Sem emprego há 3 anos, motorista recorre às ruas para pedir oportunidade
Com 58 anos e 15 de experiência, Maxwell Germini enfrenta dificuldades financeiras e pede uma chance em silêncio, segurando sua placa nas vias mais movimentadas

Com uma faixa nas mãos e esperança no olhar, Maxwell Germini, motorista de caminhão de 58 anos, percorre diariamente as ruas de Niterói e São Gonçalo à procura de um emprego. Há três anos sem carteira assinada, o português natural da Ilha da Madeira segura um pedido silencioso: uma placa que informa suas qualificações e contato, na tentativa de conquistar uma oportunidade de trabalho.
Todos os dias, ele sai de casa no bairro Santa Catarina, em São Gonçalo, e se dirige às vias mais movimentadas da região, na expectativa de que alguém note seu pedido e lhe ofereça uma chance. Maxwell tem 15 anos de experiência como motorista de caminhão, com capacitação em CAT (para dirigir veículos de carga acima de 3.500 kg) e MOPP (para transporte de cargas perigosas).
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Apesar das qualificações, ele enfrenta diariamente o desemprego.
“Ninguém me dá uma oportunidade, as pessoas me xingam, jogam pedra, jogam sacola de água. Estou (pedindo emprego) desde às 5h da manhã e querendo tomar café. Mas não estou pedindo dinheiro, não, estou pedindo uma oportunidade. [...] Tenho disponibilidade de trabalhar fora do Rio de Janeiro, mas ninguém me dá oportunidade”, disse o motorista.

Sem outra saída, o motorista resolveu pedir um emprego em áreas com intensa movimentação de veículos, aumentando ainda mais as chances de encontrar uma ocupação.
“Fiz uma placa, a pessoa que me fez não me cobrou nada e disse ‘vai na rua procurar emprego’ e peguei dois cabos de vassoura (para segurar a faixa). Não tenho vergonha, essa placa já vai fazer quase três anos”, contou.
Em razão dessa situação, Maxwell e a esposa encontram dificuldades para pagar o aluguel e até mesmo para comer, o que tem desesperado ainda mais o caminhoneiro.
“Não estou conseguindo pagar, não. Eu fiz um biscate e dei metade, mas estou devendo a outra metade, e a pessoa está pedindo a casa e eu nem sei o que fazer. Eu tenho até essa semana para pagar. Às vezes, eu deixo mais um pão para a minha esposa e eu não como. Anteontem, comemos feijão com farinha, porque a gente não tem condições financeiras”, disse Maxwell, que ressaltou que não sabe como pagará as dívidas.

Caso haja alguma oportunidade de emprego para caminhoneiro com capacitação em MOPP e CAT, entre em contato com o número (21) 97528-1729 e chame por Maxwell Germini.
História de vida
O português Maxwell foi criado pela bisavó e veio ao Brasil há 29 anos. Aqui, ele começou a trabalhar em Brasília, onde conheceu a primeira esposa, que infelizmente morreu pouco tempo depois. Nessa época, ele aproveitava todas as oportunidades de emprego.
“No meu primeiro trabalho, fui jardineiro, cuidava das plantas, limpava a piscina e assim vai. Depois que minha esposa faleceu, eu morei em Brasília, depois em São Paulo e depois no Rio de Janeiro, e conheci a minha esposa, a Simone”, explicou.
Durante a união, o casal não chegou a ter filhos. Maxwell disse que veio ao Brasil porque se apaixonou pelo país.