Dia de São Jorge: Multidão se reúne para a celebrar o dia do 'Santo Guerreiro' em São Gonçalo e Niterói
Vestidos de vermelho, cor que simboliza força e proteção

No dia 23 de abril, data dedicada a São Jorge, o santo guerreiro, devotos se reuniram em grande número em diferentes pontos de Niterói e São Gonçalo para celebrar, orar, agradecer e fazer pedidos de intercessão. Pontos como a capela de São Jorge, no Centro de Niterói, e igrejas dedicadas ao santo em São Gonçalo concentraram grande movimentação ao longo do dia. Vestidos de vermelho, cor que simboliza força e proteção, os fiéis formavam longas filas para conseguir entrar nas igrejas ou acender velas, em um cenário marcado pela fé e pela tradição.

A celebração mobilizou devotos de diferentes regiões, muitos deles repetindo o ritual ano após ano. O estudante Jorge Medeiros, de 35 anos, contou que participa das homenagens desde a infância. Para ele, a data carrega significados profundos. “Fé, esperança, amor, compaixão, família, diversidade e respeito entre as religiões, entre os povos. É isso, principalmente o respeito”, afirmou. Ele também relembrou um momento marcante de sua vida. “Três anos atrás eu tive um problema de saúde, fiquei de cama e não pude vir. No ano seguinte também não consegui. Então, esse ano eu vim para agradecer pela minha saúde, pois hoje eu estou de pé”, disse.

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Já o motorista Leonardo Serafim, de 40 anos, destacou a importância da fé no cotidiano. “É um dia bastante especial para todos nós que somos devotos, que estamos sempre na batalha, na correria. A gente vem para agradecer o nosso dia a dia, nossa segurança”, contou. Frequentador assíduo, ele reforça que não abre mão da tradição. “Todos os anos eu estou aqui, sempre tentando assistir à primeira missa”, completou. Para ele, cada experiência ligada à fé se torna significativa. “Tudo o que acontece na vida em relação à fé é marcante. A gente tem que sempre agradecer”, afirmou.

A costureira Fabiana Mendes, de 48 anos, também mantém a tradição de comparecer todos os anos. “São Jorge representa um santo guerreiro, que me guia em todos os passos. Tenho muita confiança e fé nele”, disse. Ela chegou cedo, acompanhada do marido e amigos. “Hoje chegamos às 5h30 da manhã. Todos os anos estamos aqui”, contou.
A servidora pública Margareth Braga, de 63 anos, destacou a importância da celebração. “É um dia em que a gente celebra um santo guerreiro que traz força para a população. Também representa a união das religiões, que fazem esse grande festejo”, afirmou. Apesar de não frequentar todos os anos, ela mantém sua fé. “Sempre que posso, eu venho. São Jorge é um santo que a gente pede força, e a gente consegue”, disse, ao lembrar momentos em que teve graças alcançadas.
Padroeiro do Rio de Janeiro, São Jorge é uma das figuras mais populares da fé no estado, reverenciado como símbolo de coragem, proteção e vitória diante das adversidades. Celebrado no dia 23 de abril, o santo mobiliza milhares de devotos que mantêm viva uma tradição que atravessa gerações. De acordo com a tradição cristã, São Jorge foi um soldado romano que viveu no século III e se recusou a renunciar à sua fé, sendo morto por ordem do imperador. Sua história ficou marcada pela imagem do guerreiro que enfrenta e derrota um dragão, representação simbólica da luta contra o mal.

No Brasil, especialmente no Rio, a devoção ganha ainda mais força por conta do sincretismo religioso, já que para muitos fiéis São Jorge também é associado a Ogum, orixá da guerra e dos caminhos, ampliando a dimensão cultural e espiritual das celebrações. Conhecido como “santo guerreiro”, ele é invocado em momentos de dificuldade, sendo considerado protetor daqueles que enfrentam batalhas no dia a dia. Não por acaso, sua imagem montado em um cavalo, com a lança erguida, é presença constante em casas, comércios e até em veículos.

Além do caráter espiritual, o entorno das igrejas também ganhou clima de festa. Tradicionalmente conhecida pela feijoada de São Jorge, a celebração contou com diversas barracas oferecendo comidas típicas, camisetas, rosas, velas e imagens do santo, reforçando a mistura de religiosidade, cultura e comércio que marca a homenagem ao guerreiro.
Sob supervisão de Marcela Freitas






