atuação eleitoral

Cumprindo rigorosamente o estatuto do partido e suas tradições democráticas, o Cidadania realizou seu Congresso Nacional, que formalizou o novo Diretório Nacional, com a eleição de 100 membros titulares e 15 suplentes, além dos integrantes para os Conselhos Fiscal e de Ética do partido.
Mais de 570 militantes participaram do evento, que foi realizado na última sexta (6), no formato remoto e transmitido pela Internet. Deste total, os 64 delegados e 20 estados presentes garantiram o quórum mínimo necessário para validar suas deliberações.
Os novos representantes do órgão máximo do Cidadania foram eleitos por unanimidade por delegados de todo o país, obedecendo à proporcionalidade de gênero, à distribuição geográfica nacional e à diversidade.
O Congresso foi conduzido pela ex-deputada federal de Minas Gerais, Luzia Ferreira, e contou com a presença do ex-deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Comte Bittencourt, do ex-senador por Brasília, Cristovam Buarque, além de deputados estaduais, vereadores, prefeitos e da militância do partido. O Congresso Nacional do Cidadania realizado nesta sexta foi convocado pela maioria do Diretório Nacional, conforme orientação do estatuto partidário.
Após a realização do Congresso Nacional, o novo Diretório se reuniu remotamente para eleger a Executiva Nacional, que irá conduzir o partido no próximo quadriênio. Foram eleitos Comte Bittencourt (RJ), presidente; Luzia Ferreira (MG), 1ª vice-presidente; Arnaldo Jordy (PA), 2º vice-presidente; Elza Correia (PR), 3ª vice-presidente; Cristovam Buarque (DF), 4º vice-presidente; Luciano Rezende (ES), secretário geral; Ana Stela (SP), secretária geral adjunta; Alexandre Pereira, tesoureiro; Carlos Eduardo Nascimento, tesoureiro adjunto; como vogais Claudia de Lima (MG), Claudio Carraly (PE), Edson Viegas (MS), Eduardo Assis (SC), George Passos (SE), Irina Storni (DF), João Dieguez (MG), Luiz Carlos Azedo (DF), Raimundo Nonato Bandeira (PB), Raquel Dias (CE), Renata Bueno (PR), Welberth Rezende (RJ); e como suplentes Laura Helena Pinheiro (RN), Lenin Rodrigues Santos (RR), George Gurgel (BA), Marcelo Aguiar (DF), Dulce Galindo (RJ), Terezinha Vitale (DF), Azuaite França (SP), Francisco Almeida (DF), Robéria Balbino (PB) e Talien Stofelli (SC).
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Presidente eleito da legenda, Comte Bittencourt concedeu entrevista nesta quarta-feira (11) durante visita aos estúdios da rádio Mania, no Centro de Niterói. Na conversa, ele comentou o cenário político nacional, a situação interna do partido e os desafios da política no estado do Rio de Janeiro.

Durante a entrevista, Bittencourt comentou o atual momento vivido pelo Cidadania e as disputas internas que envolvem a direção nacional da legenda. “A gente tá vivendo uma crise no Cidadania nesse momento. Eu fui eleito em setembro de 2023, e depois por questões internas, em outubro de 2025, nós tivemos uma crise enorme dentro do partido e o ex-presidente usando de recursos cartoriais judicializou um processo que é muito doloroso para um partido de mais de 100 anos. Hoje eu sou o presidente eleito num congresso por maioria e existe um outro presidente eleito em outro congresso por uma minoria”.
O ex-parlamentar também avaliou os principais desafios do estado do Rio de Janeiro, especialmente em relação à articulação entre os municípios da região metropolitana. “A principal ausência aqui no Rio de Janeiro é de políticas de região metropolitana. Existe uma lei que criou um órgão de gestão metropolitana mas que não funciona, não há uma cultura de articulação de municípios. A gente vive num aglomerado de cidades, cada uma querendo resolver o seu problema e não compreendendo que ela faz parte de um conjunto territorial que tem 21 municípios. Quando o estado é fraco, você acaba não tendo as ferramentas necessárias para você induzir os municípios a terem uma política que possa ser uma política de maior articulação, maior integração. Ai vai virando essa região altamente desorganizada onde não se tem uma política pública que possa articular com sinergia as cidades do Rio de Janeiro.”
Ao analisar o cenário político nacional, Bittencourt destacou o crescimento da polarização e da intolerância no debate público. “Temos uma intolerância muita grande na sociedade mundial hoje, as pessoas não estão dispostas a sentarem de modo civilizado e sem agressividade e discutirem as suas divergências. Divergência faz parte do ambiente democrático e a democracia é justamente aquele bem que garante a diversidade, a pluralidade e o bom convívio com todos”.
Por fim, ele também falou sobre o momento atual de sua trajetória política e os planos para o futuro. “Estou num processo agora de diminuir as minhas atividades, eu não disputarei mais eleições, foram 30 anos de mandado eletivo aqui por Niterói e pelo estado do Rio de Janeiro. Nesse momento eu quero contribuir ajudando no debate, na vida partidária, contribuindo com as candidaturas que me representam e que entendo que possam contribuir para que o Rio de Janeiro e o Brasil encontrem os melhores caminhos e práticas políticas”.
Na vida pública, Plínio Comte Leite Bittencourt construiu uma trajetória de décadas na política fluminense. Foi deputado estadual por quatro mandatos, presidiu a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e também atuou como vice-prefeito de Niterói.