Primeira transmissão de rádio no Brasil completa 104 anos
Em 1923, o Rio ganhou a sua primeira emissora de rádio, a Rádio Sociedade Rio de Janeiro, fundada por Edgard Roquette Pinto

Companheiro fiel de muita gente há tanto tempo, o rádio segue firme e forte como um dos veículos de comunicação com maior relevância e credibilidade do mercado. Segundo dados da Kantar Ibope Media, o rádio atinge 83% da população das grandes cidades brasileiras. Os ouvintes escutam, em média, quatro horas de rádio por dia, entre o tempo no trânsito e no trabalho.
Essa história consolidada e de sucesso entre o rádio e a população brasileira começou há 104 anos. Ouvimos as primeiras vozes dentro da latinha no dia 7 de setembro de 1922, durante a comemoração ao centenário da Independência do Brasil, no governo de Epitácio Pessoa. Com apenas 80 receptores, os cariocas puderam ouvir o discurso do presidente, realizado na Praça XV.
Em 1923, o Rio ganhou a sua primeira emissora de rádio. Fundada por Edgard Roquette Pinto — considerado o Pai da Radiodifusão — entrou no ar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A programação incluía cursos e palestras científicas sobre diversos temas, notícias e música, com transmissão de cantores líricos e canções brasileiras.
Após o pontapé inicial, outras emissoras foram surgindo e algumas acumulam anos de tradição, como a Rádio Globo, uma jovem senhora de 81 anos, e a Rádio Tupi, que vai completar 91 anos em setembro.
Alerj nas ondas do rádio
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) entende a importância do rádio como ferramenta de informação e comunicação com a população fluminense. Por isso, conta com a Rádio Alerj. Fundada em 30 de junho de 2022, em uma parceria com a Rádio Senado, pode ser sintonizada no canal 105.9 FM do dial.
A emissora apresenta, de segunda a quinta-feira e aos fins de semana, das 9h às 13h, e às sextas-feiras, das 15h às 19h, conteúdos produzidos especialmente para o público do estado do Rio de Janeiro.
A programação conta com nomes de peso e combina informação, prestação de serviço, cultura e entretenimento, abordando temas relacionados ao cotidiano da população, aos direitos do consumidor, às atividades do Parlamento e à cultura musical brasileira.
Mais do que um veículo de transmissão, a Rádio Alerj representa uma importante ferramenta de comunicação pública, aproximando a Assembleia da sociedade.
Experiência e renovação
Uma das coisas mais fascinantes do rádio é unir diversas gerações. A experiência de quem já acumula bagagem de longos anos, com o frescor, a curiosidade e a potência dos mais jovens.
Com 40 anos de carreira, o comunicador Fernando Ribeiro, o Cabeção, faz parte do time dos veteranos. Atualmente, apresenta o programa Papo Cabeça, na TV Alerj e integra o time de redes sociais da Casa. Ele começou como DJ da Furacão 2000 e participava da Rádio Antena 1. Em 1992, ganhou seu primeiro programa, na Rádio Costa Verde. Mas, a história com o rádio começou bem antes.
“A primeira vez que falei no microfone de uma rádio foi em 1982. Meu irmão, que também era DJ, estava dando uma entrevista no Clube do Som da Rádio Panorama e me chamou para participar. Nunca mais esqueci”, relembra. Cabeção também foi comunicador da FM O Dia, sendo referência no segmento popular.
Os jovens também estão ocupando os microfones. Na contramão de quem afirma que o rádio vai acabar, o comunicador Ryan Lobo, de 30 anos, mostra que a latinha se renova sempre. Comandando um programa diário na Rádio Globo, o amor pelo rádio vem de berço. “A minha primeira lembrança do rádio vem do meu avô, que ficava o dia inteiro ouvindo Rádio Globo no radinho de pilha, sentado no sofá, enquanto assistia televisão. Inclusive, ele ouvia rádio na hora de dormir”, conta.
Apesar de jovem, Ryan já tem uma carreira consolidada no dial carioca. “A minha história no rádio começou com uma oportunidade que tive enquanto fazia faculdade, na BandNews FM, em 2018. A emissora estava com vagas e eu me candidatei, passei no processo seletivo e fiquei como estagiário por um ano e meio, vindo a ser efetivado como repórter, cargo que ocupei por 2 anos na Band. Já são 8 anos de rádio”, diz.
Entrando todos os dias na casa e no trabalho de tanta gente, os dois acumulam lembranças inesquecíveis. Para Cabeção, o momento mais marcante da carreira foi uma entrevista com o Padre Marcelo Rossi. “Ele tem uma energia que não tem como descrever. A sensação é que eu estava flutuando”, recorda.
Ryan relembra o dia em que deu seu primeiro furo de reportagem, em um programa de alcance nacional. “O caso foi abordado pelo Datena no Brasil Urgente. Uma idosa de 95 anos, que havia quebrado o braço, foi para o hospital retirar o gesso e o gesseiro acabou passando o equipamento na pele. Ela chegou a informá-lo por algumas vezes que estava machucando, mas ele não levou a sério e causou uma grande lesão. Eu peguei esse caso no Twitter, vi a denúncia da neta dela, entrei em contato, apurei, fiz a matéria e ela conseguiu a repercussão que precisava para que o funcionário e o hospital pagassem por aquilo”, recorda.
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É claro que comandar um programa diário coleciona momentos divertidos. O imprevisível que só o ao vivo proporciona é o que torna a profissão ainda mais dinâmica e divertida. O radialista nunca sabe o que virá do entrevistado. E foi exatamente o que aconteceu em uma entrada ao vivo do Ryan, na Central do Brasil. “Recentemente, fazendo um povo fala sobre a Copa, abordei um homem que estava completamente bêbado, perguntando a ele quem faria os gols do Brasil na estreia da Copa do Mundo. Ele conseguiu responder 'Vini Junior', mas depois não conseguiu mais pronunciar os nomes dos outros jogadores. Eu tive que usar o improviso, dar uma descontraída e encerrar a minha participação”, conta, rindo.
Já a lembrança mais marcante de Cabeção foi no Ano Novo de 1996, na Rádio RPC. “Engraçado e inesperado foi o Réveillon ao vivo na RPC. A maioria das rádios grava a passagem do ano. Nós fizemos uma festa de verdade, com comida e bebida e todos os DJs que tinham programa na Rádio. Uma loucura”, recorda, animado.
O futuro do rádio
Da primeira transmissão de rádio no Brasil até hoje, muita coisa mudou. Com a chegada da internet, o rádio se adaptou e é possível ouvir e ver a programação da sua emissora preferida na palma da sua mão ou na tela do computador.
Ryan e Cabeção apostam que o veículo vai seguir se reinventando, acompanhando a tecnologia e mantendo seu posicionamento de relevância dentro do mercado. “Eu imagino o futuro do rádio bem constante, em uma crescente. Há pesquisas que mostram que a credibilidade do rádio está à frente de qualquer outro veículo de comunicação. Além disso, o rádio é o veículo que permite uma aproximação maior entre os comunicadores e os ouvintes. Nenhum outro veículo de comunicação consegue causar a sensação de pertencimento que o rádio é capaz. Sendo assim, vejo o rádio cada vez mais forte, moderno, atualizado e adaptado às novas realidades”, afirma Ryan.
“O Rádio sempre 'dança conforme a música'. Sempre acompanha a evolução do mercado. As rádios hoje também estão nas plataformas digitais. No futuro eu aposto em rádios mais segmentadas, direcionadas para um público específico”, conclui Cabeção.
Seja no bom e velho modelo a pilha ou em um aplicativo no celular, o rádio segue forte e vivo, levando informação, música, entretenimento e companhia para tanta gente, mundo afora. Vida longa ao rádio!