Planta brasileira mostra potencial promissor contra o coronavírus; Entenda!
Compostos da copaíba demonstram ação antiviral em múltiplas etapas do ciclo do SARS-CoV-2

Uma pesquisa científica recente aponta que uma planta nativa do Brasil pode contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a covid-19. O estudo, publicado em fevereiro na revista *Scientific Reports*, investigou substâncias extraídas das folhas da copaíba (*Copaifera lucens*) e identificou forte atividade antiviral contra o SARS-CoV-2.
O trabalho reuniu cientistas de diferentes países, incluindo pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP). A equipe identificou compostos chamados ácidos galoilquínicos (GQAs), que se destacam por atuar de forma multifuncional contra o vírus, um diferencial em relação a muitos antivirais disponíveis atualmente.
Leia também:
Fim de semana terá 17 praias recomendadas ao banho nas zonas sudoeste e sul do Rio de Janeiro
Alunos de SG conquistam 1º lugar em competição internacional de robótica
As folhas analisadas foram coletadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Segundo os pesquisadores, os compostos naturais foram capazes de interferir em diferentes fases do ciclo viral, ampliando seu potencial terapêutico.
O principal destaque é o chamado efeito de “ação tripla”. Os GQAs conseguiram reduzir em até 80% a entrada do vírus nas células humanas, inibir em até 85,6% a replicação viral ao bloquear a proteína RdRp e ainda apresentar efeito direto de destruição do vírus, com até 93% de inibição.
Esse tipo de atuação ampla pode dificultar o surgimento de resistência viral, já que muitos tratamentos atuais focam em apenas um alvo específico. Além disso, os compostos apresentaram um alto índice de seletividade, cerca de 102, indicando boa eficácia com baixa toxicidade para as células humanas.
Para efeito de comparação, antivirais já utilizados no tratamento da covid-19, como remdesivir e molnupiravir, possuem índices inferiores, geralmente entre 30 e 80. Isso sugere que os compostos da copaíba podem oferecer um equilíbrio mais favorável entre segurança e eficiência.
Os pesquisadores destacam que os resultados ainda fazem parte de estudos iniciais, mas reforçam o potencial de substâncias naturais brasileiras como base para novos medicamentos antivirais.