Mitos e verdades sobre a segurança das urnas eletrônicas; veja o que muda nas eleições 2026
Em entrevista a O SÃO GONÇALO, secretário de Tecnologia da Informação, Michael Kovacs desmistifica informações sobre as urnas eletrônicas

Em outubro deste ano, os eleitores deverão decidir quais candidatos ocuparão os cargos de presidente, governador, senadores e deputados estaduais e federais. Contudo, para que essa decisão ocorra, existe o processo eleitoral através das Urnas Eletrônicas, que nos últimos anos vêm sendo alvo de questionamentos e fake news sobre a segurança.
O equipamento das Urnas Eletrônicas foi usado pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, com a participação de mais 200 mil eleitores, em 57 cidades do país, incluindo 26 capitais. Apesar de as urnas estarem presentes nas eleições há anos, ainda há dúvidas em relação à inviolabilidade, segurança e fiscalização.
Para esclarecer essas e outras questões referentes às Urnas Eletrônicas, a reportagem de O SÃO GONÇALO foi ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), para conversar com o secretário de Tecnologia da Informação, Michael Kovacs, que explicou como funciona o equipamento e mostrou as novidades que aguardam os eleitores em outubro.

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O secretário ressaltou que as urnas eletrônicas não têm relação com internet ou redes sociais, e sim, apenas com o sistema oficial da Justiça Eleitoral, por meio de uma identificação digital.
“A urna eletrônica é projetada para ser segura, mesmo que seja aberta. Então, a primeira camada de segurança é que ela não está conectada na internet, não tem nenhum dispositivo componente que permita uma conexão sem fibra, TPU, algo do tipo. E ela possui tecnologia suficiente para se proteger de ataques. Então, a urna só roda o sistema oficial da Justiça Eleitoral através da identificação de uma tecnologia chamada assinaturas digitais. Se alguém tentar colocar um outro sistema para adulterar a urna, não consegue. Isso tudo é comprovado por testes, a gente faz. É chamado teste público da urna, que especialistas vão tentar atacar a urna e fazer esses tipos de teste para ver se ela consegue se defender positivamente”, explicou.

Antes de as urnas chegarem à população, é realizada uma série de testes para garantir que o voto realmente é registrado. Essas inspeções não são feitas apenas por especialistas da Justiça Eleitoral, mas também conta com entidades públicas e até mesmo universidades.
“Quando a gente desenvolve o sistema, o sistema é todo desenvolvido pela Justiça Eleitoral, mas primeiro de tudo ele é aberto. Desde 2004 que o código foi lançado aberto, as entidades que fiscalizam o processo são muitas: OAB, Ministério Público, Polícia Federal, universidades que têm curso de tecnologia, podem inspecionar o código e ver se está tudo correto. E também temos testes de invasão, chamado ‘teste público da urna’, qualquer brasileiro pode se inscrever, especialistas em cibersegurança, engenharia, participam e verificam se há algum problema, principalmente nessa questão do registro do voto. Também temos o ‘teste de integridade’ no dia da eleição com o teste todo filmado, com urnas que estavam totalmente prontas para a eleição, que garante que cada voto é registrado e depois ele é somado naquele boletim de urna. Então essa série de testes que nós temos garante basicamente que o teste do voto seja registrado corretamente”, disse Michael Kovacs, que ressaltou que o voto é sigiloso e que nem a Justiça Eleitoral sabe em quem cada eleitor votou.

Mesmo com todos os testes que asseguram a segurança e a qualidade do equipamento, pode ocorrer alguma questão que faça o mesário substituir a urna. Os votos registrados não são perdidos, e sim transferidos para a nova urna, como explica o secretário.
“A gente preza muito pela garantia de que cada voto registrado não seja perdido. Então, por isso, ao final da votação, os votos ficam gravados em três locais diferentes na urna. Tem uma memória interna, uma segunda mídia, que é uma espécie de pendrive, chamamos de mídia aplicação e tem a terceira mídia que é a mídia de resultado. Parece um pendrive, mas tem toda segurança, candidatura, assinaturas digitais, para garantir que o voto não seja alterado depois que a urna for gravada. Então, tendo esses votos gravados em três locais, é muito difícil, praticamente impossível, perder os votos de alguém. Quando há uma alguma urna com algum defeito, o que fazemos? A gente transfere uma mídia dessas de uma urna para a urna reserva, que a gente chama de mídia de contingência, e fazemos a transferência desses votos e a votação prossegue”, explicou detalhadamente o secretário.
Para que haja maior transparência na verificação de votos, os eleitores ainda podem conferir os votos tanto de sua zona eleitoral, como em qualquer outro lugar do Brasil.
“Temos o site resultados tse.jus.br, que é o site onde o cidadão pode acompanhar a apuração, e totalização dos votos. Conforme o TSE recebe os arquivos das urnas eletrônicas, ou seja, de cada seção eleitoral onde cada cidadão vota, o cidadão pode conferir, o resultado de urna a urna, cargo a cargo, candidato a candidato, quantos votos foram recebidos, ele pode comparar com o boletim de urna em papel que sai da urna. [...] Então, na prática, no dia da eleição temos milhares de auditores, milhares de fiscais e cidadãos que podem auxiliar nisso também”, explicou Michael.

Novidades nas eleições de 2026
Além de a urna não ser conectada na internet, ela ainda tem um sistema novo a cada eleição, justamente para garantir melhores condições de votos para todos os eleitores.
“Como a urna é desconectada da internet, temos que instalar o sistema novo a cada eleição. Temos o mesmo mecanismo de fazer uma auditoria neste momento para quê? Para verificar que aquele sistema instalado em cada urna condiz com um sistema oficial do TSE".
Sabendo que cada eleição tem um novo sistema instalado na urna, este ano haverá pelo menos três mudanças.

1ª mudança: Barra de progressão
Agora irá aparecer no alto da tela a sequência de cargos a serem votados. “No topo da tela de votação tem uma barra de progressão que vai mostrar o caminho de cada cargo em votação para o eleitor saber exatamente que cargo que ele tá votando e qual é o seguinte, muitos eleitores se confundem nesse momento”, disse o secretário.
2ª mudança: Acessibilidade
A questão da acessibilidade não foi deixada de lado pelo órgão eleitoral que, inclusive, foi sugestão de uma instituição de ensino, durante os testes públicos. “Temos algumas melhorias de acessibilidade. Foi feita uma sugestão pela USP da melhoria das letras, da fonte da tela da urna para que elas sejam mais legíveis para portadores de baixa visão. E além disso, auxiliar de libras, ela também vai identificar agora quando é voto nulo, o voto branco ou voto de legenda, além do cargo e votação também”, explicou Michael Kovacs.
3ª mudança: Inserir o CPF (Cadastro de Pessoa Física)
Para agilizar o ato de votar, a partir de agora, o eleitor irá cadastrar o CPF no terminal do mesário em vez do Título de Eleitor. “A identificação agora do eleitor pode ser a partir do CPF, aqui onde é o terminal do mesário, onde o mesário identifica o eleitor. Porque muitos documentos não têm o título de eleitor. Então, isso, a gente espera que acelere e muito a identificação do eleitor pelo CPF”, contou.
