Semana Santa: CRMV-RJ orienta consumidores sobre como escolher pescados de qualidade
Os pescados são alimentos nutritivos e saudáveis, mas também altamente perecíveis

Com a chegada da Semana Santa, cresce o consumo de peixes e frutos do mar em substituição à carne vermelha, especialmente na Sexta-Feira Santa. O período, no entanto, também exige atenção redobrada dos consumidores, já que o aumento da demanda pode favorecer irregularidades na comercialização de pescados e até fraudes alimentares.
Os pescados são alimentos nutritivos e saudáveis, mas também altamente perecíveis. Por isso, observar características de conservação, aparência e procedência do produto é fundamental para evitar riscos à saúde.
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A Comissão de Alimentos do CRMV-RJ dá dicas de alguns sinais simples podem ajudar o consumidor a identificar se o produto está próprio para o consumo.
Bacalhau: um dos mais procurados — e também um dos mais fraudados
Tradicional nas refeições da Semana Santa, o bacalhau também está entre os pescados que mais sofrem tentativas de fraude ou problemas de conservação. Segundo a especialista, é importante observar textura, odor e coloração do produto.
“O bacalhau deve ser firme e elástico. Se estiver macio, se desmanchando facilmente ou pegajoso ao toque, é um indicativo de deterioração”, explicou o presidente da Comissão de Alimentos, Carlos Alberto Magioli, médico-veterinário aposentado do do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Outro ponto essencial é o cheiro do pescado.
“O odor deve ser suave e característico, lembrando o cheiro do mar. Quando há um cheiro intenso ou desagradável, como odor de amônia ou ácido, pode indicar contaminação ou início de processo de putrefação”, alerta o profissional.
A cor também deve ser observada com atenção.
“O bacalhau apresenta coloração branca ou levemente amarelada. Manchas vermelhas, conhecidas como ‘vermelhão’, podem indicar contaminação bacteriana, enquanto pintas pretas podem estar associadas a falhas de conservação ou armazenamento, como excesso de umidade ou calor”, acrescentou a médica-veterinária e tesoureira do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Isabelle Campello, que atua na área de vigilância sanitária e qualidade dos alimentos.
Como identificar peixe fresco de qualidade
Além do bacalhau, o consumo de peixes frescos aumenta significativamente nessa época do ano. Para garantir que o alimento esteja adequado ao consumo, alguns aspectos devem ser avaliados no momento da compra:
Odor: deve ser característico da espécie, sem cheiro forte, ácido ou de amônia;
Aparência: superfície limpa, úmida e com brilho metálico, sem manchas estranhas;
Escamas: firmes e bem aderidas à pele;
Olhos: brilhantes e salientes, ocupando toda a cavidade ocular;
Guelras: coloração entre rosa e vermelho intenso, úmidas e sem viscosidade;
Carne: firme e elástica, sem deixar marcas quando pressionada.
Peixe congelado também pode ser uma alternativa segura
O pescado congelado também é uma opção prática e segura, desde que sejam observadas as condições de armazenamento.
Nos pontos de venda, os produtos devem estar armazenados em freezers ou balcões frigoríficos limpos e organizados, com indicação da temperatura do equipamento. É importante verificar ainda se há acúmulo de líquido ou sinais de descongelamento.
De acordo com o CRMV-RJ, o peixe congelado deve estar armazenado conforme a temperatura indicada pelo fabricante e, no mínimo, a –18 °C, além de apresentar embalagem íntegra e bem fechada.
Outra orientação importante é conferir as informações de rotulagem, como identificação do produto, origem, peso, data de embalagem, prazo de validade e modo de conservação.
Atenção aos selos de inspeção
O consumidor também deve verificar se o produto congelado possui selos de inspeção sanitária, como o Serviço de Inspeção Federal (SIF), o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) ou o Serviço de Inspeção Municipal (SIM).
Essas certificações indicam que os alimentos passaram por inspeções conduzidas por médicos-veterinários, garantindo o controle sanitário durante a produção e a comercialização.
Desconfie de preços muito baixos
Outro alerta importante é em relação a ofertas muito abaixo do preço de mercado.
Valores muito baixos podem indicar problemas de conservação, substituição de espécies ou até fraudes na comercialização do produto.
A recomendação é sempre optar por estabelecimentos confiáveis e verificar a procedência do pescado.
Caso o consumidor identifique qualquer irregularidade, a orientação é registrar denúncia junto à vigilância sanitária do município.