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Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha; saiba mais sobre essa data comemorativa

A celebração carrega um forte significado político e social

relogio min de leitura | Caroline Flores 24 de julho de 2026 - 12:42
O dia 25 de julho não é apenas uma celebração para esse grupo de indivíduos, mas sim um marco da resistência, luta e protagonismo
O dia 25 de julho não é apenas uma celebração para esse grupo de indivíduos, mas sim um marco da resistência, luta e protagonismo -

Neste sábado (25) é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data com importância política e social na vida de milhares de mulheres por toda a extensão da América Latina e do Caribe. O dia 25 de julho não é apenas uma celebração para esse grupo de indivíduos, mas sim um marco da resistência, luta e protagonismo.


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A data comemorativa foi criada no ano de 1992, durante a realização do 1º Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana. O evento tinha como objetivo debater as desigualdades estruturais sofridas por mulheres negras e como elas afetam o seu desenvolvimento, além de representar os países localizados na região.

Além da criação do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, no evento realizado na República Dominicana também teve o nascimento de outro movimento, a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, que atua por todos esses anos na defesa dos direitos e da visibilidade desse grupo de mulheres.

Em território brasileiro, no dia 25 de julho também se comemora o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014. A data é uma homenagem feita a Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII, reforçando a importância da trajetória de mulheres negras na construção da história do país, destacando que elas possuíam um papel central nas lutas por liberdade, justiça e equidade.

Segundo Leila Araujo, professora e coordenadora do Projeto Artemísia Escola de Mulheres e Bioeconomia, e cofundadora do Movimento Cidade no Feminino de São Gonçalo, a data é importante para dar destaque a esse grupo que historicamente não recebeu os holofotes ou posições de poder.

“Dar visibilidade ao protagonismo das mulheres negras para o desenvolvimento do Brasil e dos demais países latino-americanos e caribenhos é fundamental. É importante que toda essa história seja divulgada e compreendida pelo nosso povo, e o 25 de julho é estratégico e educativo nesse sentido”, afirmou a professora.

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha também celebra a valorização da cultura afrodescendente, que tanto influenciou a construção do continente, moldando costumes até hoje. Alguns desses elementos culturais são: a arte, a música, a dança, a culinária, os saberes ancestrais e os modos de organização social das mulheres negras, que formam um patrimônio imaterial relevante no corpo social.

“Precisamos conhecer bem a nossa história de nossas ancestrais, que foram rainhas exiladas e escravizadas por terem uma inteligência acima da média. Teresa de Benguela, Lélia Gonzalez, assim como tantas outras mulheres pretas contemporâneas, são provas de que podemos muito mais do que as sociedades racistas e misóginas querem nos impor”, adiciona Leila Araujo.

Para a coordenadora do Projeto Artemísia Escola de Mulheres e Bioeconomia, a violência sofrida por mulheres negras é decorrência de, claro, machismo e sexismo, mas também do racismo e da discriminação de classe social. A maioria das mulheres negras retintas está na base da pirâmide social, o que as leva a sofrer violências simbólicas e diretas no seu cotidiano. A violência urbana, a fome, a desvalorização do seu trabalho e a pobreza são alguns exemplos do que esse grupo enfrenta diariamente há séculos.

“Somos vítimas de uma violência estrutural que nos torna ainda mais vulneráveis em vários aspectos, especialmente do ponto de vista da nossa dignidade humana e da nossa saúde”, afirma a professora Leila.

A cofundadora do Movimento Cidade no Feminino de São Gonçalo ainda finaliza defendendo que políticas públicas sejam criadas e ampliadas para esse grupo de brasileiras, com foco na promoção da educação para essas mulheres.

“Educação, qualificação e cotas em todos os lugares de desenvolvimento e decisão, de pelo menos 30%. O Estado precisa pagar a dívida social que tem conosco.”

O dia 25 de julho é um marco simbólico que reivindica, com urgência, o reconhecimento e a valorização das lutas enfrentadas por mulheres negras. A data é mais que uma comemoração para esse grupo; ela é uma cobrança por melhorias.

Sob supervisão de Marcela  Freitas 

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