Justiça autoriza internação provisória de adolescentes acusados de espancar capivara
Os adolescentes vão responder atos infracionais análogos maus-tratos, associação criminosa

Os dois adolescentes apreendidos acusados de agredirem uma capivara na Ilha do Governador, tiveram a internação provisória determinada pela Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do RJ, neste domingo (22). O ataque cruel contra o animal ocorreu na madrugada de sábado (21).
A medida foi tomada pouco tempo depois da detenção dos menores, que passaram por audiência no Juizado depois de serem levados à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
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A audiência de custódia dos seis maiores está prevista para acontecer ainda nesta segunda-feira (23). Os acusados foram identificados como: Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Bezerra da Silva, Matheus Henrique Teodosia, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo.
Os menores foram apreendidos no sábado (21), no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou e deteve os acusados depois da repercussão das imagens de câmeras de segurança que revelam a capivara sendo seguida e espancada por um grupo com oito agressores. O crime ocorreu na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara.
O animal, uma capivara macho adulto de 64 kg, teve melhora clínica durante a madrugada de domingo, depois de receber atendimento especializado no Núcleo Veterinário de Vargem Grande, na Zona Sudoeste.
De acordo com o veterinário responsável pelo tratamento, a capivara teve traumatismo craniano, edemas e sangramento nasal, porém respondeu bem ao tratamento inicial.
O crime passou a ser visto de um outro ângulo, depois que uma testemunha informou que tentou intervir, mas também foi agredida pelo grupo, que continuou a desferir golpes contra um outro animal apesar de ele cair exausto no chão. De acordo com informações, os agressores teriam perseguido um outro animal dias antes.
Em razão do crime, os adultos vão responder por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Enquanto os menores vão responder por atos infracionais análogos aos mesmos delitos.
Multa
Segundo o delegado Felipe Santoro, responsável pela 37ª DP (Ilha do Governador), a ocorrência da capivara pode ser a primeira em que o Ibama dará a multa prevista no decreto Cão Orelha, publicado na semana passada.
O decreto, intitulado de “Justiça por Orelha”, faz analogia ao caso do cachorro comunitário morto depois de ser espancado em Florianópolis, em janeiro deste ano. O documento endureceu as punições para quem maltrata animais.
O texto prevê multas que variam de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, e pode atingir o valor de R$ 1 milhão em ocorrências que tenham agravantes. Antes da alteração, os valores eram de R$ 300 a R$ 3 mil.