Remédios terão reajuste a partir de abril e consumidores já sentem impacto no bolso
Para quem faz uso contínuo de medicamentos, a atenção precisa ser ainda maior

O reajuste anual dos medicamentos começa a valer a partir de 1º de abril de 2026, com índices definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) que variam entre 1,13% e 3,81%. Mesmo antes da data oficial, consumidores já relatam aumento nos preços e preocupação com o impacto no orçamento. O percentual máximo autorizado neste ano ficou abaixo da inflação registrada em 2025, quando o IPCA fechou em 4,26%, o que coloca o reajuste entre os menores dos últimos anos. Ainda assim, para quem depende de remédios com frequência, qualquer variação já é sentida no dia a dia.
Em São Gonçalo, quem utiliza medicamentos, principalmente de uso contínuo, afirma que o peso no bolso já é uma realidade. O auxiliar de serviços gerais Eliseu Caetano, de 54 anos, conta que acompanha de perto os preços e tenta se adaptar para economizar. “Eu sempre observo quando o valor do medicamento muda. Procuro pesquisar e também opto pelo genérico, que é mais em conta”, disse. Para ele, o impacto vai além dos remédios. “Com certeza vai pesar no bolso. Hoje em dia tudo está caro, não só medicamento. Fica difícil acompanhar esses aumentos”, completou.

A percepção de alta também é compartilhada por Gabriel Alexandre, de 67 anos, porteiro, e Ivana Ribeiro, de 65, diarista. Eles afirmam que já notaram diferença recente ao comprar os mesmos produtos, mesmo antes da data oficial do reajuste. “Eu percebi que aumentou um bocadinho, comparando com o mês passado”, afirmou Gabriel. Ivana reforça que a mudança foi sentida na prática. “A gente compra sempre as mesmas coisas e deu para notar diferença no preço”, disse.
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Segundo eles, a preferência pelos genéricos é uma alternativa para reduzir os gastos. “A gente costuma pegar o genérico porque é mais barato e o efeito é o mesmo”, destacaram. Mesmo assim, o impacto no orçamento é inevitável. “No final do mês pesa, sempre pesa”, afirmaram.

Apesar da percepção dos consumidores, especialistas apontam que o reajuste autorizado para 2026 está dentro do esperado para o setor e pode ser considerado moderado. “Esse reajuste está dentro do esperado e pode ser considerado moderado. O teto de 3,81% ficou abaixo da inflação do ano passado, o que coloca o índice entre os menores dos últimos anos”, explica Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin).
Ele reforça que o percentual definido não representa um aumento automático. “Não se trata de um reajuste aplicado diretamente a todos os medicamentos, mas de um limite máximo regulado pelo governo, com base em critérios como inflação, produtividade da indústria e fatores do próprio setor”, completa. Na prática, o impacto também não ocorre de forma imediata nas farmácias. “O consumidor pode não sentir o aumento logo no início de abril. O repasse depende da política de cada farmácia, das negociações com fornecedores e da concorrência. Algumas podem ajustar rapidamente, enquanto outras fazem isso de forma gradual”, destaca.
Para quem faz uso contínuo de medicamentos, a atenção precisa ser ainda maior. “O impacto tende a ser mais perceptível porque é um gasto fixo. Mesmo sendo um reajuste menor, ao longo do ano ele pesa no orçamento. Por isso, a organização financeira é essencial”, orienta. Entre as principais formas de economizar, o especialista destaca a importância da pesquisa e do planejamento. “Pesquisar preços é fundamental, porque há variação entre farmácias. Optar por genéricos, quando possível, ajuda a reduzir custos sem perder eficácia. Além disso, programas de desconto, planejamento de compras e evitar aquisições por impulso fazem diferença no fim do mês”, conclui.