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Ciclovias cheias e vendas em alta: elétricos mudam rotina das cidades

Levantamento aponta crescimento nas buscas por veículos elétricos, enquanto consumidores destacam economia, agilidade e praticidade no dia a dia

relogio min de leitura | Escrito por Nayra Silva | 13 de maio de 2026 - 09:46
Segundo a Resolução 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bicicletas elétricas que seguem as exigências estabelecidas não precisam de habilitação, emplacamento ou registro
Segundo a Resolução 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bicicletas elétricas que seguem as exigências estabelecidas não precisam de habilitação, emplacamento ou registro -

As motos e bicicletas elétricas estão ganhando cada vez mais espaço nas ruas e despertando o interesse de quem busca economia e facilidade na locomoção diária. Segundo levantamento da Webmotors, as buscas pelo termo “motos elétricas” ultrapassaram 7 milhões nos últimos 12 meses, com crescimento de 22% nas pesquisas online no último trimestre. A tendência também aparece nas vendas. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), entre janeiro e outubro de 2025, foram emplacadas 7.133 motos elétricas no país, crescimento de cerca de 20,5% em relação ao mesmo período de 2024. O Rio de Janeiro aparece entre os estados que mais pesquisaram sobre o tema.

Em Niterói, a procura pelos veículos já é percebida por lojistas. No Centro da cidade, lojas especializadas registram aumento no interesse de consumidores por motos e bicicletas elétricas. Para Leonardo Cardoso, de 46 anos, gerente da X1 Motos, os consumidores buscam principalmente economia e agilidade no dia a dia. “A facilidade de passar pelo trânsito e de estacionar chama muita atenção. Tem pessoas deixando de andar de moto e carro para usar bike elétrica. Ela ajuda a economizar gasolina e estacionamento”, explicou. Segundo ele, os modelos vendidos na loja variam entre R$ 7,5 mil e R$ 10 mil. Entre as principais dúvidas dos clientes estão a autonomia da bateria, o carregamento, a disponibilidade de peças e a capacidade dos veículos para trajetos mais longos.

Leonardo, de 46 anos, gerente da X1 Motos
Leonardo, de 46 anos, gerente da X1 Motos |  Foto: Layla Mussi

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O crescimento dos veículos elétricos acompanha também o aumento do uso das ciclovias em Niterói. Segundo dados do sistema Contabike, a ciclovia da Avenida Marquês do Paraná registrou a passagem de 7.965 bicicletas em um único dia, considerado o maior fluxo do país. Em dois anos, o número de ciclistas no local cresceu 44%. Também localizada no Centro de Niterói, a Ecofy percebeu aumento na procura por bicicletas elétricas nos últimos anos. Para Álvaro Cordeiro, de 33 anos, proprietário da loja, o interesse está ligado principalmente à economia e à praticidade.

“Você evita trânsito, estaciona com mais facilidade e gasta muito menos com energia do que com gasolina. As pessoas também procuram conforto e autonomia no dia a dia”, destacou. Segundo ele, os modelos vendidos na loja variam entre R$ 3.990 e R$ 10.900, dependendo da bateria, autonomia e design. A autonomia da bateria ainda é a principal dúvida dos consumidores antes da compra. “Os clientes querem saber se o veículo aguenta a rotina deles, além de perguntarem sobre manutenção, garantia e segurança”, afirmou. O empresário também destaca que a orientação sobre segurança é indispensável. “A gente sempre recomenda o uso de capacete, respeito às ciclovias e atenção aos sinais de trânsito. Quanto mais a educação no trânsito for respeitada, mais segurança todos terão”, disse.

Para Álvaro Cordeiro, de 33 anos, proprietário da loja
Para Álvaro Cordeiro, de 33 anos, proprietário da loja |  Foto: Layla Mussi

Para quem já aderiu, a mudança pesa positivamente no bolso e na rotina. O professor de jiu-jitsu Adilson, de 57 anos, conta que decidiu comprar uma bicicleta elétrica por causa da facilidade de deslocamento. “Eu tinha que ir várias vezes para o trabalho, dar aula e ir para a faculdade. Com a bicicleta, a locomoção fica muito mais fácil e, em questão de dinheiro, bem mais lucrativa”, afirmou. Apesar dos benefícios, Adilson destaca que a segurança precisa ser prioridade, principalmente nas ciclovias. Para ele, o uso de capacete, o controle da velocidade e a educação no trânsito são fundamentais para evitar acidentes. “A segurança é essencial. Bicicleta, como moto, precisa de cuidado. Também é importante que motoristas respeitem os ciclistas e que os pedestres entendam que ciclovia é para bicicleta”, disse.

O professor de jiu-jitsu Adilson, de 57 anos
O professor de jiu-jitsu Adilson, de 57 anos |  Foto: Layla Mussi

O empresário Hélio, de 50 anos, também vê vantagens no uso das bicicletas elétricas. Para ele, a economia é apenas um dos benefícios. “A praticidade é muito grande. Você consegue acessar vários pontos, parar em lugares onde não pararia de carro e ainda não precisa gastar com combustível”, destacou. Hélio também cita a facilidade para circular em trajetos curtos e lembra que algumas bicicletas elétricas não exigem habilitação, dependendo das características do veículo.

O empresário Hélio, de 50 anos
O empresário Hélio, de 50 anos |  Foto: Layla Mussi

Segundo a Resolução 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), bicicletas elétricas que seguem as exigências estabelecidas não precisam de habilitação, emplacamento ou registro. Para se enquadrar nessa categoria, o veículo deve possuir pedal assistido e limite de velocidade dentro das regras definidas pelo órgão. Já as motos elétricas classificadas como ciclomotores exigem Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A, além de registro e emplacamento, conforme as normas de trânsito.

Além da economia com combustível, os veículos elétricos também costumam apresentar menor custo de manutenção em comparação aos modelos tradicionais. A facilidade para estacionar e circular em cidades com trânsito intenso aparece entre os principais atrativos para os consumidores. Com mais espaço nas ruas, ciclovias cada vez mais movimentadas e consumidores em busca de economia e agilidade, motos e bicicletas elétricas deixam de ser tendência e passam a fazer parte da rotina de quem busca alternativas para enfrentar o trânsito das cidades.

Sob supervisão de Marcela Freitas 

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