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UFF convida para a 15ª edição do Festival Interculturalidades

O festival é gratuito e reúne shows, espetáculos teatrais, exposições, oficinas, rodas de conversa, cortejos, performances e encenações populares

relogio min de leitura | Redação
Boi das Águas escondidas
Boi das Águas escondidas -

De 16 a 22 de setembro, o Centro de Artes UFF abre suas portas para o 15º Interculturalidades - A Roda do Mundo: Mestres, Encantados e Cazumbás. O festival é gratuito e reúne shows, espetáculos teatrais, exposições, oficinas, rodas de conversa, cortejos, performances e encenações populares. A primeira edição do Interculturalidades aconteceu em 2002 e, desde então, transforma a universidade em um local de encontro entre diferentes territórios culturais, conectando modos de viver e reconhecendo nas culturas populares seu traço vivo e contemporâneo.

Este ano, o projeto conta com a participação do músico Tiganá Santana, da cantora Juliana Linhares, da Mestra do forró Anastácia, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e do Teatro Oficina, entre muitas outras atrações. A programação está organizada em dois eixos centrais de atividades: de um lado, um grande encontro de Mestres e Mestras do território do Rio de Janeiro, portadores de saberes transmitidos entre gerações e mantidos vivos nas comunidades e, de outro, a mostra Jaguaretê - Reantropofagias da Cena, reunindo artistas indígenas que fazem da cena teatral um território de retomada. Outras figuras também participam desse encontro, como o cazumbá, brincante encantado do boi, que chega com seus tambores, máscaras, danças e mistérios.


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Segundo Leonardo Guelman, Superintendente do Centro de Artes UFF, “essa edição procura criar ressonâncias entre dois núcleos de ancestralidades: A roda dos Mestres nos coloca diante de uma multiplicidade viva da cultura e a mostra Jaguaretê de teatro indígena ativa outras percepções, que reorientam o sentido da vida contemporânea. É para essas experiências, marcadas por resistências, memórias e possibilidades de transformação, que queremos trazer o público”.

A 15ª edição do Interculturalidades é uma realização da Universidade Federal Fluminense, por meio do Centro de Artes UFF e da Fundação Euclides da Cunha, e do Ministério da Cultura por meio da Política Nacional Aldir Blanc. O evento conta com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro e o patrocínio da Prefeitura de Niterói, através da Secretaria Municipal das Culturas.

Programação

Ao longo da semana, diferentes formas de encontro ocupam o Centro de Artes da UFF: aulas abertas e oficinas, nas quais o conhecimento se faz pela experiência e pelo corpo; encontros de Mestres e Mestras, que aproximam trajetórias, memórias e saberes-fazeres; diálogos e debates, que colocam em relação diferentes pensamentos, experiências e territórios; shows, performances e peças teatrais, nos quais outros corpos, narrativas e mundos ganham presença; e exposições e mostras, que ampliam os modos de olhar, registrar e compartilhar essas experiências.

No dia 16 de setembro, abertura do Festival, um dos destaques é o espetáculo do Boi das águas escondidas, um projeto da Companhia Mãos Calejadas realizado a partir de uma residência artística no Centro de Artes UFF, que apresenta o auto do bumba-meu-boi, entrecortado pelos momentos de canto, dança e da batucada dos pandeirões, matracas e onças. Na sequência, as Caixeiras do Divino se apresentam, grupo de mulheres percussionistas e cantoras que conduzem os rituais da tradicional Festa do Divino Espírito Santo no Maranhão. Fechando o dia, o Mestre Cidel comanda um set de reggae maranhense da Casa Roots.

O dia 17 reúne convidados na mesa Metamorfoses Urbanas: corpos, batalhas e brincadeiras, sobre Hip-hop, bate-bolas, macacos e outras manifestações que colocam em cena diferentes modos de ocupar, provocar e transformar a cidade. No mesmo dia, um pouco mais tarde, Slipmami divide o palco com Helena Peres, Ian Travassos, Mari Torquato e Pendrivor. Com suas composições provocativas e explícitas, a rapper e compositora da baixada fluminense Slipmami se tornou um dos maiores fenômenos do trap feminino no Brasil nesta década.

O debate sobre políticas públicas culturais, na mesa Políticas Públicas - Arte do saber-fazer e territórios, abre a programação da sexta, dia 18, trazendo como convidados os Secretários de Cultura de Santo Antônio de Pádua, Niterói, Nova Friburgo, Angra e Volta Redonda. A mesa tem a mediação do Superintendente do Centro de Artes UFF, Leonardo Guelman e do advogado, professor e pesquisador na área de direitos culturais, Mário Pragmácio. A conversa propõe uma reflexão sobre a responsabilidade das políticas públicas culturais na sustentação dos territórios e seus saberes: como fazer a política chegar ao chão onde a cultura acontece, garantir acesso de mestres e coletivos às políticas existentes e criar condições para que seus saberes não apenas resistam, mas continuem sendo praticados, transmitidos e transformados.

Na parte da tarde, acontece a aula aberta A mestria na universidade: O tambor que fala com o Mestre Ogã Kotoquinho, guardião e transmissor de saberes ancestrais dos tambores. Um encontro de trajetórias, memórias e conhecimentos que atravessam som, corpo, espiritualidade e território. Participam da aula como convidados: Mestre Ogã Kotoquinho, Lúcia Cavalieri, Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (FEUFF) e demais Mestres participantes do Encontro de Saberes da UFF.

Fechando o dia, a mesa de debate Artes Indígenas: outros mundos em cena reúne Denilson Baniwa e Zahy Tentehar discutindo a valorização dessas produções e do protagonismo indígena nos diferentes processos artísticos — da criação à curadoria, da produção à circulação. Na Roda do Mundo, que cena se transforma quando os povos indígenas ocupam seus espaços e assumem a condução de suas próprias narrativas?

No sábado, dia 19, já na parte da manhã, acontece um grande encontro de Mestres e Mestras, uma verdadeira roda entre diferentes mundos de saber e fazer. Mestres de jongo, de tradições caiçaras, de terreiro, do boi e de outras formas de conhecimento que atravessam territórios e gerações chegam à universidade para compartilhar histórias, memórias e experiências. Cada Mestre traz um objeto de memória relacionado ao seu saber-fazer. A partir dele, abre-se uma conversa sobre origens, aprendizagens, territórios, pessoas que ensinaram, caminhos percorridos e aquilo que hoje se transmite a outras gerações.

Participam desse encontro: Mestra Fatinha (Jongo do Pinheiral), Mestre Nico, do Caxambu (Pádua); Mestra Noinha (Jongo de Campos dos Goytacazes); Mestre Geraldinho; Mestre Biano, Mestras Maria Luiza e Marcela (Nova Friburgo), Mãe Célia e Pai Cid (Volta Redonda); Mestre Chico, pescador (Itaipu, Niterói); Mestre Kotoquinho (Baixada); Mestra Marilda (Angra), Mestre Cidel Trindade (Niterói), Juninho (Pádua), Deodoro (Pádua); Preta (Pádua); Geisa Keti (samba, Rio de Janeiro), Cacique Miro (Angra); Mestre Dedé (do Reisado, Juazeiro do Norte), Zé Nilton e Edmilson Santini (mediação).

De noite, sobe ao palco o músico, diretor artístico e pesquisador Tiganá Santana. O multi-artista foi o primeiro compositor brasileiro a apresentar um álbum com a presença de canções em línguas africanas.

No domingo, dia 20, acontece o desdobramento da roda de Mestres e Mestras, que, dessa vez, parte de uma pergunta simples e ampla: como diferentes povos e comunidades aprendem a cuidar da vida? Cuidar pode ser reconhecer um adoecimento, tratar um corpo, buscar uma planta, realizar um ritual ou pedir proteção. Mas também pode ser dançar, cantar, brincar, festejar, agradecer, cumprir uma promessa, reunir a comunidade.

Fechando as atividades do dia, dividem o palco: Anastácia, mais conhecida como “a rainha do forró”, ex-esposa de Dominguinhos e sua parceira musical, e a multi-artista Juliana Linhares.

Na segunda, dia 21, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e Solange Teia dos Povos, com a mediação de Ana Paula Morel, se reúnem na mesa Quantos mundos cabem num mundo?. Mais do que diferentes maneiras de olhar para uma mesma realidade, interessa pensar a possibilidade de outros modos de existência.

Ainda nesse dia, é possível conferir a performance Transmutação, com a participação dos multi-artistas Olinda Tupinambá e Ziel Karapotó. Duas forças da Natureza, das matas e das águas se corporificam nessa apresentação, por meio de figuras híbridas que manifestam a relação corpo-território, seres humanos e não humanos. A performance se configura como um manifesto político e poético, alicerçado sobre o conceito de Florestania, com a ação de semear, reflorestar, curar a Natureza e, principalmente, os espíritos humanos!

Outra atração é o espetáculo teatral SER-HUMA-NÓS, um solo que une, resgata e faz ecoar memórias e narrativas ancestrais de mulheres indígenas. A obra entrelaça corpo, território, rio e memória, convocando as vozes das primeiras mulheres para dialogar com o presente. Inspirada nas cosmologias Baniwa, a performance reflete sobre ancestralidade, Bem Viver e a continuidade da vida, fazendo do corpo um território de memória e resistência.

Na terça, dia 22, no encerramento do Festival, acontece a esperada apresentação do Teatro Oficina Uzina Uzona, em parceria com artistas indígenas, com leitura encenada de trechos da peça A queda do céu. A dramaturgia é de Zé Celso e Fernando de Carvalho, juntamente com Felipe Botelho, Pedro Felizes e Roderick Himeros, e se baseia no livro A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert. A encenação foi retomada após a travessia de Zé Celso, em 2023.

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