“Sabor chocolate” ou chocolate: entenda a diferença e qual é mais saudável para consumo nesta Páscoa
Nova regulamentação define critérios mais rigorosos para o que pode ser considerado chocolate, enquanto produtos rotulados como “sabor chocolate” levantam dúvidas sobre qualidade e impactos à saúde

No período da Páscoa, os consumidores correm às lojas em busca do tradicional chocolate. No entanto, uma mudança na legislação acende um alerta: nem tudo que parece chocolate realmente é, e identificar produtos de qualidade pode ser mais difícil do que parece. Por trás das embalagens atrativas, muitos produtos trazem a indicação “sabor chocolate”, utilizada para identificar itens que não atendem aos critérios mínimos para serem considerados chocolate de fato. A diferença vai além do gosto e pode impactar diretamente a qualidade nutricional.
De acordo com o Projeto de Lei aprovado na Câmara dos Deputados, de autoria do senador Zequinha Marinho, do Podemos, novas regras passam a definir com mais rigor o que pode ou não ser classificado como chocolate. Entre as mudanças, termos como “chocolate amargo” e “meio amargo” deixam de ser utilizados, dando lugar a critérios técnicos de composição.
Para que um produto seja considerado chocolate, será necessário conter, no mínimo, 35% de sólidos totais de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga de cacau e 14% de sólidos isentos de gordura. Já o chocolate branco deverá apresentar 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite. No caso do chocolate ao leite, o mínimo exigido será de 25% de cacau, além de 14% de sólidos lácteos. Para o chocolate em pó, a exigência é de 32% de sólidos de cacau.
A legislação também estabelece que o chamado “chocolate doce” deve conter, no mínimo, 25% de cacau.
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Com tantas especificações, identificar um produto de qualidade pode se tornar um desafio para o consumidor, especialmente com a popularização do termo “sabor chocolate”. Esses produtos, em geral, possuem menor teor de cacau ou sequer utilizam o ingrediente, sendo substituído por aromatizantes artificiais e corantes, como o caramelo IV, que conferem cor e aroma semelhantes ao chocolate.

Em decorrência disso, esses produtos não apresentam a textura cremosa, muito menos o gosto do chocolate verdadeiro.
Sabor chocolate e seus riscos à saúde
Com a aproximação da Páscoa, no dia 5 de abril, os chocolates estão lotando as prateleiras de lojas e supermercados, e é neste momento que surge a dúvida entre os consumidores: ‘Qual é melhor, chocolate ou sabor chocolate?’
De acordo com o nutricionista Patryck Barboza Galdino de Oliveira, de 27 anos, o mais correto é escolher os produtos que são chocolates, pois os que possuem a nomenclatura ‘sabor chocolate’ são compostos por açúcar e conservantes, prejudicando a saúde.
“Os produtos ‘Sabor Chocolate’ são ultraprocessados e industrializados, que passam por um processamento muito grande, onde retiram produtos naturais e adicionam sal, açúcar, óleos ou conservantes, com a finalidade de aumentar o sabor, tornando os produtos hiperpalatáveis. Sendo assim, tornam-se ainda maiores os riscos a doenças crônicas (diabetes, dislipidemia, hipertensão…), obesidade, desequilíbrio intestinal e até mesmo cânceres”, explicou.

Para o especialista, a implementação da PL pode ajudar a que sejam ofertados ao consumidor produtos com melhores valores nutricionais.
“Acredito que, com essa nova configuração, encontraremos uma quantidade muito maior de sólidos de cacau, quando comparado ao que estamos habituados a consumir das marcas mais encontradas nos mercados. O que podemos associar a uma possível redução de danos gerados a partir do alto consumo deste produto pelo qual o brasileiro é apaixonado e tem uma taxa de consumo altíssima”, disse o nutricionista.

A recomendação nutricional é que os consumidores optem por chocolates com 50% ou mais de cacau em sua composição, além de estabelecerem momentos em que o produto deve ser consumido, dando preferência ao consumo após as refeições.
O chocolate não precisa ser eliminado completamente da dieta, afinal, por meio do cacau, são consumidas vitaminas e outras substâncias que contribuem para um bom funcionamento do corpo.
“Sem a menor sombra de dúvidas, o chocolate pode ser um grande aliado na nossa dieta, uma vez que o cacau (sua principal matéria-prima) é rico em compostos bioativos e antioxidantes, como os flavonoides e polifenóis, além de vitaminas e minerais, que podem nos auxiliar na melhora do humor e até mesmo das funções cognitivas, cardiovasculares, recuperação muscular, regulação intestinal, além de contribuir para a redução dos sintomas da TPM e muito mais”, disse o profissional.
Sabor Chocolate x Chocolate na Páscoa
Os mercados e lojas oferecem uma variedade de chocolates nessa época do ano, seja de cores, recheios e formatos, entretanto, os consumidores não abrem mão de comprar um produto de qualidade.
“Eu prefiro o chocolate, porque o sabor chocolate, como o nome já diz, não é necessariamente um chocolate, é alguma coisa saborizada, por isso eu prefiro o chocolate. Eu vou pelo chocolate e pelo preço, se der para associar os dois, é uma boa”, disse Jéssica Daiane, de 38 anos.

Apesar de alguns consumidores darem preferência para o chocolate, no final das contas, quem vai decidir é o preço.*
“Acredito que o chocolate seja mais saudável, mas vou preferir o que for mais barato”, disse o professor universitário João Daniel Carvalho, de 40 anos.

O desempate entre chocolate e sabor chocolate é decidido pelo valor, pois o produto similar conta com um preço reduzido. Um ovo de Páscoa sabor chocolate, pequeno, está saindo por R$ 14,99, enquanto outros ovos, do mesmo tamanho ou um pouco maiores, podem custar de R$ 35,85 a R$ 139,00.

Sob supervisão de Marcela Freitas


