Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0112 | Euro R$ 5,8335
Search

Entenda os impactos comerciais do fim da 'Taxa das Blusinhas'

A 'Taxa das Blusinhas' era uma cobrança sobre produtos internacionais vendidos através de plataformas online; entenda!

relogio min de leitura | Escrito por Cristine Oliveira com edição de Cyntia Fonseca | 18 de maio de 2026 - 12:20
A cobrança conhecida como 'Taxa das Blusinhas' vigorou entre agosto de 2024 a maio de 2026
A cobrança conhecida como 'Taxa das Blusinhas' vigorou entre agosto de 2024 a maio de 2026 -

A alíquota de 20% do Imposto de Importação sobre produtos comercializados em plataformas online, com valores de até US$ 50, a famosa ‘Taxa das Blusinhas’, deixou de ser cobrada pelo governo brasileiro, desde a última quarta-feira (13). A falta dessa cobrança pode impactar diretamente os comércios físicos brasileiros. A reportagem OSG foi às ruas para saber a opinião dos lojistas, mas a maioria dos trabalhadores abordados não tinha conhecimento do assunto.

A ‘Taxa de Blusinhas’ operou de agosto de 2024 até maio de 2026. De acordo com o administrador e professor universitário da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), Ronaldo Vasconcelos, 63, a falta de informação sobre o tema causa danos a questões relacionadas a precificação, negociação e até mesmo planejamento competitivo.


Leia também: 

Mãe de Vini Jr. curte comentário falando mal da Virginia e causa alvoroço nas redes sociais

Ex-BBB Marcela Gowan se casa com a cantora sertaneja Luiza Martins


“A falta de informação pode gerar impactos importantes na estratégia comercial das empresas. O comerciante que desconhece mudanças tributárias perde capacidade de precificação, negociação e planejamento competitivo. Hoje, o varejo físico disputa mercado diretamente com plataformas globais extremamente agressivas em preço. Se o lojista não entende o cenário tributário e econômico, ele fica em desvantagem para ajustar margens, promoções e estratégias de venda. Informação econômica, atualmente, é também uma ferramenta de competitividade empresarial”, explicou o professor de administração.

Administrador e professor universitário da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), Ronaldo Vasconcelos, explica sobre a 'Taxa das Blusinhas'
Administrador e professor universitário da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), Ronaldo Vasconcelos, explica sobre a 'Taxa das Blusinhas' |  Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Para o especialista, tal cenário ocorre em função da dificuldade de transmitir de maneira clara o que seriam as questões relacionadas a tributos e impostos, sendo percebida apenas quando chegam as consequências no bolso tanto do consumidor como do lojista.

O que seria a ‘Taxa das Blusinhas’?

A cobrança se refere a impostos sobre compras internacionais, de diferentes produtos, realizadas através de plataformas online.

“A chamada ‘Taxa das Blusinhas’ foi o nome popular dado à cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor realizadas em plataformas digitais estrangeiras, especialmente sites asiáticos de comércio eletrônico. Na prática, tratava-se da tributação aplicada sobre produtos importados adquiridos por consumidores brasileiros, principalmente itens de vestuário, acessórios e eletrônicos de baixo custo. O apelido surgiu porque muitas pessoas associavam essas compras às roupas baratas vendidas em aplicativos e marketplaces internacionais”, explicou o especialista.

O imposto atingia produtos como vestuários, mas também acessórios e eletrônicos
O imposto atingia produtos como vestuários, mas também acessórios e eletrônicos |  Foto: Layla Mussi

A cobrança causava impactos positivos para o comércio físico, pois através dos impostos reduzia a diferença dos preços referentes ao mesmo produto, se comparado com os vendidos de forma online.

“Antes da tributação, muitos comerciantes locais enfrentavam uma concorrência considerada desleal, já que o varejo nacional arcava com custos tributários, trabalhistas e operacionais muito superiores. Com a taxa, o consumidor passou a perceber uma menor vantagem financeira em comprar no exterior, o que ajudava parcialmente o comércio físico a recuperar competitividade”, disse o especialista.

Apesar de percebida como uma vantagem para os comércios físicos, a cobrança deixou de vigorar na quarta-feira da semana passada (13), e pode não ser tão benéfica às vendas em lojas locais. Segundo dados do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), o volume atingido pode chegar ao valor de R$ 1,5 bilhão, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O número expressivo pode ser explicado de forma simples: o consumidor se sentirá mais atraído pelos baixos valores das plataformas de compra.

“A não cobrança da taxa tende a ampliar novamente a vantagem competitiva das plataformas internacionais sobre o comércio físico brasileiro. O consumidor brasileiro, naturalmente sensível ao preço, volta a enxergar maior atratividade nas compras online estrangeiras, especialmente em produtos de menor valor agregado. Isso pode gerar redução nas vendas do varejo tradicional, pressão sobre margens de lucro e até fechamento de pequenos negócios que já operam com dificuldade diante da elevada carga tributária nacional”, explicou o administrador.

O IFec RJ acredita que a falta da taxa causará desvantagem nos preços
O IFec RJ acredita que a falta da taxa causará desvantagem nos preços |  Foto: Layla Mussi

Um dos problemas levantados pela IFec RJ, é a concorrência desleal entre os produtos de lojas e os online, além de acarretar questões à economia nacional, como aumento dos custos de empresários. Entretanto, a população pode ser beneficiada pela falta da taxa. Para o especialista, a cobrança tem duas versões bem claras.

“Do ponto de vista econômico, eu considero que a não cobrança da chamada ‘Taxa das Blusinhas’ beneficia o consumidor no curto prazo, porque amplia o acesso a produtos mais baratos. Porém, no médio e longo prazo, pode trazer consequências preocupantes para a economia nacional, principalmente para o comércio físico, a indústria e a geração de empregos. O grande problema não está necessariamente na existência ou não da taxa, mas na enorme desigualdade tributária entre o empresário brasileiro e as plataformas estrangeiras. Enquanto o varejo nacional continuar enfrentando elevada carga tributária e altos custos operacionais, haverá sempre uma concorrência desequilibrada”, explicou o professor universitário e administrador.

Governo beneficiado pela ‘Taxa das Blusinhas’

Enquanto o imposto sobre os produtos vigorava, o governo acabava sendo beneficiado pelo aumento da arrecadação tributária. Com a expansão do mercado internacional de forma online, havia perda considerável de receita, uma vez que os produtos chegavam ao país com tributação reduzida.

“O governo era beneficiado principalmente pelo aumento da arrecadação tributária. O crescimento das compras internacionais vinha provocando uma perda significativa de receita, porque muitos produtos entravam no país com tributação reduzida ou sem fiscalização eficiente. Além disso, a medida também tinha um caráter de proteção econômica, ao tentar equilibrar a concorrência entre empresas brasileiras e gigantes internacionais do comércio eletrônico. Ou seja, havia um interesse fiscal e estratégico para preservar empregos e negócios locais”, explicou Ronaldo.

Comerciantes precisam ficar atentos sobre questões de economia para conseguir competir com outros mercados
Comerciantes precisam ficar atentos sobre questões de economia para conseguir competir com outros mercados |  Foto: Layla Mussi

Matérias Relacionadas