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Após vagões femininos, mulheres pedem ônibus exclusivos em São Gonçalo e Niterói para combater assédio no transporte público

Segundo pesquisas, aproximadamente 97% das mulheres já foram vítimas de assédio sexual em ônibus; medidas de proteção já foram tomadas em outras regiões do estado fluminense

relogio min de leitura | Escrito por Cristine Oliveira com edição de Cyntia Fonseca | 26 de março de 2026 - 10:20
Enquete mostra que as mulheres se sentiriam mais seguras se houvessem ônibus exclusivo
Enquete mostra que as mulheres se sentiriam mais seguras se houvessem ônibus exclusivo -

Após a novidade dos vagões de trens exclusivos femininos, que passam a circular 24 horas por dia, no Rio de Janeiro, diversas mulheres desejam que a mudança se estenda também a outros transportes coletivos, como os ônibus de São Gonçalo e Niterói. 

Dados levantados pelo Instituto Patrícia Galvão apontam que cerca de 97% das mulheres que usam transporte público já foram vítimas de assédio sexual. Muitos agressores se aproveitam da superlotação do coletivo público, para tocar no corpo de uma mulher, mesmo sem autorização, e em alguns casos, mostram suas genitálias.


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Visando proteger as mulheres, foi sancionada a lei, na última segunda-feira (23), que garante vagões de trem exclusivo para mulheres, durante 24 horas. Com essa vitória, as passageiras podem viajar tranquilamente sem medo de se tornarem estatística.

Outra cidade que se destacou na proteção de mulheres nos transportes públicos foi Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Em 2023, foi pioneira justamente na implementação de ônibus exclusivos para as mulheres (Ônibus Lilás - É para Elas Para Elas), que além disso, conta com uma motorista.

Em entrevista a O SÃO GONÇALO, diversas mulheres informaram que a ideia seria bem aceita pelas usuárias de transporte na Região Metropolitana, que também desejam maior sensação de segurança.

Uma forma de deixá-las menos vulneráveis ao assédio sexual seriam com ônibus exclusivos ou assentos destinados apenas para esse grupo.

"Eu acho que seria muito importante, porque hoje em dia as pessoas não estão tendo muita cumplicidade, educação. E a gente precisa dessa liberdade de se sentir bem no local. Ainda mais para mim, que tenho uma filha adolescente, então seria muito bom para ela ter essa segurança", disse a bombeira civil, Suelen de Oliveira, de 38 anos.

Suelen de Oliveira, mãe de uma adolescente, aprova a ideia
Suelen de Oliveira, mãe de uma adolescente, aprova a ideia |  Foto: Layla Mussi

Pensando em outros mecanismos para garantir a segurança das mulheres, além de gerar mais empregos para esse grupo, usuárias de transporte público acreditam que ter mais motoristas mulheres pode contribuir para um coletivo mais seguro.

“Porque às vezes está muito cheio, querendo ou não é desconfortável para a mulher o homem ficar encostado nela. Se só tivesse mulher seria mais interessante”, disse a promotora de vendas Gabriele Marques, 20.

Gabriele Marques apoia a ideia e ainda acrescenta que poderia haver  motoristas mulheres para esses coletivos públicos
Gabriele Marques apoia a ideia e ainda acrescenta que poderia haver motoristas mulheres para esses coletivos públicos |  Foto: Layla Mussi

Na opinião da cozinheira Neri Batista, 52, as mudanças precisariam ir além da lei do transporte, reforçando a conscientização. 

“(Os assentos exclusivos) Até poderia ter, mas acho que ninguém respeita isso. Eu me sentiria mais segura, sim, mas tem pessoas que não respeitam”, opinou.

Neri Batista tem receio de a medida não ser respeitada
Neri Batista tem receio de a medida não ser respeitada |  Foto: Layla Mussi

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