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Morre Eurípides Ferreira, primeiro médico a realizar transplante de Medula Óssea na América Latina

O doutor Euripides Ferreira foi pioneiro no procedimento, além de atuar por mais de 50 anos na oncologia e hematologia

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 03 de abril de 2026 - 18:46
O doutor estava internado Nossa Senhora das Graças, onde trabalhou por 57 anos
O doutor estava internado Nossa Senhora das Graças, onde trabalhou por 57 anos -

Morreu, nesta sexta-feira (3), o médico Eurípides Ferreira, percursor no procedimento de transplante de medula óssea no Brasil e na América Latina. Ferreira estava internado no hospital Nossa Senhora das Graças, responsável por comunicar a morte. Eurípides, ao lado de Ricardo Pasquini, realizou, em outubro de 1979, o procedimento pela primeira vez na América Latina em 1979.

 Quem recebeu o transplante foi Alírio Pfiffer, com doação de seu irmão. Foi em 1996 que aconteceu o primeiro transplante entre não parentes, que só aconteceu por conta do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Suely Walton fez a doação para a cirurgia que salvou a vida de uma criança de 11 anos.


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Em entrevista em 2020, Eurípides falou sobre a primeira vez que fez o transplante: "Em 1978 eu estava agoniado com os pacientes que possuíam uma doença hematológica chamada anemia aplástica, porque todos evoluíam a óbito. No Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, tínhamos todos os requisitos necessários para iniciar um serviço de transplante de medula óssea. Então, em 15 de outubro de 1979, realizamos o procedimento, que foi o primeiro no Brasil.”

O Hospital que tratou do médico foi o mesmo onde ele trabalhou por 57 anos. Em comunicado,  o hospital fez uma homenagem ao seu legado dedicação e humanidade.

Confira a nota completa : 

"Hoje nos despedimos de um dos grandes nomes da medicina e da nossa história: Dr. Euripides Ferreira.

Integrante da equipe médica que realizou o primeiro transplante de medula óssea do Brasil e da América Latina, Dr. Euripides teve papel fundamental nesse marco que transformou o Estado em referência Nacional e Internacional.

Foram 57 anos de dedicação ao corpo clínico aqui do @hnsgcuritiba, com uma trajetória marcada pela atuação exemplar na oncologia e hematologia, sempre exercidas com profundo conhecimento, zelo, humanidade e carinho no cuidado com cada paciente.

Seu legado permanece vivo na medicina, na história de nosso Hospital e na vida de todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

Nossa gratidão e nossas mais sinceras homenagens ao Dr. Eurípedes Ferreira. Descanse em paz e que Deus conforte o coração de seus amigos e familiares.

“A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho”. (Santo Agostinho)"

Ele também foi o responsável por trabalhar no maior hospital pediátrico do país, o Hospital Pequeno Príncipe. Neste, começou em 1966 para auxiliar no tratamento hematológico e de diferentes tumores.

"“Em 1966, quando eu já atendia no Pequeno Príncipe, houve um acontecimento que marcou profundamente a minha vida. Um menino chamado Henrique tinha leucemia e naquela época não tinha medicamentos com eficácia para o controle e cura dessa doença. Eu me recordo que ele, com o retorno de sua leucemia e com um quadro de infecção muito grave, sem os antibióticos e antifúngicos que existem hoje, ao entrar em seu quarto e perguntar ‘tudo bem, Henrique?’, ele respondeu ‘tudo bem, tio, mas, me faz um favor? Me deixa falecer em casa?’. Ele tinha seis anos de idade e aquilo me marcou profundamente. Nesse mesmo dia eu prometi a mim mesmo que iria lutar com todos os conhecimentos possíveis para ajudar crianças.” disse o médico.

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