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Roberto Salles, reitor eleito da UFF, traça prioridades para gestão que inicia em novembro

Salles também destacou a atuação que será desempenhada pela vice-reitora eleita, Luciana de Freitas, na futura administração

relogio min de leitura | Nayra Silva com edição de Cyntia Fonseca 22 de junho de 2026 - 14:30
Professor titular do Instituto Biomédico, Roberto Salles
Professor titular do Instituto Biomédico, Roberto Salles -

Eleito para comandar a Universidade Federal Fluminense (UFF) no quadriênio 2026-2030, o professor titular do Instituto Biomédico Roberto Salles, que terá a professora Luciana de Freitas como vice-reitora, afirmou que a futura gestão terá como prioridades a recomposição orçamentária da instituição, o fortalecimento da assistência estudantil, melhorias na infraestrutura e a ampliação do diálogo com a comunidade acadêmica. A posse está prevista para novembro.

Em entrevista à O SÃO GONÇALO, Salles classificou a vitória como motivo de felicidade, mas criticou o clima da campanha eleitoral. Segundo ele, o processo foi marcado pela circulação de informações falsas e ataques durante a disputa. Apesar disso, destacou que a comunidade universitária soube avaliar as propostas apresentadas pelos candidatos.

“Estou muito feliz com o resultado, mas foi uma campanha muito dura, marcada por fake news e ataques. Felizmente, a comunidade universitária soube avaliar as propostas e escolher o projeto que considerou melhor para a UFF”, afirmou. 

Ao explicar o retorno à disputa pela reitoria, cargo que ocupou entre 2006 e 2014, o professor disse que decidiu concorrer novamente por acreditar que a universidade precisa retomar projetos de expansão e investimentos em infraestrutura. Ele destacou realizações de sua gestão anterior, como a construção de novas unidades acadêmicas, reformas, a expansão da presença da UFF em municípios do estado e investimentos em equipamentos e instalações universitárias. 

O professor disse que decidiu concorrer novamente por acreditar que a universidade precisa retomar projetos de expansão
O professor disse que decidiu concorrer novamente por acreditar que a universidade precisa retomar projetos de expansão |  Foto: Layla Mussi

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“Nós fizemos muitas obras na minha gestão anterior, ampliamos campi, construímos unidades acadêmicas e fortalecemos a presença da UFF em várias regiões. Acho que a universidade precisa voltar a crescer e recuperar o protagonismo que já teve”, declarou.

Questionado sobre as diferenças entre sua primeira passagem pela reitoria e o mandato que assumirá em novembro, Salles afirmou que retorna ao cargo com mais experiência e conhecimento sobre a estrutura administrativa da instituição.

“Hoje eu conheço muito mais a universidade, conheço melhor os caminhos administrativos e os desafios que teremos pela frente. Isso certamente ajuda na construção de soluções”, disse.

Diagnóstico financeiro e busca por recursos

Segundo o reitor eleito, uma das primeiras medidas será realizar um diagnóstico financeiro detalhado da universidade. A intenção é avaliar a situação orçamentária da instituição e identificar os desafios que serão enfrentados já no início da gestão.

“Precisamos entender exatamente qual é a situação orçamentária da universidade para definir prioridades e buscar recursos junto ao Ministério da Educação, às agências de fomento e também por meio de emendas parlamentares”, afirmou.

Salles também defendeu a ampliação da captação de recursos por meio de órgãos de incentivo à pesquisa, como Capes, CNPq e Faperj, além da participação da universidade em projetos financiados por agências reguladoras e instituições públicas.

Uma das primeiras medidas será realizar um diagnóstico financeiro detalhado da universidade
Uma das primeiras medidas será realizar um diagnóstico financeiro detalhado da universidade |  Foto: Layla Mussi

Permanência estudantil como prioridade

A assistência estudantil aparece entre os principais pontos da futura administração. Para o professor, garantir que os estudantes permaneçam na universidade é um dos maiores desafios enfrentados pelas instituições federais de ensino superior.

A assistência estudantil aparece entre os principais pontos da futura administração
A assistência estudantil aparece entre os principais pontos da futura administração |  Foto: Layla Mussi

“Não adianta ampliar vagas se o estudante não consegue permanecer na universidade. Precisamos fortalecer políticas de alimentação, transporte, moradia e permanência estudantil para combater a evasão”, declarou.

Salles citou ainda a necessidade de ampliar investimentos voltados para alunos em situação de vulnerabilidade social e defendeu maior articulação com prefeituras dos municípios onde a UFF possui unidades acadêmicas.

Outro tema abordado foi a necessidade de tornar a universidade mais atrativa para os jovens. O futuro reitor defendeu uma discussão sobre os currículos dos cursos e a ampliação das oportunidades de estágio.

Segundo ele, a formação universitária deve estar cada vez mais conectada às transformações da sociedade e às demandas do mercado de trabalho. “Temos que discutir currículos, aproximar os cursos das novas demandas da sociedade e ampliar oportunidades de estágio e inserção profissional para os estudantes”, afirmou.

O professor também avaliou que é necessário reduzir burocracias que dificultam o acesso dos alunos aos programas de estágio e fortalecer parcerias institucionais para ampliar as oportunidades oferecidas.

Ao falar sobre a relação da universidade com a sociedade, Salles disse que pretende fortalecer parcerias com prefeituras e ampliar a presença da UFF nos municípios onde a instituição mantém atividades acadêmicas. “A universidade precisa estar cada vez mais conectada com a população e com os desafios das cidades onde atua”, afirmou.

O professor também destacou que pretende adotar uma gestão mais participativa, com maior aproximação entre a reitoria e estudantes, docentes, técnicos-administrativos e trabalhadores terceirizados. “Quero uma gestão aberta ao diálogo, ouvindo todos os segmentos da universidade”, disse.

Entre as medidas defendidas está a retomada de atividades presenciais nos conselhos superiores da universidade, mantendo a possibilidade de participação remota em formato híbrido.

Salles também destacou a atuação que será desempenhada pela vice-reitora eleita, Luciana de Freitas, na futura administração. Segundo ele, a professora terá participação ativa na condução da universidade, especialmente em pautas ligadas às licenciaturas e à formação de professores.

Para o futuro reitor, fortalecer os cursos de licenciatura é uma estratégia fundamental para contribuir com a educação básica e ampliar o impacto social da universidade.

Ao final da entrevista, Roberto Salles reforçou os objetivos da futura administração e afirmou que pretende construir uma universidade mais integrada à sua comunidade acadêmica e à sociedade.

“Espero construir uma universidade mais integrada com sua comunidade, ampliar o diálogo interno e fortalecer áreas estratégicas, como a assistência estudantil, as licenciaturas, a pesquisa, a extensão e a captação de recursos”, concluiu.

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