Último dia para se opor à cobrança sindical gera nova fila quilométrica em São Gonçalo
Trabalhadores voltaram a passar horas na fila nesta sexta-feira (17), último dia para contestar a cobrança assistencial

O último dia para protocolar a carta de oposição à cobrança da contribuição assistencial voltou a ser marcado por uma longa fila em frente ao Sindicato dos Empregados no Comércio Atacadista e Varejista de Gêneros Alimentícios (SECGAL), em São Gonçalo, na manhã sexta-feira (17).
Assim como aconteceu ao longo da semana, trabalhadores de supermercados chegaram ainda durante a madrugada para tentar garantir um lugar no início na fila e serem atendidos antes do encerramento do prazo.
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Muitos funcionários levaram bancos e cadeiras para enfrentar horas de espera e reclamaram da necessidade de comparecer presencialmente para solicitar o cancelamento do desconto, que gira em torno de R$ 30 mensais por um período de dois anos.
Márcia de Carvalho contou que chegou ao local às 7h, mas disse que o marido de uma amiga precisou chegar ainda mais cedo para conseguir atendimento.
"Eu cheguei aqui às 7h da manhã, mas o esposo da minha amiga chegou aqui às 3h da manhã. Eu não entendo como é que eles fazem isso. Eles têm acesso aos nossos dados. E a gente é obrigado a vir aqui”, afirmou Márcia que também disse que desistiu de fazer o procedimento no ano passado por causa da fila.

Andréia Regina, de 54 anos, foi acompanhada de uma amiga que levou um banquinho para as duas revezarem na fila. Andréia contou que chegou por volta das 8h e acredita que só conseguiria ser atendida entre 12h e 13h.
"Acho que é um pouco de descaso, que teria que resolver isso de uma outra forma. É muita gente, muita fila para você ficar aqui por uma coisa simples", disse.

Segundo Andréia, a filha já enfrentou o mesmo problema em outros anos. "Minha filha todo ano faz isso aí. Todo ano essa fila quilométrica”, comentou.
Para Andréia, o processo poderia ser simplificado. "Poderia ter um convênio com a empresa, para a empresa mesmo mandar o documento e cancelar isso. Não precisava formar essa fila."

Patrícia Melo, 53 anos, passou o aniversário enfrentando a espera. Segundo ela, depois de não conseguir uma senha na quinta-feira (16), precisou retornar ao sindicato ainda de madrugada.
Hoje eu estou completando 53 anos e o meu presente de aniversário é estar aqui, nessa humilhação. Isso aqui é uma humilhação para a população de São Gonçalo Patrícia Melo
Patrícia contou que esteve no local no fim da tarde de quinta-feira, mas não conseguiu atendimento.

"Eu estive aqui ontem, às 16 horas, e o rapaz não quis me dar a senha. Hoje estou aqui desde às 5 horas da manhã, como muitas outras pessoas, para poder tirar um negócio que é direito da gente. Eles têm que perguntar para a gente se quer pagar ou não”, declarou.
Patrícia defende que o procedimento volte a ser feito por intermédio das empresas. "Antigamente eram as empresas. A gente fazia as cartas, entregava e elas enviavam para o sindicato. Tiraram das empresas para a gente poder ficar aqui pernoitando. É uma vergonha isso daqui."

Procurado, o Ministério Público do Trabalho (MPT) não respondeu aos contatos da reportagem até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.