Saúde GovRJ alerta para os riscos à saúde após os temporais
Além da contaminação por leptospirose, população deve ter cuidado com possíveis descargas por choque elétrico

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) faz um alerta à população e reforça os cuidados necessários após casos de alagamentos causados por temporais. Além da possível contaminação por leptospirose, os riscos de descargas por choque elétrico, principalmente em áreas urbanas, podem provocar diversas complicações à saúde, como arritmias cardíacas, lesões no cérebro e danos musculares.
Médica plantonista da UPA Copacabana, Juliana Favero Chiumento ressalta que a postura correta ao se deparar com riscos de choque elétrico é a avaliação inicial da cena.
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“Nunca se deve tocar diretamente na vítima enquanto ela estiver em contato com a eletricidade. Antes de qualquer ação, é fundamental verificar se há cabos de energia soltos ou qualquer outra situação que possa colocar o socorrista em risco”, disse a médica.
Se possível, a recomendação é desligar imediatamente a fonte de energia, seja por meio de um disjuntor ou outra forma segura de interrupção da corrente elétrica. Em caso contrário, a orientação é utilizar objetos secos e que não conduzam eletricidade — como cabo de vassoura, pedaço de madeira, plástico, borracha ou tecidos grossos — para afastar a vítima da fonte elétrica.
“Após interromper o contato com a corrente elétrica, será possível avaliar o estado da vítima. Caso ela tenha caído após o choque, é importante evitar movimentá-la, prevenindo possíveis lesões na coluna. Também é necessário observar se há movimentos respiratórios, verificando se o tórax se expande. Na sequência, verificar a pulsação central, na região do pescoço, por cerca de cinco a dez segundos”, explica a médica.
De acordo com a médica, o socorro é urgente, caso a vítima esteja sem pulso e sem respiração. Neste caso, é recomendável imediatamente iniciar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP).
“Quem possui as noções de primeiros socorros pode começar as compressões, que devem ser feitas no centro do tórax, com uma mão sobre a outra, braços estendidos, comprimindo o peito entre cinco e seis centímetros de profundidade e permitindo o retorno completo do tórax entre as compressões. O procedimento deve continuar até a chegada do socorro especializado, como o SAMU e os bombeiros”.
Em situações envolvendo fios de alta tensão sobre veículos, a recomendação é permanecer dentro do carro. No entanto, se houver risco de incêndio, a pessoa deve sair pulando com os dois pés juntos, evitando tocar simultaneamente na lataria e no chão.
Após garantir a segurança, é essencial acionar o socorro pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Riscos com a leptospirose
Uma das recomendações da Gerência de Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses da SES-RJ é a atenção aos sintomas que podem aparecer para quem teve contato com locais contaminados e diferenciar os sinais de outras causas de doenças febris agudas.
Geralmente, a fase precoce da leptospirose dura aproximadamente 3 a 7 dias e caracteriza-se pelo aparecimento repentino de febre, acompanhada de dor de cabeça, dor muscular, anorexia, náuseas e vômitos, além de diarreia, dor em uma das articulações, fotofobia, dor ocular e tosse.
A infecção causada pela leptospirose resulta da exposição direta ou indireta à urina de roedores. A penetração do microrganismo ocorre através da pele que fica imersa por longos períodos em água contaminada, lama ou por meio de outras modalidades de transmissão possíveis, como contato com sangue, tecidos, órgãos de animais infectados, ingestão de água ou alimentos contaminados.