Dia do Motorista: histórias e desafios de quem passa a vida no volante
Profissionais relatam a rotina e relembram os desafios e momentos que marcaram suas carreiras

Neste dia 25 de julho, é comemorado o Dia do Motorista e de São Cristóvão, padroeiro da categoria. Para quem vive atrás do volante, dirigir vai muito além de um meio de transporte. É profissão, sustento e, em muitos casos, uma vocação.
O SÃO GONÇALO foi às ruas escutar profissionais de diferentes áreas de atuação, contando um pouco sobre suas histórias da profissão, momentos marcantes e os desafios enfrentados diariamente no trânsito.
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Há cerca de 25 anos como motorista de ônibus, Luziano da Conceição Silva, de 51 anos, morador de Itaboraí, diz que a paixão por dirigir começou ainda na infância.
"Sempre gostei de dirigir. Desde pequenininho sou apaixonado por isso. E vou continuar em frente. O dia que eu fico em casa de folga dá vontade de vir correndo para voltar a dirigir. É um vício”, contou com bom humor.

Apesar do amor pela profissão, ele afirma que a rotina também tem seus desafios. Um dos principais é lidar com a falta de troco durante a jornada.
"Às vezes o troco acaba e você fica doidinho. Tem que parar no posto para resolver o problema", disse.
Com aproximadamente 30 anos de profissão, o taxista José Fernandes Souza da Silva, de 69 anos, conta que aprendeu a dirigir com um tio, aos 12 anos de idade, em Belford Roxo.
"Meu tio tinha um fusquinha. Acho que 60 ou 59. Ele sabia que eu gostava e perguntou se eu queria prender. E foi ali que eu comecei a aprender a dirigir, naquele carrinho dele", disse.
José afirma que a carreira exigiu abrir mão de muitos momentos ao lado da família para garantir o sustento da casa, mas que a profissão o ajudou a se reerguer durante um momento de instabilidade.

"É uma vida sofrida porque, às vezes, você abre mão da família para ficar na rua trabalhando. A gente depende dos passageiros. Eu cheguei a perder minha casa e tive que trabalhar muito para reconstruir tudo de novo. Já tinha uma certa idade, cerca de 40 anos e uma criança pequena em casa, então tive que cair dentro mesmo", relembrou.
Ao longo dessas três décadas, José passou por diversas situações de risco. A mais marcante foi um sequestro seguido de assalto, há cerca de 20 anos, quando teve uma arma apontada para a cabeça.
"Eu achei que fosse morrer. A arma ficou na minha nuca. Eu só estou aqui porque Deus quis. Depois desse dia fiquei mais de 30 dias sem conseguir colocar a mão no volante. Foi a única vez que realmente me abalou", afirmou.
Também taxista, Alexandre Araújo, de 59 anos, entrou na profissão após perder o emprego há 33 anos. Desde então, nunca mais deixou o volante. Entre tantas histórias vividas, uma delas permanece viva na memória.
"Eu acompanhava um cliente já idoso nas idas ao hospital. Um dia levei ele e, durante o caminho, ele disse: 'Seu Alexandre, acho que dessa eu não volto mais'. Foi a última vez que o vi. Deixei ele no hospital e depois soube que ele faleceu”, contou emocionado.

Para Alexandre, o trânsito também mudou bastante ao longo dos anos e se tornou mais perigoso.
"Hoje as pessoas estão muito mais impacientes e violentas. Há 20 anos era diferente. Além disso, nós, taxistas, estamos meio abandonados, sem apoio. A concorrência aumentou muito e a gente segue tentando sobreviver", desabafou.
Outro momento marcante foi vivido pelo taxista Fábio Farias Chagas, de 41 anos, que atua na profissão há 20 anos. Ele conta que, há cerca de uma década, recebeu um chamado que rapidamente se transformou em uma corrida de emergência.
Ao chegar ao local de embarque da passageira, em Neves, encontrou uma gestante que já estava com a bolsa rompida e precisava ser levada imediatamente ao hospital.

"Ligaram para o ponto, falando que uma mulher estava passando mal. Quando cheguei lá,a mulher estava em trabalho de parto. A bolsa já tinha estourado. Coloquei uma toalha no banco e levei ela direto para o pronto-socorro", relembrou.
Motorista de ambulância há cerca de dez anos, Valdeci Batista da Silva Mota destaca que a maior recompensa da profissão é poder ajudar quem precisa.

"É muito gratificante porque você socorre quem realmente está precisando. Você conhece muita gente e sente que está contribuindo para a sociedade. É uma profissão muito boa", afirmou.
Sob supervisão de Marcela Freitas